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O magistrado é acusado de crime de responsabilidade, suspeição e conflito de interesses na condução do inquérito que apura as fraudes bilionárias

Os poderes Legislativo e Judiciário se enfrentam em um novo capítulo da investigação sobre o Banco Master. Os senadores Magno Malta (PL/ES), Damares Alves (Republicanos/DF) e Eduardo Girão (Novo/CE) protocolaram, na quarta-feira (14), um pedido formal de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
O magistrado é acusado de crime de responsabilidade, suspeição e conflito de interesses na condução do inquérito que apura as fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
A investigação contra o banco de Daniel Vorcaro, batizada de Operação Compliance Zero, subiu para o STF após a menção de autoridades com foro privilegiado. O ministro Dias Toffoli assumiu a relatoria e, desde então, suas decisões passaram a ser alvo de críticas por parte de investigadores e parlamentares.
No documento, os senadores apresentam quatro principais pontos para sustentar o pedido de impeachment contra Toffoli.
O primeiro são as viagens com pessoas envolvidas no processo contra Vorcaro. Em novembro de 2025, Dias Toffoli viajou para Lima, no Peru, em uma aeronave particular de um empresário.
Segundo a denúncia dos senadores, o ministro estava acompanhado de um advogado que atua na defesa de um dos investigados no caso Banco Master, o que feriria a neutralidade exigida de um magistrado.
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Outro ponto aborda as decisões judiciais "inéditas" desde que o caso subiu para o STF. Durante o recesso do Judiciário, em dezembro, o ministro determinou uma acareação entre os principais nomes envolvidos na tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e o diretor do Banco Central (BC) envolvido na decisão de liquidação do Master.
A medida foi vista como inadequada e prematura pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo próprio BC, que alertaram para riscos processuais. Dias depois, Toffoli recuou da decisão diante da forte repercussão negativa.
A denúncia também cita vínculos financeiros entre familiares do ministro do STF e o Banco Master. Irmãos de Toffoli teriam vendido uma participação em um resort no Paraná para um fundo ligado à Reag Investimentos — empresa que é parceira do Master e suspeita de participação nas fraudes financeiras. Além disso, um primo do ministro teria participação em um empreendimento imobiliário envolvendo esses mesmos fundos.
Por fim, o texto também cita os acontecimentos mais recentes. Na quarta-feira (14), Toffoli ordenou que todos os materiais apreendidos pela Polícia Federal (como celulares e computadores) na operação de busca e apreensão contra Vorcaro e seus parentes e sócios fossem lacrados e mantidos sob custódia direta do STF, ao invés de seguirem para a perícia técnica da PF.
Policiais federais alertaram que o impedimento do acesso imediato aos aparelhos poderia permitir a destruição remota de provas armazenadas na nuvem. Toffoli acabou autorizando que a Procuradoria Geral da República (PGR) fizesse a análise técnica, mas, ainda assim, a PF alega que a instituição não tem a capacidade técnica de proteção de provas que a PF tem.
O documento protocolado pelos senadores foi encaminhado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP). No requerimento, os parlamentares pedem a criação de uma comissão especial, a oitiva de testemunhas e a requisição de informações detalhadas ao Banco Central, Coaf e PGR.
Para o senador Eduardo Girão, Toffoli inviabilizou investigações independentes ao concentrar o processo em suas mãos. "O Senado não pode se omitir. Agora é a hora de o Parlamento cumprir o seu papel", afirmou o parlamentar ao Estadão.
O caso permanece sob segredo de Justiça.
O Estadão procurou o gabinete de Dias Toffoli, mas não obteve retorno.
*Com informações de Estadão e G1.
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