Educação: Veja o que fez a Cogna (COGN3) ficar de recuperação e cair 10% na bolsa; Yduqs (YDUQ3) e Anima (ANIM3) passam de ano aos olhos do “professor” BTG Pactual em relatório
Seja qual for a empresa, a sala de aula — digo, o cenário — é o mesmo pela frente, e pode ser bastante desafiador

Recuperação. Essa palavra pode ter dois sentidos: para a bolsa, é uma forma de dizer que as ações caíram e voltaram a subir. Mas se você estiver na escola, é o termo mais temido — e o mais recente relatório do BTG fala justamente sobre o setor de educação e empresas como Cogna (COGN3), Yduqs (YDUQ3) e Anima (ANIM3).
Começando pela aluna que ficou de recuperação, as ações da Cogna foram rebaixadas de “neutro” para “venda” pelo banco. Os analistas enxergam um valuation bastante esticado, sendo negociada a 17,3x P/E (preço/lucro) e 6,1x EV/EBITDA. Ambos indicadores mostram que a empresa pode estar sobrevalorizada.
Além disso, o relatório destaca que a retomada do lucro perdeu tração, destacando que os riscos inerentes ao negócio aumentaram. Sendo assim, houve também uma revisão do preço-alvo, de R$ 3,40 para R$ 2,60 por ação.
Na bolsa, as ações são negociadas a R$ 2,59, uma queda de pouco mais de 10% no pregão de hoje. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 1,37%, negociado a 126.772 pontos.
Distante da Cogna: os bons alunos
Quem se deu bem no relatório do BTG foi a Yduqs, que teve a recomendação de suas ações elevadas de “neutro” para “compra”. O novo preço-alvo para as ações também foi revisado de R$ 26 para R$ 28.
“Com a ação em queda de aproximadamente 10% no último mês, vemos um bom ponto de entrada, apoiado por uma combinação de sólido momentum de ganhos, exposição a nichos mais resilientes, estrutura de capital menos onerosas e melhores perspectivas de fluxo de caixa livre”, destacam os analistas.
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Mas quem levou a nota dez na análise do BTG foi a Anima, que permanece como a melhor ação do setor na visão dos analistas.
Em um cenário de crescimento reduzido no setor e com expansão mais contida das receitas, a Anima vem sendo negociada com desconto maior em relação aos seus pares.
O BTG estima um preço-alvo de R$ 7 para os papéis ANIM3 — e a ação é negociada na casa dos R$ 4,22, um potencial de alta de 65,8%.
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O cenário da educação no Brasil
Seja qual for a empresa, a sala de aula — digo, o cenário — é o mesmo pela frente, e pode ser bastante desafiador.
Começando pelo que pode impulsionar o setor, em outubro do ano passado, o Ministério da Saúde lançou o programa Mais Médicos 3.
Entre outras propostas, há a perspectiva de criação de cursos de medicina em regiões onde há carência desses profissionais.
Prós e contras
Em termos absolutos, o programa pretende criar dez mil vagas em faculdades de medicina em 116 regiões diferentes.
Mais de sete mil vagas devem ser abertas na iniciativa privada, sendo que o governo permitirá a criação de 5,7 mil vagas em novos cursos e a expansão de duas mil para os já existentes. Outras duas mil devem ser abertas nas universidades federais.
Contudo, o efeito dessas medidas só deve ser sentido em quatro ou cinco anos. Levando em conta a pandemia de covid-19, entre 2020 e 2022, os impactos no setor só devem acontecer por volta de 2027 e 2028.
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Educação na Justiça
Desde 2018, uma decisão do Ministério da Educação (MEC) proibiu a criação de novos cursos de medicina, o que gerou uma reação das empresas do setor.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, concedeu uma liminar, que dizia que novas vagas para cursos de medicina devem ser abertas exclusivamente pelo programa Mais Médicos. No entanto, a decisão permite a avaliação dos pedidos pendentes.
São mais de 200 pedidos a serem avaliados pela Suprema Corte e o julgamento segue em um impasse. São dois votos a favor (Gilmar Mendes e Luiz Fux) e dois contra (Edson Fachin e Rosa Weber, que saiu do STF no ano passado). Outros 7 votos estão pendentes.
Na avaliação do BTG, houve um aumento do risco para a invalidação dos pedidos feitos à Justiça pelas empresas de educação, o que pode aumentar as chances de um impacto negativo no setor.
EAD em xeque
Por fim, o MEC também passou a adotar medidas que restringem o ensino à distância (EAD), especialmente após o novo governo assumir em 2023, visando aumentar a qualidade — ao invés da quantidade — desse tipo de curso.
Como medida principal, o governo suspendeu por 90 dias o processo de autorização para novos cursos à distância em 17 áreas.
“Não esperamos grandes impactos nas empresas listadas, pois elas ainda podem registrar alunos nesses cursos. Só estão impedidas de abrir novos”, destaca o relatório.
Foi só no início de janeiro que houve alguma sinalização de um progresso na proposta de criar um órgão para regular o EAD em termos de qualidade. Os impactos dessa medida no setor ainda precisam ser avaliados de maneira mais detalhada.
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