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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Bolsa de Valores

Aposta na privatização de estatais rende até 70% para o investidor

O Ibovespa, principal índice de ações do mercado, decepciona, mas as ações de estatais estão dando porrada

23 de novembro de 2018
19:56
Imagem: Shutterstock

Usando o Ibovespa como parâmetro para o desempenho do mercado de ações, o quadro que se tem é um pouco desanimador. A esperada arrancada pós-eleitoral ainda não apareceu, mas uma forte puxada aconteceu nas ações das estatais.

O mercado já vinha apostando na agenda de privatizações tanto de Jair Bolsonaro, como de outros governos, como Minas Gerais, e essa aposta vai sendo referendada pela indicação dos novos comandantes das estatais.

Dentro desse grupo de empresas que pode passar para o setor privado, o destaque, dentro da amostra selecionada de sete companhias, é a estatal de energia Cemig. As ações da empresa mineira acumulam valorização de 11,5% agora em novembro, contra uma queda de 1,36% do Ibovespa no mesmo período.

Se ampliarmos um pouco a janela de tempo e tomarmos o dia 30 de setembro como “corte pré-eleições”, a valorização das ações ON da Cemig bate 71,8%. No mesmo período o Ibovespa sobe 8,7%.

A também mineira Copasa, de saneamento, não tem um desempeno tão brilhante no mês, avançando 0,19%, mas desde o fim de setembro ganhou 32%.

Outro destaque, esse em âmbito federal, são as ações ordinárias do Banco do Brasil. Agora em novembro o papel sobe 5,8%, e desde o fim de setembro acumula alta de 53,6%. Seu novo presidente, Rubem de Freitas Novaes, fala em eficiência e privatizar o que for possível.

De volta às empresas estaduais, a Sanepar, do Paraná, sobe 14,6% no mês e ganha 62,05% desde o fim de setembro.

As ações da Eletrobras também vão bem, o papel ON sobe 4,55% no mês e 58,41% desde 30 de setembro, e o ativo PNB tem valorizações de 3,95% e 58,41%, respectivamente.

A Petrobras é um caso aparte, pois além do fluxo de notícias envolvendo privatização e nomeações, os ativos reflete em cheio a queda na cotação do petróleo e as incertezas sobre a votação do projeto de cessão onerosa, que tramita no Senado.

Agora em novembro, o papel ON tem queda de 11,6% e o PN recua 11,4%. Desde o fim de setembro, no entanto, PETR3 ainda sobe 10,6% e PETR4 ganha 16%.

A BR Distribuidora tem alta de 1,33% no acumulado do mês e ganha 24,6% desde o fim de setembro. No último dia 13, chegaram a subir mais de 8% na máxima do dia após o vice-presidente eleito, Hamilton Mourão, afirmar que a empresa pode passar para as mãos da iniciativa privada.

Um grande amigo com vasta experiência em mercado sempre me disse que comprar ações de estatais é comprar “risco governo”. Não importa quão bom sejam os fundamentos, o risco que você está tomando é o “governo de plantão”.

O que as ações mostram é que depois de um longo inverno para as estatais, que pode ser caraterizado pelo governo Dilma Rousseff, os investidores estão dispostos a tomar risco de governos, seja ele federal ou estadual.

Mas a volatilidade dos ativos também é bem maior que a média do mercado. O “risco” do Ibovespa agora em novembro é de 21%, enquanto Petrobras ON, por exemplo, tem volatilidade de 46%, e Eletrobras ON apresenta taxa de 52%.

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