China, Petrobras e Previdência no radar dos mercados
PIB chinês cresce mais que o esperado no 1T19, mas não empolga mercados no exterior. Aqui, episódios políticos envolvendo Petrobras e Previdência ditam rumo dos negócios

Pode acreditar, a China cresceu mais que o esperado no primeiro trimestre deste ano, em 6,4%, mantendo o ritmo de expansão observado ao final do ano passado. Mas os números - sempre vistos com desconfiança - não chegam a empolgar o mercado internacional. A agenda econômica está carregada hoje no exterior, enquanto aqui os episódios políticos envolvendo Petrobras e a reforma da Previdência continuam ditando o rumo dos negócios.
O mercado financeiro brasileiro deve respirar aliviado com a decisão do governo de não intervir na política de preços da petrolífera. Segundo o ministro Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro entendeu como ela funciona e não vai mais interferir nessa prática. Ainda assim, a ameaça de uma nova paralisação dos caminhoneiros persiste, até porque não há novidades sobre a tabela de frete, com um valor mínimo para o transporte de carga.
Segundo lideranças de caminhoneiros, o pacote anunciado ontem pelo governo foi visto como uma “cortina de fumaça”, incapaz de adiar uma possível greve em breve. Até porque as principais reivindicações da categoria - o tabelamento do frete e a redução do preço do diesel - não foram contempladas. Ainda segundo Guedes, a Petrobras é livre para definir o reajuste dos combustíveis. E o estopim pode vir, então, no próximo aumento.
É hoje?
Outro assunto que chama a atenção dos investidores é a discussão das novas regras para aposentadoria na comissão da Câmara. Após 12 horas de discussão ontem, a CCJ encerrou o debate sobre a reforma da Previdência e pode tentar votar hoje o parecer sobre a proposta do governo. Uma nova sessão foi marcada para as 10h de quarta-feira e os deputados querem iniciar a votação antes do feriado.
Mas a tarefa não deve ser fácil. Ainda mais, diante da desarticulação política do governo, que tem ficado cada vez mais evidente e começa a assustar. Enquanto a oposição usa todo o tempo a que tem direito para discursar, em uma tentativa de arrastar ao máximo a votação e obstruir a sessão, aliados do presidente, como PSL e Novo, tem tentado defender abertamente as propostas, impedindo que as deliberações sejam mais rápidas.
É preciso, portanto, economizar horas de debate, abrindo caminho para o andamento da reforma da Previdência na Câmara. Aos poucos, os governistas se dão conta disso, mas não se trata de uma garantia de que a votação irá se concretizar hoje. A oposição deve seguir obstruindo a pauta, tentando avançar o máximo possível para jogar o debate para depois da Páscoa, sendo que o feriado prolongado no Congresso começa amanhã.
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No exterior, China conduz
O Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu 6,4% nos três primeiros meses de 2019 em relação ao mesmo período de 2018, acima da previsão de +6,3%. O número repetiu a expansão registrada ao final do ano passado, na mesma base de comparação, mas, mesmo assim, é o ritmo mais lento de crescimento do país desde 2009.
Os números, porém, sugerem que os esforços de Pequim para reverter a desaceleração da segunda maior economia do mundo estão ganhando tração. Apenas em março, a produção industrial chinesa cresceu 8,5%, em base anual, enquanto as vendas no varejo avançaram 8,7% e os investimentos em ativos fixos acumulam alta de 6,3% no início deste ano.
Todos os indicadores vieram acima do esperado. As bolsas na Ásia, porém, não se animaram muito. Hong Kong fechou de lado, com um leve viés negativo, ao passo que Tóquio e Xangai tiveram ligeiros ganhos. Em Wall Street, os índices futuros em Nova York também exibem altas moderadas, deixando a abertura do pregão europeu na linha d’água.
As ações de mineradoras pesam na Europa, reagindo ao tombo nos preços do minério de ferro negociados na China. O petróleo, por sua vez, volta a subir forte, beneficiado pelo dólar mais fraco, que perde terreno para as moedas de países desenvolvidos. Nos bônus, o juro projeto pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) está na máxima em um mês.
Dia de agenda cheia
A agenda econômica desta quarta-feira está carregada de indicadores, porém sem grandes destaques. No exterior, as atenções se voltam para a leitura final do índice de preços ao consumidor (CPI) na zona do euro em março, logo cedo, e também para o Livro Bege do Federal Reserve, à tarde (15h).
Além disso, o calendário externo traz também dados de atividade no Japão, índices de preços no Reino Unido e sobre as contas externas na região da moeda única. Nos EUA, destaque ainda para a balança comercial (9h30) e os estoques no atacado (11h), ambos referentes ao mês de fevereiro, além dos estoques semanais de petróleo (11h30).
Já no Brasil, a agenda econômica perde força e traz apenas a prévia do IGP-M deste mês (8h) e os números parciais sobre a entrada e saída de dólares do país até a sexta-feira passada (12h30). O levantamento será importante para aferir a reação do investidor estrangeiro à decisão do governo de suspender o reajuste do diesel pela Petrobras.
Na última sexta-feira, dia em que as ações da petrolífera registraram forte queda, reagindo à postura intervencionista do presidente Jair Bolsonaro, os “gringos” retiraram mais de R$ 2 bilhões da renda variável nacional. Foi a segunda maior saída diária de capital externo na Bolsa em 2019.
Eventos como o envolvendo a Petrobras e o atraso da reforma da Previdência na Câmara elevam a tensão no mercado doméstico, adiando o retorno maciço dos recursos externos. Afinal, o “gringo” ainda não voltou ao Brasil por causa do ceticismo com a gestão Bolsonaro e da desconfiança com a Previdência, dada a frustração no governo Temer. A conferir.
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