Menu
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Câmbio

Onde estão os dólares que deveriam estar aqui?

Fluxo cambial de janeiro foi positivo em apenas US$ 55 milhões, pior resultado desde 2013. Prova, mais uma vez, de que fluxo não faz preço, é que a cotação do dólar caiu 5,6% no mês

6 de fevereiro de 2019
13:26
Imagem: Shutterstock

Os dados do Banco Central (BC) sobre o fluxo cambial frustraram as expectativas de que os mais de US$ 20 bilhões perdidos no fim do ano passado poderiam começar a retornar, mesmo que parcialmente, logo na abertura do ano.

O fluxo cambial, que capta as trocas comerciais e de investimentos e aplicações do Brasil com o exterior, fechou janeiro positivo em apenas US$ 55 milhões, pior resultado desde uma saída de US$ 2,4 bilhões vista em janeiro de 2013.

O usual é vermos um retorno de moeda física ao país nos primeiros meses do ano depois de retiradas pontuais, especialmente na conta financeira por empresas e fundos que fecham sua contabilidade no fim de cada ano.

Em 2018, por exemplo, janeiro terminou com entrada líquida de US$ 8 bilhões, depois de uma saída de US$ 9,3 bilhões em dezembro de 2017. Em janeiro de 2017, o ingresso ficou em US$ 3,7 bilhões, após retirada pouca expressiva de US$ 1,1 bilhão em dezembro de 2016.

Ao longo de janeiro, ingressos e saídas se alternaram bastante ao longo das semanas, e o saldo líquido no mês foi de uma retirada comercial de US$ 497 milhões sendo compensada por um tímido ingresso líquido financeiro de US$ 552 milhões.

Fevereiro, no entanto, abriu com entrada líquida de US$ 650 milhões. Agora é aguardar os dados das próximas semanas para ver se o sazonal aumento de fluxo se confirma, junto com um aumento das exportações e demais operações.

Esperando, esperando...

No lado da conta financeira, os dados parecem conversar com o que temos lido e ouvido por aí, de que o estrangeiro está esperando a aprovação de reformas e ajustes para colocar suas fichas no Brasil.

O quadro brasileiro é visto como binário. Ou a reforma passa e as coisas se arrumam, ou sem reformas rumamos para o abismo fiscal. Sem espaço para meio termo, a saída parece mesmo esperar. O aumento nos índices locais de confiança de empresas e consumidores não parece sensibilizar o capital externo.

Também há expectativa com os programas de concessões, privatizações e leilões do governo, mas, por ora, nenhuma operação foi efetivamente realizada.

O fluxo e os leilões do BC

Os dados também conversam como a decisão do BC de fazer a rolagem de leilões de linha feitos no fim do ano passado para prover liquidez pontual para as remessas de fim de ano. No fim de janeiro, o BC ofertou rolagem de US$ 6,2 bilhões que venceriam no dia 4 de fevereiro.

Os leilões ocorreram nos dias 30 e 31 de janeiro. Na primeira operação, todos os US$ 3,2 bilhões ofertados tiveram seu vencimento postergado para os meses de abril e junho. No dia 31, dos US$ 3 bilhões oferecidos, US$ 1,725 bilhão foi rolado, e o restante “venceu”, ou seja, os bancos devolveram esses dólares que foram “emprestados” no dia 4 de fevereiro.

No fim do mês, o BC avalia as condições de demanda e liquidez para decidir se faz a rolagem de outros US$ 6,05 bilhões que venceram no começo de março.

Quando o fluxo é negativo ou insuficiente, além do BC, os próprios bancos atuam provendo liquidez utilizando suas linhas externas. Com as saídas do fim do ano passado e os leilões do BC, a posição vendida dos bancos segue elevada, na casa dos US$ 24,8 bilhões.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Formação de preço

Falando do que realmente importa, os dados provam, mais uma vez, que fluxo não faz preço, pois a cotação do dólar caiu 5,6% no mês de janeiro.

As entradas e saídas físicas são relevantes, mas os fluxos físicos são infinitamente inferiores aos movimentados no mercado de futuros da B3, onde comprados, que ganham com a alta do dólar, e os vendidos, que ganham com a queda da moeda, protegem suas exposições em outros mercados e fazem apostas direcionais na moeda americana.

Ao longo de janeiro tivemos firme movimentação dos fundos de investimento na ponta de venda de dólar futuro e cupom cambial (DDI, juro em dólar). A posição vendida fechou o mês em US$ 34,357 bilhões, contra US$ 26,4 bilhões no fechamento de 2018.

Os estrangeiros seguiram carregando posição comprada de US$ 33 bilhões, pouco acima dos US$ 32 bilhões de dezembro. Já os bancos, reduziram a posição vendida de US$ 7,3 bilhões no fim de 2018 para apenas US$ 814 milhões.

Agora no começo de fevereiro, temos os fundos vendidos em US$ 25,3 bilhões, após uma movimentação que pode ser vista como realização de lucros. Os estrangeiros comprados em US$ 33,4 bilhões. E os bancos remontando posição vendida, que está em US$ 10 bilhões.

Comentários
Leia também
Berkshire Hathaway

Até ele perde! Empresa de Warren Buffett tem prejuízo no 4º tri, e tombo da Kraft Heinz deu uma bela mãozinha

Prejuízo da empresa de alimentos, controlada por Buffett junto com a turma de Jorge Paulo Lemann, pesou nos resultados da Berkshire Hathaway

Novidades

O que mudou na declaração de imposto de renda em 2019

Principal novidade é a obrigação de informar CPF de dependentes e alimentandos, independentemente de idade; confira todas as mudanças e a atualização dos valores

Reforma da Previdência

Proposta de reforma para militares deve chegar ao Congresso antes de 20 de março

Segundo Rogério Marinho, secretário especial de Previdência e Trabalho, mudanças devem ser apresentadas ao Congresso antes do término do prazo de 30 dias estabelecido inicialmente

Em busca de um novo líder

Oi ainda sonda Amos Genish, ex-presidente da Vivo, para comandá-la

Em busca de novo líder para a sua reestruturação, operadora quer ex-presidente da Vivo e da Telecom Itália no comando, mas executivo recusou convite, por ora

Siga o dinheiro

Receita Federal entra na dança e passa a investigar miliciano ligado a Flávio Bolsonaro

Fisco vai ampliar a cooperação com o MP do Rio e investigar alvos da Operação Os Intocáveis; entre eles, está o ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, cujas mãe e esposa trabalharam para o filho do presidente

Bon Vivant

Noronhe-se como os famosos! Fernando de Noronha tem luau de chefs, ‘sea coach’ e, claro, praias paradisíacas

Roteiros exclusivos e experiências customizadas são os ingredientes para incrementar a visita um dos lugares mais lindos do planeta onde dá praia o ano todo. Você também merece pisar no paraíso e curtir uns dias de folga.

É cilada, Bino

Mais de 930 moedas digitais deixaram de existir em 2018. Saiba quais são as apostas alternativas mais seguras para este ano

As informações são do site Deadcoins. Diante de tantos projetos mal-sucedidos no ano passado, criptomoedas como o Ethereum, Ripple e Iota permaneceram e são algumas das opções interessantes para 2019

Reforma da Previdência

À BBC, Mourão diz que Congresso aprova “qualquer coisa” para militar

Mourão justificou que a tramitação é muito mais rápida no caso dos militares porque, para isso, é necessário apenas um projeto de lei, que requer maioria simples dos votos

Mais um empecilho?

Tipo novela mexicana… Justiça concede liminar para suspender assembleia da Embraer que decidirá sobre acordo com Boieng

O juiz destacou que “não se visualiza nesta decisão qualquer ameaça ou comprometimento da economia do País ou situação provocadora de crise na medida que busca conservar uma situação que se encontra consolidada no tempo e eventual oscilação em preços de ações da Boeing ou da Embraer são considerados efeitos metajurídicos normais de qualquer decisão judicial sem a tônica de representar repercussão nos interesses do País”

O melhor do Seu Dinheiro

O Ministério da Economia adverte

Tem uma piada antiga sobre o fulano que vai comprar um maço de cigarros na padaria e, ao ler na embalagem que fumar causa impotência sexual, pede para o balconista trocar por um que causa câncer. Eu me lembrei da anedota ao me deparar com uma espécie de advertência do Ministério da Economia: o atual […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu