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Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Day after

Ibovespa tem dia de ‘tigrão’ e fecha em alta de quase 2%

As reuniões de Bolsonaro com líderes partidários serviram para tirar o tumulto de ontem da memória do mercado

4 de abril de 2019
10:32 - atualizado às 15:54
Imagem de tigre em fundo preto
De olho nas movimentações em Brasília, mercado teve um dia de forte recuperação — como um tigre, digamos - Imagem: Shutterstock

O mercado é imediatista. Tão imediatista quanto as paradas de sucesso das rádios.

E assim como uma música antiga não consegue permanecer entre as mais tocadas, uma notícia velha não é capaz de influenciar o Ibovespa e o dólar por muito tempo.

As "tchutchucas" e os "tigrões" foram um hit na noite de ontem, é verdade — basta ver a repercussão nas redes sociais. Mas, hoje, o mercado trocou o disco.

Essa mudança de ritmo deu ânimo às negociações: o Ibovespa fechou o dia em alta de 1,93%, aos 96.313,06 pontos, e o dólar à vista caiu 0,54%, a R$ 3,8571.

O show tem que continuar

Depois do desfecho tragicômico da audiência do ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, notícias sinalizando uma aproximação entre governo e Congresso soaram como música para os ouvidos do mercado.

O presidente Jair Bolsonaro passou boa parte da quinta-feira recebendo parlamentares e lideranças partidárias. E, em encontro com presidentes dos principais partidos do chamado Centrão, anunciou a intenção de criar uma espécie de conselho político.

A ideia é aproximar o governo dos parlamentares, aumentando a base de sustentação no Congresso — e, consequentemente, dando maior apoio à tramitação do projeto de reforma da Previdência.

"Tivemos sinalizações positivas de atores importantes do mundo político, manifestando uma postura mais favorável em relação à reforma. Isso alivia o humor do mercado", diz Nicolas Takeo, analista da Socopa.

Uma das manifestações mais citadas por analistas e operadores foi a dada por ACM Neto, presidente do DEM. Após almoço com Bolsonaro, ele admitiu que o partido pode fechar questão em torno da reforma, mas quer esperar o término da tramitação nas comissões para verificar o teor da proposta que irá ao plenário da Câmara.

ACM Neto também não descartou integrar formalmente a base do governo em algum momento, mas sem especificar quando isso ocorreria.

"Os olhos estiveram mais voltados para o Bolsonaro e os encontros com as lideranças, tentando tirar a tensão que ficou no ar após as brigas de ontem", diz Pedro Nieman, economista da Toro Investimentos, lembrando que o clima pesado em Brasília fez com que o Ibovespa fechasse a sessão passada em queda firme.

Ontem, Guedes enfrentou chumbo grosso da oposição na CCJ, e o tom pouco amistoso do debate trouxe uma nova onda de cautela ao mercado. Tanto os atritos vistos na sabatina quanto a falta de um apoio mais concreto da base aliada ao ministro levantaram novas dúvidas a respeito do estado da articulação política.

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Exagerado

"O Bolsonaro entrou no jogo e falou com os principais partidos, atuando em prol da reforma. Isso fez preço no dólar", diz Jefferson Luiz Rugik, diretor da Correparti.

No início da sessão, o dólar chegou a operar em leve alta, ainda mostrando certa cautela em relação ao cenário político. Mas, conforme o dia avançou — e as notícias a respeito da articulação foram chegando —, o clima foi ficando mais tranquilo.

Para Rugik, a reação de ontem aos atritos na CCJ foi algo exagerada. "Tanto que, hoje, o mercado chegou à conclusão que, depois de tudo, o saldo da CCJ não foi negativo. Mas você sabe como é, o mercado foge do risco, e aí tivemos o comportamento de ontem".

Nesse contexto de maior otimismo em relação à articulação política, as curvas de juros seguiram o dólar e fecharam em leve queda: os DIs com vencimento em janeiro de 2020 recuaram de 6,516% para 6,5%; entre as curvas longas, as para janeiro de 2023 caíram de 8,21% para 8,18%.

Living in America

O dia foi de ligeiro otimismo nas bolsas americanas, apesar da falta de novidades a respeito das negociações comerciais entre os governos norte-americano e chinês. O Dow Jones fechou em alta de 0,64% e o S&P 500 subiu 0,2%, mas o Nasdaq terminou a sessão em queda de 0,05%.

Dados fortes do mercado de trabalho dos EUA, divulgados mais cedo, deram ânimo às negociações lá fora. Amanhã, serão conhecidos os números de criação de novos postos de trabalho no país em março.

Azul da cor do mar

As ações de maior liquidez e importância para a composição do Ibovespa — as chamadas "blue chips" — subiram em bloco e terminaram o dia no campo positivo, recuperando-se das perdas de ontem.

É o caso das ações Petrobras, tanto as PN (+3,38%) quanto as ON (+3,2%). Entre os bancos, o tom foi semelhante: Itaú Unibanco PN subiu 1,5%, Bradesco PN teve alta de 2,59% e Banco do Brasil ON avançou 1,2%. Com o desempenho de hoje, as ações da Petrobras, do Bradesco e do Banco do Brasil zeraram as perdas acumuladas na semana e agora têm leve alta; já os papéis do Itaú seguem com desempenho negativo desde segunda-feira.

Por fim, Vale ON (+0,73%) também fechou em alta — mas, ao contrário das demais blue chips, as ações da mineradora terminaram a sessão de ontem no campo positivo e acumulam ganho de mais de 2% na semana.

"Foi uma sessão de recuperação. Ontem, o tom foi de muita cautela, muita gente optou por diminuir o risco por não saber o que poderia acontecer na CCJ", diz Rafael Passos, analista da Guide.

Bad day

O Credit Suisse rebaixou suas recomendações para Suzano e Klabin, de compra para neutro. Em relatório, a instituição mostra-se preocupada em relação à demanda por celulose nos próximos anos, revisando para baixo suas projeções para o preço da commodity.

Nesse pano de fundo, o Credit também cortou os preços-alvo para os ativos de ambas as empresas: no caso da Suzano, de R$ 62 para R$ 53, e, no das units da Klabin, de R$ 24 para R$ 18.

Com isso, as units da Klabin fecharam em queda de 3,39%, a R$ 16,81, pior desempenho do Ibovespa nesta quinta-feira. Os papéis ON da Suzano vieram em seguida: caíram 3,11%, a R$ 45,44.

I'm a believer

O Itaú BBA iniciou hoje a cobertura da Log com recomendação "outperform" — classificação equivalente a compra. E, com isso, as ações ON da empresa despontaram entre as principais altas do Ibvovespa, avançando 3,1%.

Em relatório, a instituição diz acreditar que a Log está preparada para crescer de maneira sólida, dada sua estratégia de explorar mercados ainda não acessados pela concorrência.

"A falta de oferta de galpões logísticos de qualidade, aliada à presença em escala nacional da empresa e à maior flexibilidade em termos de contrato de locação, permite que a Log capture demanda de mercados não-centrais sem grande competição", diz o Itaú BBA.

 

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