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BTG PACTUAL MACRO DAY 2026

Chega de aumentar impostos? Ministro da Fazenda conta os próximos passos do governo Lula para apertar o cinto dos gastos e frear juros

O ministro defendeu a necessidade de reduzir o crescimento do gasto obrigatório em relação ao limite geral do arcabouço

O Ministro da Fazenda, Dario Durigan
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan - Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O mercado já coloca na conta uma nova vitória para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano, e a questão que assombra os investidores é: como o governo pretende resolver o cenário fiscal e econômico do país? 

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A boa notícia é que essa resposta não deve passar por mais taxas. Durante o evento BTG Pactual Macro Day 2026, realizado nesta manhã (31), Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, cobrou o governo, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, respondeu: o controle do fiscal não deve seguir pelo aumento de impostos. 

Durigan afirmou que a gestão de Lula possui sete pilares para ajustar as contas públicas e que o foco agora é reduzir a taxa básica de juros do país, que se encontra em 14% ao ano. 

O ministro também defendeu a necessidade de reduzir o crescimento do gasto obrigatório, sendo uma das primeiras medidas do governo. "O gasto obrigatório ainda consome bastante do orçamento e precisa crescer menos", afirmou. 

Apesar disso, Durigan reforçou que a agenda econômica não se resume à agenda fiscal, abordando questões como o combate à corrupção e crimes financeiros. 

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O ministro afirmou que a estratégia para os próximos anos é fortalecer a iniciativa privada e o Estado para destravar investimentos no país. 

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“Uma política fiscal muito responsável é o nosso principal compromisso para os próximos anos", comentou o ministro 

Para isso, além da redução dos juros, o ministro afirmou que o governo está de olho nas metas de resultado primário estabelecidas pelo próprio governo. Ele ainda prometeu que o país vai registrar superávits primários crescentes e recorrentes a partir de 2027.

Vale lembrar que, apesar de o governo ter reduzido o déficit primário, que passou de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) para cerca de 0,5%, essa melhora ocorreu devido ao aumento da arrecadação e da carga tributária. No entanto, esse ganho foi perdido integralmente com o serviço da dívida pública, que passou de 6% do PIB em 2023 para 8,5% neste ano.

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Segundo o ministro, os próximos passos incluem também fortalecer a regra fiscal atual, em vez de modificá-la. Para isso, a gestão atual quer seguir revisando benefícios tributários que não se justificam mais. 

Durigan afirmou que pretende abrir espaço no orçamento para que o governo foque em investimentos públicos estratégicos, em áreas onde o setor privado ainda não tem apetite de atuar ou onde o risco é muito elevado. 

A fala do ministro ressoa as recentes declarações de Lula durante a campanha eleitoral. O presidente vem defendendo um aumento dos investimentos públicos em segmentos como tecnologia. 

Durante o evento desta manhã, o ministro também citou planos para que os gastos em programas sociais sejam mais eficazes, com revisão constante das despesas, controle rigoroso dos critérios de concessão e monitoramento dos beneficiários. 

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Além disso, Durigan defendeu a construção de um Estado eficiente e digital. O objetivo seria tornar a máquina pública menos burocrática e mais moderna por meio da tecnologia, como inteligência artificial (IA). 

O último pilar da estratégia do governo para os próximos anos é o fortalecimento da agenda microeconômica. Segundo o ministro, o governo busca realizar reformas regulatórias voltadas a combater abusos em recuperações judiciais e falências para diminuir o spread bancário. 

A economia além da questão fiscal 

Durigan defendeu que a agenda econômica não deve se resumir à questão fiscal. Para ele, o combate ao crime organizado está conectado à estabilização econômica do país. 

Segundo o ministro, a Constituição não fornece uma competência clara para a União atuar na segurança pública. Assim, o governo federal precisa recorrer a medidas indiretas, como cooperações pontuais e a Força Nacional.  

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"O papel ideal da União é colaborar no combate ao crime por meio de inteligência, troca de informações e sistemas avançados para apoiar estados e municípios", disse. 

A estratégia na segurança pública do governo é o combate à lavagem de dinheiro. Durigan citou as ações recentes no Banco Master, na Reag Investimentos e o pedido de falência da Refit, refinaria de petróleo no Rio de Janeiro que foi alvo da Operação Poço de Lobato por suspeita de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. 

"A gente vai conseguir fazer uma Carbono Oculto a cada dois meses no país, se a gente tiver o compromisso político de avançar contra o crime organizado, em especial a lavagem de dinheiro no andar de cima", afirmou. 

Mansueto reiterou a importância da pauta. Segundo o economista, o avanço do combate à economia ilegal e ao crime organizado é fundamental para garantir a segurança jurídica necessária para atrair investimentos no setor privado.

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