Menu
Gringo chegando?

“Investidor estrangeiro está à espera da Previdência”

O presidente do Credit Suisse no País, José Olympio Pereira, acredita que o presidente Jair Bolsonaro tem cacife eleitoral para levar o projeto adiante

3 de fevereiro de 2019
10:49 - atualizado às 13:21
Congresso Nacional - Imagem: Pedro França/Agência Senado

O investidor estrangeiro precisa de sinais mais claros de que a reforma da Previdência será aprovada para fincar os pés no Brasil, diz o presidente do Credit Suisse no País, José Olympio Pereira. Ele afirma acreditar que o presidente Jair Bolsonaro tem cacife eleitoral para levar o projeto adiante. Para o executivo, parte da reticência do estrangeiro é reflexo da forma como Bolsonaro foi apresentado pela imprensa internacional. Pereira admite, porém, que a postura do presidente no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, de não dar entrevista e falar pouco, não ajuda a desfazer a imagem negativa. “Temos de dar crédito. É uma equipe nova. Ter cabeçadas é normal.”

Leia a seguir os principais trechos da entrevista, concedida durante o Latin America Investment Conference, promovido pelo banco em São Paulo.

Jornal O Estado de S. Paulo: Como o sr. vê a chegada de uma equipe liberal ao governo?

José Olympio: Nós estamos vivendo um novo momento. Temos, pela primeira vez, um governo assumidamente liberal, com objetivo de resolver o problema fiscal, reduzir o tamanho do Estado e melhorar o ambiente de negócios. O ministro da Economia, Paulo Guedes, usa uma imagem muito boa: o empresário brasileiro tem duas bolas de ferro amarradas nos seus pés e a gente tem de eliminá-las ou reduzi-las. Apesar desses impedimentos, temos empresários de qualidade. Imagina se melhorarem as condições.

Os investidores estrangeiros continuam céticos...

O Brasil é estruturalmente atraente, tem população grande e renda relativamente baixa, portanto tem potencial de crescimento. Essa atratividade tem trazido investimento estrangeiro direto. Nesse novo Brasil, o potencial de atração vai crescer exponencialmente.

Cresce independentemente de reforma da Previdência?

Não. A reforma é uma condição. Os gestores ainda estão esperando para ver.

O sr. crê que a reforma passa, apesar do corporativismo?

Estou convencido de que passa. Bolsonaro, na campanha, colocou que esse era um objetivo. Ele foi eleito legitimamente, o que lhe dá grande cacife eleitoral. Ele vai encontrar resistências de grupos de interesse, mas curiosamente os sinais que estamos vendo dos militares são até positivos. O governo tem um trabalho de comunicação amplo com a sociedade brasileira para convencê-la dos benefícios da reforma.

É possível colocar as privatizações em prática já neste ano?

Via venda de empresas já abertas (subsidiárias da Petrobrás, por exemplo), acho que terá um volume grande de ofertas. Haverá também aberturas de capital de empresas estatais. O Pedro Guimarães, presidente da Caixa, tem falado disso, da Caixa Seguridade e da área de cartões do banco.

Há ainda muita contradição no governo. Como o investidor vê isso?

Temos de dar um crédito. É uma equipe nova. Ter cabeçadas é normal e acho que é um processo de aprendizado. Esses desencontros são lições, que são rapidamente incorporadas e aprendidas. A equipe de uma forma geral é muito boa.

Recentemente, Martin Wolf, colunista e editor do jornal britânico ‘Financial Times’, escreveu sobre a responsabilidade da elite na ascensão de dirigentes autoritários ao poder e comentou o caso do Brasil. Como o sr. avalia essa posição?

Discordo da maneira com a qual Bolsonaro foi apresentado ao mundo pela imprensa internacional. Houve uma campanha internacional de difamação. O comparam a Trump. Conheci muito cedo Bolsonaro...

Quando?

Em 2017. Meu julgamento foi o seguinte: ele não tem nada a ver com Trump. O Trump tem opinião sobre tudo. Bolsonaro tem convicções sobre um número relativamente restrito de temas. Ele admitiu que não era especialista em economia e que ia buscar se cercar das melhores pessoas. Fiquei bem impressionado porque reconhecer suas necessidades é importante. Meu encontro com ele foi anterior ao convite ao Paulo Guedes (para elaborar o projeto econômico), e a orientação dele já era liberal. Não temo uma mudança para o autoritarismo. Não vi indício de ele ser uma pessoa não comprometida com as instituições ou com a democracia. A mídia internacional está pintando um Bolsonaro que não existe.

Os investidores internacionais estão comprando essa visão?

Sem dúvida. Parte dessa reticência que vemos dos investidores internacionais é por conta do que eles leem na imprensa internacional.

A postura do Bolsonaro em Davos, de não dar entrevista, não corrobora essa visão?

Não corrobora, mas não ajuda a desfazer. Corroborar é ele chegar lá e falar de forma que os veículos sustentassem aquele retrato que estavam pintando dele. Ele simplesmente falou pouco.

E falou bem?

Não vou emitir opinião.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
"Acordo muito bom"

Trump sinaliza otimismo com a China ao dizer que Estados Unidos estão “muito próximos” de um acordo comercial

Em pronunciamento presidente norte-americano voltou a dizer que gosta de tarifas e que os EUA ganharam bilhões de dólares da China por causa delas

Caso Coaf

Investigação sobre Queiroz vai para grupo de combate à corrupção do Ministério Público

Na prática, a mudança na condução do processo indica um aprofundamento nas apurações

Para colocar fim à crise

Bolsonaro decide que vai manter Bebianno em seu governo

Ministro foi pivô de uma crise política depois de ter sido chamado publicamente de mentiroso pelo presidente e seu filho Carlos Bolsonaro

Mudanças no radar

Governo está revendo o Rota 2030, mas não há proposta alternativa, diz secretário

Projeto começou a ser discutido pelo governo Temer com representantes do setor automotivo em 2017 e foi aprovado no fim do ano passado

Bilhões e mais bilhões

Lucro dos grandes bancos passa dos R$ 73 bilhões em 2018 e supera gasto com calotes

No ano passado, o lucro líquido consolidado de Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil subiu 12,77% em relação a 2017

Caso Bebianno volta a assombrar

Para Alcolumbre, tensão política no governo não deve atrapalhar o andamento da reforma da Previdência

Crise entre Bolsonaro e Gustavo Bebianno ocorre no momento em que o Planalto tenta manter coesão para as negociações da reforma no Congresso

Depois do pente fino

Impacto fiscal da reforma da Previdência deve recuar em até R$ 600 bilhões no Congresso

Previsão é de Christopher Garman, diretor da consultoria de risco político Eurasia. Para ele, negociações devem limitar o projeto

Nova gestão

Grupo Heineken no Brasil terá, pela primeira vez, um brasileiro no comando

Mauricio Giamellaro começou na empresa há cerca de sete anos, e desde então havia atuado como vice-presidente de vendas e distribuição.

medidas antidumping

China confirma tarifas de até 32,4% ao frango brasileiro, mas isenta 14 empresas

De acordo com anúncio do Ministério do Comércio local, os importadores do frango brasileiro deverão pagar tarifas de 17,8% a 32,4% a partir do próximo domingo, 17

Por valor não reconhecido

Usiminas diz que continuará com trâmites judiciais sobre dívida da Eletrobras

Empresa conseguiu reverter a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, cobranças que foram questionadas pela empresa na Justiça

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu