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Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

É hoje?!

“Pergunta do milhão” no mercado financeiro é se o Ibovespa irá romper a barreira histórica dos 100 mil pontos hoje

14 de março de 2019
5:30 - atualizado às 6:08
Para tanto, principal índice acionário da Bolsa brasileira precisa subir pouco mais de 1% -

A “pergunta do milhão” no mercado financeiro é se o principal índice acionário da Bolsa brasileira irá romper a barreira histórica dos 100 mil pontos hoje - ou se vai novamente adiar essa tentativa. Para tanto, é preciso subir pouco mais de 1%. Ontem, o Ibovespa fechou em novo recorde, colado aos 99 mil pontos, após ter superado esse nível durante o pregão.

Se depender do cenário externo, onde pesam dados fracos sobre a indústria chinesa e as incertezas em relação à saída do Reino Unido da União Europeia (UE), não deve ser desta vez que o Ibovespa alcançará o topo histórico. Mas o mercado financeiro brasileiro só quer mesmo saber do andamento da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

Ontem, a motivação dos investidores para puxar os negócios com ações no meio da tarde veio da notícia sobre a mudanças nas regras para aposentadoria dos militares. A proposta foi entregue pelo Ministério da Defesa à equipe econômica ontem e deve chegar ao Congresso em breve. A previsão é até o próximo dia 20.

Esses primeiros passos resgataram o apetite por ativos de risco, com os investidores vendo uma postura tempestiva por parte do governo para a aprovação da matéria ainda neste semestre, bem como certa agilidade na tramitação do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Mas o jogo político em Brasília está apenas começando.

Os deputados já acertaram que a votação na CCJ só acontecerá quando a proposta da Previdência dos militares chegar à Casa. Até lá, os parlamentares podem fazer “jogo duro”, dificultando o quórum e não declarando apoio abertamente - ainda mais agora que o governo Bolsonaro fez uso da “velha política” de distribuição de cargos e emendas.

Marcha ré

Além desse embate mais intenso entre Executivo e Legislativo, o mercado financeiro doméstico também deve ser influenciado pelo sinal negativo vindo do exterior. As principais bolsas asiáticas encerraram a sessão em queda, sendo que Xangai liderou as perdas (-1,2%), contaminando o desempenho na Europa e em Wall Street.

Os índices futuros das bolsas de Nova York alteram altas e baixas, ao passo que as principais bolsas europeias iniciaram a sessão na linha d’água. Nos demais mercados, o dólar mede forças em relação às moedas rivais, ao passo que o petróleo avança, com o barril do tipo WTI aproximando-se da marca de US$ 60.

Na Ásia, os ganhos foram anulados, após novos indicadores apontarem desaceleração da economia chinesa. A produção industrial da China subiu 5,3% no agregado de janeiro e fevereiro, ante alta de 5,7% em dezembro. Os dados dos dois primeiros meses foram combinados, de modo a evitar distorções por causa da pausa durante o Ano Novo Lunar.

Trata-se do ritmo mais lento da indústria em 17 anos. A previsão era de alta de 5,5%. Já as vendas no varejo chinês subiram 8,2% em janeiro e fevereiro, dentro do esperado e mantendo o ritmo de alta apurado em dezembro. Em relação aos investimentos em ativos fixos, houve aumento de 5,3%, diminuindo em relação ao período anterior (+5,7%).

Também pesam nos ativos lá fora o alerta do presidente norte-americano, Donald Trump, de que os Estados Unidos podem deixar as negociações comerciais com a China, caso os termos alcançados em direção a um acordo não agradem a ele. Segundo ele, se a proposta final não for boa, “vamos ir embora e [entrar com] as tarifas”.

As declarações vindas da Casa Branca mostram que a ausência de detalhes em relação às tratativas comerciais entre Washington e Pequim se dá, provavelmente, porque as negociações chegaram a um impasse. Sabe-se que temas delicados entre as duas maiores economias do mundo, ligadas à tecnologia, poderiam emperrar as conversas.

Agora, então, Trump estaria disposto em fazer com o presidente chinês, Xi Jinping, o que ele fez no fim do mês passado com o líder norte-coreano, Kim Jong Un, quando interrompeu abruptamente as conversas em Hanoi e abanou o encontro, sem um compromisso da Coreia do Norte para eliminar seu arsenal nuclear.

De volta à China, terminou ontem a reunião anual do Partido Comunista, que reafirmou o objetivo de construir uma “sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos”. Com o aniversário de 70 anos da fundação da República Popular da China, o objetivo dos líderes políticos é de adentrar uma “nova era” do “socialismo com características chinesas”.

Para tanto, a China sabe que enfrentará, inevitavelmente, uma série de desafios. Para tanto, Pequim construiu um amplo consenso, de modo a para manter um crescimento econômico estável, avançar nas reformas e ajustes estruturais, melhorando o padrão de vida da população e protegendo contra os riscos (internos e externos).

Resta saber o quanto esses objetivos vão de encontro aos planos dos EUA, em meio à queda de braço entre as duas maiores economias do mundo. A demora em divulgar detalhes sobre as negociações comerciais entre os dois países, mesmo após o fim do prazo da trégua tarifária, realça que, dificilmente, um acordo irá satisfazer ambos.

Divórcio complicado

O Parlamento britânico rejeitou ontem a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) no próximo dia 29 sem um acordo e uma nova votação-chave está marcada para hoje. Desta vez, os parlamentares irão decidir sobre a extensão do prazo para o Brexit. Há a possibilidade de adiamento do divórcio, se o placar não for contrário pela terceira vez.

Ainda assim, o pedido de extensão depende da aprovação unânime de todos os 27 países integrantes do bloco comum europeu. Mesmo se aprovado, a ampliação do prazo deve ser por um período curto, já que haverá eleições na UE em breve. O mais provável é alongar o prazo para o Brexit até maio, pelo menos.

Uma nova derrota hoje enfraquece de vez a liderança de Theresa May e aumenta a pressão pela saída dela do cargo de primeira-ministra. A oposição quer que ela convoque eleições gerais, ao mesmo tempo em que crescem os pedidos por um novo referendo sobre se o Reino Unido deve mesmo deixar a União Europeia.

Ontem, a libra esterlina atingiu o maior nível desde junho, após o Parlamento rejeitar, por 312 a 308 votos, a possibilidade de um Brexit sem acordo. Nesta manhã, a moeda britânica está de lado, segurando-se em torno de US$ 1,33.

Varejo brasileiro em destaque

Novos números do varejo, desta vez, no Brasil ainda serão conhecidos nesta quinta-feira. Mas, assim como a indústria, o comércio varejista também deve ter iniciado 2019 em ritmo lento. A previsão é de estabilidade nas vendas em janeiro, com o consumo sendo afetado pelo desemprego elevado e a renda baixa.

Se confirmado, o resultado tende a esquentar as apostas de novo corte na taxa Selic em breve. Ontem, a curva a termo de juros futuros encerrou a sessão precificando cerca de 50% de chance de uma queda adicional no juro básico em setembro deste ano, após a queda maior que a esperada da indústria, que iniciou 2019 em ritmo abaixo do de 2018.

Os dados efetivos do varejo brasileiro em janeiro serão divulgados às 9h. No exterior, destaque para os indicadores dos Estados Unidos sobre os pedidos semanais de seguro-desemprego e os preços de importação em fevereiro, ambos às 9h30, além de números do setor imobiliário em janeiro, às 11h.

No fim do dia, merece atenção a decisão de política monetária do Banco Central do Japão (BoJ).

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