Menu
2019-04-04T14:10:06+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Câmbio

Banco Central volta ao mercado garantindo liquidez no dólar à vista

BC oferta US$ 6,2 bilhões em rolagem de linhas com compromisso de recompra. Atuação “conversa” com fluxo cambial, que está negativo em US$ 911 milhões

30 de janeiro de 2019
12:51 - atualizado às 14:10
dolar nota
Nota de dólar -

Todo o fim de mês o mercado de câmbio vivência aumento de volatilidade em função da formação da Ptax, cotação “oficial” apurada pelo Banco Central (BC) que liquida contratos futuros e outras obrigações. Mas janeiro e fevereiro reservam evento adicional com impacto na cotação do dólar: o vencimento das linhas com compromisso de recompra que foram ofertadas no fim de 2018.

Um primeiro aceno já foi dado pelo BC, que nesta quarta e quinta-feira fará a rolagem de US$ 6,2 bilhões em linhas que venceriam em 4 de fevereiro. Ao fazer a rolagem, o BC se mantém neutro no mercado, pois o vencimento das operações estará sendo postergado para os meses de abril e junho. No leilão de hoje foram rolados integralmente R$ 3,2 bilhões, evidenciando a demanda do mercado pelas linhas.

Se o BC não rolasse as linhas, os bancos teriam de devolver esse montante. Em 6 de março vencem outros US$ 6,05 bilhões. Então, no fim de fevereiro o BC decide se rola esse vencimento ou não.

Os leilões de linha, que são um tipo de empréstimo dos dólares das reservas internacionais, foram feitos no fim do ano passado, quando a demanda por moeda à vista beirou os US$ 20 bilhões com empresas e demais agentes fechando câmbio para remeter para fora do país. Esse movimento é sazonal e o fluxo tende a se reverter no começo do ano.

No entanto, o fluxo ainda segue negativo. Segundo o próprio BC, agora em janeiro até o dia 25, o saldo era de saída líquida de US$ 911 milhões, sendo US$ 213 milhões na conta financeira e US$ 689 milhões na conta comercial. Na semana passada, a saída líquida foi de US$ 2,084 bilhões, revertendo as entradas das semanas anteriores.

Podemos imaginar o mercado de câmbio à vista como um sistema fechado. Se o fluxo é negativo alguém tem de prover essa demanda por dólares. Atuam nesse mercado os bancos e o próprio BC.

Atualmente, os bancos apresentam uma posição vendida na casa dos US$ 26 bilhões, que reflete as linhas que eles tomaram com contrapartes estrangeiras, mais a atuação do BC, que somou US$ 12,25 bilhões no fim do ano passado.

Quando sobra dólares no mercado, seja por entradas comerciais ou por investimentos e demais ingressos, os bancos usam essa “sobra” de moeda para reduzir essa posição vendida. Algo que vimos acontecer entre julho e agosto do ano passado.

Atualmente, no entanto, como o fluxo ainda está negativo, não enxergamos essa cobertura de posição, por isso o BC oferece a rolagem das linhas. Quando há excesso de fluxo o BC pode comprar moeda à vista, algo que não acontece desde 2011, ou os bancos vão ampliando a posição comprada.

Swaps Cambiais

No mercado futuro, as atuações do BC se dão por meio dos swaps cambiais, que são equivalentes à venda de moeda. Nesta quarta-feira, o BC encerra a rolagem dos swaps que venceriam em fevereiro, no montante de US$ 13,4 bilhões. Fica a expectativa com relação ao vencimento de março, de US$ 9,811 bilhões.

A estratégia do BC tem sido de promover rolagens integrais, mantendo um estoque de swaps na casa dos US$ 68,8 bilhões. A última colocação líquida de contratos aconteceu em agosto do ano passado.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Formação de preço

Como já dissemos, o acompanhamento do fluxo à vista é algo relevante, mas a formação de preço do dólar ocorre mesmo no mercado futuro da B3, pois é lá que os comprados, que ganham com a alta do dólar, e os vendidos, que ganham com a queda da moeda, protegem suas exposições em outros mercados e fazem apostas direcionais na moeda americana.

O dólar começou o ano com firme trajetória de baixa, acumulando queda de 4,3% nas duas primeiras semanas de 2019. Depois se observou uma firme resistência a novas quedas na linha de R$ 3,70 e moeda voltou acima de R$ 3,80 na semana passada. Agora, estamos vendo, novamente, os R$ 3,70 serem testados. Segundo analistas gráficos, o ponto a ser observado está nos R$ 3,68, preço que já foi testado e respeitado e não se via desde o fim de outubro, quando a moeda marcou R$ 3,65.

Na B3, os fundos de investimento seguem firmes na ponta de compra, mas sem grandes oscilações depois da firme movimentação vista no fim de 2018 e abertura de 2019. A posição líquida vendida fechou a terça-feira em US$ 34,2 bilhões, sendo US$ 12,3 bilhões em dólar futuro e outros US$ 21,9 bilhões em cupom cambial (DDI, juro em dólar).

A principal contraparte é o investidor estrangeiro, comprado em US$ 34,7 bilhões, são US$ 4,6 bilhões em dólar futuro e US$ 30,1 bilhões em cupom cambial.

Os bancos também estão vendidos, mas com volume pouco expressivo de US$ 2,5 bilhões. Essa posição reflete uma posição comprada de US$ 6,8 bilhões em dólar descontada de um estoque vendido de US$ 9,3 bilhões em cupom cambial. Para dar um parâmetro, a posição vendida dos bancos chegou a passar de US$ 17 bilhões em meados de dezembro.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

mais um que passou

Câmara aprova projeto que permite posse de arma em toda a propriedade rural

Projeto segue para Bolsonaro sancionar ou vetar; regra atual diz que posse só é permitida na sede da propriedade

Bolsa

Ação da Telebras dispara com privatização no radar, mas não deveria

Com a alta de mais de 60% ontem na bolsa, o valor de mercado da Telebras na bolsa passou para mais de R$ 1,9 bilhão, mas os resultados da estatal nem de longe justificam toda essa euforia. E os minoritários ainda correm o risco de diluição

O paraíso dos especuladores

Você prefere ser um abutre rico ou um argentino quebrado?

A Argentina jamais se soergueu ao governo peronista. Tornou-se a pátria da inflação, dos choques heterodoxos, das reformas monetárias e das moratórias – e o paraíso dos especuladores.

Mercado entre estatais e BCs

Mercado fez a festa com notícia “requentada” sobre privatização de empresas estatais, mas agora aguarda ata do BCE e discurso em Jackson Hole

Com acordo

Senado aprova MP da liberdade econômica sem previsão de trabalho aos domingos

Governo preferiu recuar e concordar com a retirada da autorização para trabalho aos domingos para garantir a votação da medida a tempo

Seu Dinheiro na sua noite

Temporada de caça às estatais

Uma das críticas mais recorrentes ao governo nesse começo de gestão Bolsonaro foi a aposta de todas as fichas na reforma da Previdência. Durante os longos meses de tramitação da proposta na Câmara, o país ficou praticamente parado. O saldo do projeto aprovado pelos deputados e que agora está no Senado revelou-se até melhor do […]

Dinheirinho na mão

Saque do FGTS terá impacto mais importante na renda de Norte e Nordeste

Saques médios a serem liberados representam 21,5% da renda habitual média da região Nordeste, e 20,1% da renda habitual média do Norte

Um pente-fino

Quais são e como atuam as empresas que o governo pretende privatizar

Equipe econômica de Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira as empresas que serão os novos alvos do governo nas privatizações do segundo semestre

Assunto que interessa

Câmara instala comissão especial para analisar novo marco legal para saneamento

Proposta será relatada pelo deputado Geninho Zuliani (DEM-SP) e o presidente do colegiado será o deputado Evair de Melo (PP-ES)

Nada de sair do forno

Maia: governo deve enviar projeto de privatização da Eletrobras em 1 ou 2 semanas

Presidente da Câmara afirmou que trabalhará pela aprovação da privatização da estatal

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements