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O economista-chefe do BTG Pactual avalia que há caminhos para reverter essa trajetória. A virada pode acontecer mais rápido do que o mercado imagina

Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, alerta que não vê um cenário promissor para o país nos próximos 12 meses. "2027 será o pior ano de crescimento do Brasil desde a pandemia", afirmou durante o TRX Day, evento realizado nesta quinta-feira (20).
Nas avaliações mais otimistas de Mansueto, a expectativa é de um avanço de apenas 1% da economia brasileira, enquanto o crescimento médio do país no pós-pandemia, 2021 a 2025, foi de cerca de 3,3%.
Embora o Brasil deva crescer perto de 2% neste ano, o economista avalia que o resultado ocorre devido a uma grande expansão fiscal por conta do ano eleitoral, o que ajudou a "turbinar" a economia. No entanto, o nível alto dos juros ainda trava esse avanço.
"O país possui a maior taxa de juros do mundo, com juros reais acima de 9% e a taxa Selic acima de 10% pelo quinto ano consecutivo. E, independentemente de quem seja o Presidente da República em 2027, já é esperado que chegue ao sexto seguido", comentou Mansueto.
"A expectativa de mercado para a Selic no final do ano é de 13,75% ou 13,25% no cenário mais otimista, o que ainda é muito alto. Isso vai machucar a atividade."
Apesar disso, ele avalia que há caminhos para reverter essa trajetória — e a virada pode acontecer mais rápido do que o mercado imagina. Para isso, no entanto, o governo precisa recalcular a rota e reduzir os gastos públicos.
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A principal âncora para o crescimento da economia vem do risco fiscal. "O Brasil gasta muito", comentou.
Entre 2018 e 2022, o crescimento real do gasto público federal foi de 9%. Já entre o período de 2023 a 2026, a projeção é que o aumento fique em 21%. Com a expansão das despesas públicas, a inflação subiu, levando o Banco Central a subir a taxa de juros.
"A credibilidade do arcabouço fiscal diminuiu ao longo de 2024, contribuindo para o aumento do juro real", completou.
Apesar de o governo ter reduzido o déficit primário, que passou de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) para cerca de 0,5%, essa melhora ocorreu devido ao aumento da arrecadação e da carga tributária.
No entanto, esse ganho foi perdido integralmente com o serviço da dívida pública, que passou de 6% do PIB em 2023 para 8,5% neste ano.
"A dívida pública está em uma trajetória de crescimento, e com as regras atuais, não é possível entender quando ela deixará de crescer e começará a cair", comentou.
Porém, caso haja uma perspectiva de redução dos gastos, mesmo que seja apenas para o fim do próximo mandato, o economista-chefe do BTG vê uma reversão.
"O mercado se move muito rápido baseado em expectativas. Então, se o governo controlar o crescimento das despesas, 2027 terá um ciclo de corte de juros muito mais rápido do que o mercado estima hoje", afirmou.
Mansueto destaca que não basta aumentar a arrecadação para virar o cenário.
"O desafio do Brasil não é simplesmente alcançar superávit primário por meio do aumento da carga tributária. Isso não vai funcionar. O desafio é controlar o crescimento das despesas", avaliou.
A boa notícia, na visão do economista, é que há gordura para cortes já que os programas sociais cresceram muito nos últimos anos. Além disso, Mansueto tem plena confiança que, independentemente de qual seja o próximo governo, a agenda fiscal avançará.
"A necessidade de controlar os gastos está posta, e a sociedade vai pressionar cada vez mais por uma diminuição das despesas", comentou. O resultado esperado, ele diz, seria o crescimento de produtividade.
Um outro motivo para a rápida virada é o momento do país. Para Mansueto, o cenário atual está muito longe do que foi visto durante a "quase perfeita crise" de 2015 e 2016.
Naquela época, havia um grave endividamento da Petrobras (PETR4), enquanto o setor elétrico enfrentava mudanças regulatórias e sérios problemas nos segmentos de geração, transmissão e distribuição. "A Eletrobras não gerava caixa para manter a sua participação no mercado", lembrou o economista.
Além disso, o setor imobiliário lidava com uma crise profunda, com queda muito forte do metro quadrado e aumento dos distratos. "Não tem nada disso acontecendo hoje", comentou Mansueto.
Só a produção de petróleo no Brasil cresceu 25% nos últimos dois anos e, segundo o economista, continuará crescendo. "Há 12 anos, o Brasil era importador líquido de petróleo. Hoje, mais da metade do saldo da balança comercial vem do setor", afirmou.
Mansueto também destacou que a produção agrícola triplicou nos últimos 20 anos, atingindo cerca de 320 milhões de toneladas. "O Brasil possui segurança energética, commodities agrícolas e minerais de terras raras, fatores fundamentais no cenário geopolítico atual. Além disso, é um país pacífico, não está envolvido em nenhuma guerra", disse.
Ele ressaltou ainda que o mercado de capitais brasileiros está mais ativo, em um forte ritmo de aumento do volume de dinheiro novo captado pelas empresas. Mansueto também avalia que o mercado de trabalho segue aquecido, com a taxa de desemprego em 5,5%.
"Porém, pode ocorrer uma piora caso o plano fiscal não fique claro após a eleição", afirmou o economista.
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