Menu
2019-04-20T16:40:59+00:00
Gringo chegando?

“Investidor estrangeiro está à espera da Previdência”

O presidente do Credit Suisse no País, José Olympio Pereira, acredita que o presidente Jair Bolsonaro tem cacife eleitoral para levar o projeto adiante

3 de fevereiro de 2019
10:49 - atualizado às 16:40
Congresso Nacional
Congresso Nacional - Imagem: Pedro França/Agência Senado

O investidor estrangeiro precisa de sinais mais claros de que a reforma da Previdência será aprovada para fincar os pés no Brasil, diz o presidente do Credit Suisse no País, José Olympio Pereira. Ele afirma acreditar que o presidente Jair Bolsonaro tem cacife eleitoral para levar o projeto adiante. Para o executivo, parte da reticência do estrangeiro é reflexo da forma como Bolsonaro foi apresentado pela imprensa internacional. Pereira admite, porém, que a postura do presidente no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, de não dar entrevista e falar pouco, não ajuda a desfazer a imagem negativa. “Temos de dar crédito. É uma equipe nova. Ter cabeçadas é normal.”

Leia a seguir os principais trechos da entrevista, concedida durante o Latin America Investment Conference, promovido pelo banco em São Paulo.

Jornal O Estado de S. Paulo: Como o sr. vê a chegada de uma equipe liberal ao governo?

José Olympio: Nós estamos vivendo um novo momento. Temos, pela primeira vez, um governo assumidamente liberal, com objetivo de resolver o problema fiscal, reduzir o tamanho do Estado e melhorar o ambiente de negócios. O ministro da Economia, Paulo Guedes, usa uma imagem muito boa: o empresário brasileiro tem duas bolas de ferro amarradas nos seus pés e a gente tem de eliminá-las ou reduzi-las. Apesar desses impedimentos, temos empresários de qualidade. Imagina se melhorarem as condições.

Os investidores estrangeiros continuam céticos...

O Brasil é estruturalmente atraente, tem população grande e renda relativamente baixa, portanto tem potencial de crescimento. Essa atratividade tem trazido investimento estrangeiro direto. Nesse novo Brasil, o potencial de atração vai crescer exponencialmente.

Cresce independentemente de reforma da Previdência?

Não. A reforma é uma condição. Os gestores ainda estão esperando para ver.

O sr. crê que a reforma passa, apesar do corporativismo?

Estou convencido de que passa. Bolsonaro, na campanha, colocou que esse era um objetivo. Ele foi eleito legitimamente, o que lhe dá grande cacife eleitoral. Ele vai encontrar resistências de grupos de interesse, mas curiosamente os sinais que estamos vendo dos militares são até positivos. O governo tem um trabalho de comunicação amplo com a sociedade brasileira para convencê-la dos benefícios da reforma.

É possível colocar as privatizações em prática já neste ano?

Via venda de empresas já abertas (subsidiárias da Petrobrás, por exemplo), acho que terá um volume grande de ofertas. Haverá também aberturas de capital de empresas estatais. O Pedro Guimarães, presidente da Caixa, tem falado disso, da Caixa Seguridade e da área de cartões do banco.

Há ainda muita contradição no governo. Como o investidor vê isso?

Temos de dar um crédito. É uma equipe nova. Ter cabeçadas é normal e acho que é um processo de aprendizado. Esses desencontros são lições, que são rapidamente incorporadas e aprendidas. A equipe de uma forma geral é muito boa.

Recentemente, Martin Wolf, colunista e editor do jornal britânico ‘Financial Times’, escreveu sobre a responsabilidade da elite na ascensão de dirigentes autoritários ao poder e comentou o caso do Brasil. Como o sr. avalia essa posição?

Discordo da maneira com a qual Bolsonaro foi apresentado ao mundo pela imprensa internacional. Houve uma campanha internacional de difamação. O comparam a Trump. Conheci muito cedo Bolsonaro...

Quando?

Em 2017. Meu julgamento foi o seguinte: ele não tem nada a ver com Trump. O Trump tem opinião sobre tudo. Bolsonaro tem convicções sobre um número relativamente restrito de temas. Ele admitiu que não era especialista em economia e que ia buscar se cercar das melhores pessoas. Fiquei bem impressionado porque reconhecer suas necessidades é importante. Meu encontro com ele foi anterior ao convite ao Paulo Guedes (para elaborar o projeto econômico), e a orientação dele já era liberal. Não temo uma mudança para o autoritarismo. Não vi indício de ele ser uma pessoa não comprometida com as instituições ou com a democracia. A mídia internacional está pintando um Bolsonaro que não existe.

Os investidores internacionais estão comprando essa visão?

Sem dúvida. Parte dessa reticência que vemos dos investidores internacionais é por conta do que eles leem na imprensa internacional.

A postura do Bolsonaro em Davos, de não dar entrevista, não corrobora essa visão?

Não corrobora, mas não ajuda a desfazer. Corroborar é ele chegar lá e falar de forma que os veículos sustentassem aquele retrato que estavam pintando dele. Ele simplesmente falou pouco.

E falou bem?

Não vou emitir opinião.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Nova cartada

Trump contra-ataca e anuncia um aumento nas tarifas sobre importações chineses

O presidente dos Estados Unidos anunciou a elevação das tarifas de importação sobre produtos da China, elevando a tensão no front da guerra comercial

Seu Dinheiro na sua noite

O Buraco do Twitter

O vale de Jackson Hole (Buraco do Jackson, para os íntimos) já serviu de cenário para as filmagens de Rocky 4. Em plena guerra fria, Sylvester Stallone usou a paisagem coberta de neve das montanhas que ficam no estado norte-americano do Wyoming para emular a Sibéria. Para quem acompanha o mercado financeiro, o lugar é […]

Estreitando relações

Bolsonaro anuncia acordo de livre comércio entre Mercosul e 4 países europeus

Anúncio foi comemorado por entidades diretamente envolvidas, como a Confederação Nacional da Indústria

Câmbio

BC ofertará até US$ 11,6 bilhões no mercado à vista a partir de 2 de setembro

Leilões serão iguais aos feitos ao longo desta semana, com o BC trocando swaps por dólar à vista a depender da demanda de mercado

Relação abalada

Maia volta a disparar contra Bolsonaro e diz que país vive ‘quase um Estado autoritário’, inclusive no Meio Ambiente

Presidente da Câmara também classificou como desculpa as ameaças da Europa sobre a questão das queimadas na Amazônia

OUÇA O QUE BOMBOU NA SEMANA

Podcast Touros e Ursos: No meio da guerra tinha um banco central

Seu Dinheiro traz em podcast um panorama sobre tudo o que movimentou os seus investimentos nesta semana

Seguindo a Caixa...

Banco do Brasil pode adotar linha de crédito imobiliário atrelada ao IPCA

Se confirmado, novo tipo e crédito se somaria às novas linhas com taxas mais baixas para prazos de financiamento menores

Economia em dificuldades

Incertezas com Brexit e quadro global pesam no Reino Unido, diz Carney

Presidente do BoE afirmou que a economia do Reino Unido poderia ter várias reações, a depender dos progressos no Brexit

Deu a louca no gerente

Caixa vai vender todas as participações não estratégicas, diz presidente

Pedro Guimarães também voltou a mencionar que a Caixa vai “despedalar” os Instrumentos Híbridos de Capital de Dívida

Ela não para!

Caixa avalia mudança para taxa prefixada no financiamento imobiliário

Banco está avaliando excluir todo tipo de indexador e adotar taxa prefixada para o financiamento da casa própria

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements