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Mercado financeiro está “enviando convites” para a festa do corte de juros nos EUA e no Brasil, relutando em reconhecer os riscos a esse cenário

O mercado financeiro está convencido de que novos cortes nas taxas de juros norte-americana e brasileira serão bem-vindos, pacificando o clima tenso por causa da guerra comercial e dando um impulso adicional à economia doméstica, que segue em ritmo lento. Mas ainda existem dúvidas sobre os efeitos nos ativos de risco do conflito comercial entre Estados Unidos e China, bem como da aprovação da reforma da Previdência.
O fato é que ainda são desconhecidos os impactos, na atividade e na inflação, da disputa tarifária entre as duas maiores economias do mundo. Os sinais de desaceleração econômica global são cada vez mais latentes, mas a percepção de aumento dos custos - às empresas e ao consumidor - ainda não foi confirmada. Ao Federal Reserve, resta a missão de tentar compreender esses efeitos, que ainda são incertos, e agir de modo “apropriado”.
Da mesma forma, o posicionamento conservador do Banco Central brasileiro sobre renovar o piso histórico da Selic traz dúvidas quanto à necessidade de estímulos monetários adicionais, em meio ao andamento da agenda de reformas no Congresso. Apesar da percepção de que as novas regras para aposentadoria serão aprovadas, as prováveis emendas e a economia fiscal a ser gerada são pontos que não estão consolidados.
Não se trata, portanto, de uma discussão sobre se o Fed e o Comitê de Política Monetária devem (ou não) cortar os juros básicos. A questão é saber qual cenário econômico o mercado financeiro está antecipando, quando prevê até três cortes de juros no Brasil e nos EUA ainda neste ano, e o quanto dessa estimativa está condizente com a economia real, em meio a uma avaliação que dá motivos para seguir otimista.
Diante dessas incertezas, os investidores tiram proveito do benefício da dúvida e mantêm o apetite por ativos de risco, vendo a porta aberta para cortes nos juros norte-americanos, após a fala suave (“dovish”) do presidente do Fed, Jerome Powell. Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram no terreno positivo, um dia após Wall Street registrar fortes ganhos, o que embala a abertura do pregão na Europa.
A alta no Ocidente, porém, não embalou o pregão na Ásia, onde apenas Tóquio subiu firme (+1,8%). Hong Kong avançou 0,5%, enquanto Xangai oscilou em baixa, digerindo a forte desaceleração no setor de serviços chinês. Segundo o Caixin, o índice dos gerentes de compras (PMI) escorregou a 52,7 em maio, de 54,5 em abril, contrastando-se com o índice oficial, que mostrou estabilidade na atividade.
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Nos demais mercados, o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) segue acima de 2,10%, enquanto o dólar perde terreno para as moedas de países emergentes e correlacionadas às commodities. Destaque para o peso mexicano, que afunda, após o presidente norte-americano, Donald Trump, dizer que “não estava blefando” em relação ao aumento das tarifas de importação ao México por causa da imigração ilegal.
Já o petróleo segue em queda, cotado nos níveis mais baixos em 20 semanas, ao passo que o ouro avança pela sexta sessão seguida, ao maior patamar em 15 semanas.
Os dados sobre a criação de emprego no setor privado dos EUA em maio, divulgados pela ADP, são o destaque da agenda econômica desta quarta-feira. Os números, tidos como uma prévia do relatório oficial de emprego no país (payroll), serão conhecidos às 9h15 e a previsão é de abertura de 185 mil postos de trabalho, ante +275 mil vagas em abril.
Ainda na agenda econômica no exterior, serão conhecidos ao longo da manhã dados de atividade do setor de serviços nos EUA e na Europa, além das vendas no varejo e do índice de preços ao produtor (PPI) na zona do euro em abril, logo cedo. Às 11h30, é a vez dos estoques norte-americanos de petróleo bruto e derivados na semana passada.
À tarde, às 15h, também merece atenção o Livro Bege do Federal Reserve, com um compilado sobre a avaliação da situação econômica nos EUA. Já no Brasil, o calendário econômico está mais fraco, trazendo apenas o resultado de maio do fluxo cambial, com dados sobre a entrada e saída de dólares do país (12h30).
Entre os eventos de relevo, destaque para a retomada da sessão no Supremo Tribunal Federal (STF), a partir das 14h, sobre a necessidade de autorização do Congresso Nacional para a venda de ativos de empresas estatais. No Legislativo, destaque para as votações do crédito suplementar para a regra de ouro e a proposta do Orçamento Impositivo.
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