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DIPLOMACIA À BRASILEIRA

Lula fala em “amor à primeira vista” com Trump após reunião sobre tarifas e terras raras nos EUA; confira os principais pontos do encontro

Encontro entre Lula e Trump em Washington durou três horas e abordou temas delicados, como tarifas comerciais, facções criminosas e minerais de terras raras

Lula e Trump reunidos durante a 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na Malásia.
Lula e Trump reunidos durante a 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na Malásia. - Imagem: Divulgação/X

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “um passo importante na consolidação da relação histórica” entre os dois países. A reunião desta quinta-feira (7), realizada em Washington, durou cerca de três horas, entre encontro oficial e almoço, e colocou na mesa temas delicados da relação bilateral, como tarifas comerciais, combate a facções criminosas e minerais de terras raras.

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Após o encontro, Lula voltou a destacar a boa relação com Trump e disse que existe uma “ótima química” entre os dois líderes. Segundo o presidente brasileiro, a aproximação começou desde o primeiro contato, em um caso de “amor à primeira vista”.

Em entrevista a jornalistas na embaixada brasileira em Washington, Lula disse ter afirmado a Trump que a Câmara aprovou a questão dos minerais críticos e terras raras e que o marco regulatório segue para o Senado, onde deve ser aprovado ainda esta semana.

Ele reforçou que a ideia do Brasil é manter a extração e o refino de minerais críticos no país, para atrair investimentos.

“Quem quiser participar conosco para produzir a riqueza que as terras raras oferecem, está sendo convidado a ir ao Brasil”, disse. “Não queremos ser meros exportadores, não queremos repetir o que aconteceu com a prata na América Latina, o ouro no Brasil, queremos que o Brasil seja o grande ganhador”, afirmou.

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Segundo o petista, os dois governos estabelecerão um plano de metas e as negociações entre as delegações setoriais seguirão no futuro.

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“Saio muito satisfeito da reunião, que foi importante para Brasil e Estados Unidos. Trump rindo é melhor que cara feita e eu disse a ele: ‘ria, alivia nossa alma'”, brincou.

Segundo Lula, não houve veto e nem assunto proibido no encontro, mas o Brasil não abrirá mão da democracia e da soberania.

Sobre o crime organizado e a possibilidade de os Estados Unidos declararem facções com terroristas, o presidente brasileiro disse que o tema não foi falado por Trump, mas citado pelos representantes brasileiros.

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“Se os Estados Unidos quiserem compartilhar conosco estão convidados. Semana que vem estaremos lançando um programa de combate ao crime organizado e precisamos destruir o suporte financeiro das facções que estão em todos os lugares”, afirmou.

Sobre tarifas dos Estados Unidos e possíveis sanções futuras para produtos brasileiros, Lula afirmou que está otimista em uma solução e que as delegações entre os dois países devem ter uma solução em até 30 dias. “Quero que os Estados Unidos voltem a investir no país”.

Irã, Cuba e ONU

Lula criticou a guerra dos Estados Unidos com o Irã, afirmou a ação vai causar mais prejuízo do que já causou e arrematou: “Trump acha que a guerra com Irã acabou e isso não é o real”.

O presidente brasileiro também disse estar disposto a intermediar as conversas entre Estados Unidos e Cuba e ter ouvido de Trump, por meio da tradutora, que o norte-americano não invadirá o país caribenho.

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“Disse a ele que, se precisar de ajuda para discutir relação com Cuba estou à disposição e ele afirmou que não pensa em invadir Cuba. Eu falei que Cuba quer dialogar para colocar fim ao bloqueio mais longevo da história”.

Lula voltou a pedir a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para que “coadjuvantes”, como Brasil, México, Alemanha, Egito e Indonésia possam ser incluídos em decisões do órgão.

“O que não faltam são países para participar e fazer com que a ONU volte a funcionar na plenitude. A geopolítica mudou, o mundo é outro, e isso foi dito na maior tranquilidade”.

Eleições e Pix

Indagado sobre a possível interferência de Trump nas eleições brasileiras em 2022 e 2026, o presidente brasileiro afirmou que, se isso aconteceu na disputa com Jair Bolsonaro, “Trump perdeu, porque eu ganhei a eleição”, e emendou: “acho que ele vai se comportar como presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro decida seu destino”,

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“Nossa relação é muito boa, uma relação que pouca gente acreditava que pudesse acontecer. A relação com Trump foi de amor à primeira vista e não acredito que haja interferência de ninguém”, afirmou.

Sobre a possível interferência ou ações do governo norte-americano no Pix como modo de pagamento no Brasil, Lula disse Trump não tocou no assunto e ele também não.

Agenda de Lula e Trump

A reunião no escritório presidencial durou cerca de um hora e meio e terminou por volta das 14h (horário de Brasília). Em seguida, Lula e Trump participaram de um almoço juntamente com cinco representantes de cada país.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no encontro dois presidentes trataram do comércio bilateral, de tarifas, cooperação em crimes transnacionais e minerais críticos “Tudo se desenvolveu num clima muito amistoso, numa reunião muito produtiva, positiva e os presidentes estabeleceram missões nas duas áreas”, disse.

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Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, também avaliou que a reunião foi muito positiva e repetiu que as áreas comerciais dos dois países devem se reunir nos próximos dias para tentar resolver a questão tarifária.

Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse aos líderes norte-americanos que a economia do Brasil avança, com inflação sob controle e com a renda aumentando.

Por fim, segundo ele, o governo brasileiro compartilhou informações sobre o crime organizado, com duas frentes de ação entre os dois países: a primeira sobre aduanas para troca de informações sobre entrada de armas e drogas nos portos e o próximo passo será o de ações conjuntas.

Outra frente está ligada à lavagem de dinheiro e o crime organizado, com o compartilhamento de informação. “Tanto na parte aduaneira, como na parte de lavagem de dinheiro, estamos muito próximos de avançar com novos acordos”, disse.

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Já o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, citou a aprovação do marco regulatório na Câmara sobre minerais críticos e repetiu que “o presidente deixou claro que o Brasil é solo fértil e que é mais barato refinar no Brasil, gerando emprego, renda e investimentos no País”.

Na rede Truth Social, Trump relatou que a reunião com o presidente Lula “correu muito bem” e destacou que a conversa foi pautada por comércio e tarifas.

Na publicação, Trump ainda afirmou que os representantes dos dois países têm novas reuniões agendadas para discutir “pontos-chave” e considerou que novos encontros poderão ser agendados nos próximos meses, se necessário.

*Com informações do Money Times

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