Marfrig movimenta R$ 3 bilhões em oferta de ações e BNDES sai da companhia
Empresa foi uma das beneficiadas pela estratégia de "campeões nacionais" do BNDES. Saída do banco de fomento é um marco na história da companhia.

A oferta de ações da Marfrig movimentou R$ 3 bilhões, de acordo com comunicado enviado nesta terça-feira à noite (17). A maior parte dos recursos (R$ 2,1 bilhões) se refere à venda de ações do BNDESPar, o braço do BNDES que investe em participações de empresas. O restante do capital levantado segue para o caixa da empresa.
A negociação marca o fim de uma era para a Marfrig. Nos últimos anos, a empresa cresceu apoiada em uma das frentes da política econômica do governo federal, que usava o braço do BNDES para financiar a expansão de companhias brasileiras.
A Marfrig chegou a fazer 40 aquisições em cerca de 5 anos entre o fim dos anos 2000 e o início de 2010 em uma estratégia de crescimento rápido. Esse movimento elevou o endividamento da empresa, que teve que se desfazer de parte dos ativos comprados nos anos seguintes.
Além da Marfrig, outras grandes empresas brasileiras também foram beneficiadas pela estratégia de financiamento de "campeãs nacionais" pelo BNDES, como o frigorífico JBS e a operadora de telefonia Oi.
O BNDES agora manifestou interesse em se desfazer das participações que detém em empresas. Na semana passada, o BNDES manifestou interesse em vender sua participação na Petrobras, uma fatia estimada em cerca de R$ 24 bilhões.
Dinheiro no caixa
Além da venda de papéis da BNDESPar, a Marfrig também emitiu novas ações para um aumento de capital de R$ 900 milhões.
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Segundo a empresa, os recursos da oferta primária serão usados para pré-pagamento de dívidas. A companhia se endividou nos últimos anos com uma estratégia agressiva de aquisições.
A oferta foi coordenada pelo Santander (líder), JPMorgan, Bradesco BBI e BB Investimentos.
Números da companhia
No terceiro trimestre de 2019, a Marfrig apresentou um lucro líquido atribuído ao controlador das operações continuadas de R$ 100,3 milhões.
A empresa conseguiu reverter mais um prejuízo registrado no mesmo trimestre do ano anterior, mas o número ficou abaixo das estimativas de analistas (R$ 257,8 milhões).
A geração de caixa, por sua vez, ficou acima do esperado, com o Ebitda atingindo R$ 1,5 bilhão no período. No geral, bom resultado para a companhia, que nos últimos meses tem apostado em novidades, como o mercado de alimentos veganos.
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