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Fellipe Zanuto, da A Pizza da Mooca, Matheus Ramos, da QT Pizza, Pedro Siqueira, da Sìsì e Pierluigi Russo, da Bento Pizzeria, explicam as principais diferenças entre as pizzas paulistas e cariocas – e qual delas sai na frente

A rixa entre cariocas e paulistas é antiga no Brasil. Ela atravessa o futebol, o sotaque e até discussões triviais, como o eterno “biscoito ou bolacha”. A gastronomia, é claro, não ficou de fora – sobretudo quando o assunto é pizza, massa italiana que conquistou os brasileiros.
São Paulo costuma reivindicar o título de capital brasileira da redonda, e não é à toa: a cidade é a campeã de consumo no Brasil. Enquanto isso, o Rio de Janeiro carrega, com humor, a fama de temperar a fatia com ketchup. No país onde se diz que tudo acaba em pizza, surge a pergunta: entre as pizzas cariocas e paulistas, qual é a melhor?
Bom, se levarmos em consideração o ranking italiano 50 Top Pizza World 2025, São Paulo vence a disputa, com 5 pizzarias entre as 100 melhores do mundo. São elas:
Já no Rio de Janeiro, apenas uma pizzaria se destacou no ranking anual. É a Ferro e Farinha, avaliada na 31ª posição.
Ainda assim, muitos pizzaiolos dizem que as diferenças qualitativas entre a pizza carioca e a paulistana já não são tão evidentes quanto antes.
Para ir além dos estereótipos, conversamos com alguns dos chefs que hoje moldam a cena da pizza no Rio e em São Paulo.
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Para o chef Fellipe Zanuto, da A Pizza da Mooca, a globalização e o maior acesso à informação fizeram com que a diferença entre as pizzas do Rio e de São Paulo diminuíssem nos últimos anos.
Por outro lado, ainda existem diferenças culturais. Zanuto chama atenção para uma das mais polêmicas: a ausência de queijo em alguns sabores da redonda na capital paulista.
“No Rio, a muçarela costuma vir automaticamente como base da pizza, mesmo em sabores como calabresa. Já em São Paulo, a base tradicional é massa e molho, sendo o queijo um complemento opcional”, explica.
Fellipe Zanuto já foi eleito o melhor pizzaiolo brasileiro. Em 2025, foi selecionado entre os 100 melhores do mundo de acordo com o ranking The Best Pizza Awards 2025, ficando na 56ª posição.

Matheus Ramos é carioca, mas sua pizzaria, QT Pizza Bar, fica em São Paulo, no bairro do Jardins.
Eleito o melhor pizzaiolo brasileiro em 2025 pela The Best Pizza Awards 2025, no 46º lugar, o chef também não enxerga tantas diferenças entre a pizza do Rio e de São Paulo. “Independentemente do estado, o importante é que a pizza seja leve, bem fermentada e fácil de digerir”, conclui.
No entanto, reconhece que a capital paulista tem uma influência italiana muito mais direta, diante da maior presença de imigrantes que moldou o modo de fazer pizza na cidade.
Um dos costumes mais julgados pelos paulistanos, no entanto, continua verdadeiro: o ketchup na fatia carioca.
Ramos confirma que o hábito existe, embora ele próprio não seja adepto. Segundo o chef, a prática tem relação com o tipo de pizza que se popularizou primeiro no Rio, proveniente de redes americanas como Domino’s e Pizza Hut.
“Essa influência trouxe o hábito de usar condimentos como ketchup, mostarda e até mesmo maionese”, comenta.

Ao contrário de Matheus Ramos, o chef Pedro Siqueira é paulista de origem, mas mora há 20 anos na Cidade Maravilhosa. À frente do italiano Sìsì, no Rio de Janeiro, o chef foi considerado o 72º melhor pizzaiolo do mundo pelo The Best Pizza Awards 2025.
“São Paulo ainda concentra um número maior de pizzarias e profissionais especializados, mas, na prática, quem trabalha com bons ingredientes e técnica consegue alcançar o mesmo nível em qualquer cidade, afirma o chef do Sìsì.
Segundo Pedro Siqueira, o segredo de uma boa pizza está no equilíbrio entre poucos elementos: massa, molho e queijo. De acordo com o chef, a melhor forma de avaliar isso é pedindo uma Margherita, considerada um termômetro de qualquer pizzaria.
“É ali que se evidencia a qualidade da massa, do tomate e do queijo que servem de base para quase todos os outros sabores”, afirma.

A batalha entre pizzas ganha uma nova camada com Pierluigi Russo, que comanda a Bento Pizzeria Napoletana, no Rio de Janeiro.
O chef italiano chegou ao Brasil há 16 anos, e uma das principais diferenças que encontrou foi a forma de consumir pizza no país. “Na Itália, cada pessoa pede uma pizza individual, enquanto no Brasil, o hábito mais comum é dividir várias fatias à mesa, em um momento de confraternização”, diz Russo.
Ele também observa diferenças no estilo das pizzas brasileiras, especialmente as paulistas, que costumam ter mais ingredientes. Apesar disso, entende que São Paulo tem uma cena gastronômica mais consolidada do que o Rio.
Em seu trabalho, porém, o chef não abre mão da tradição, fazendo pizzas como aprendeu na Itália. Há três anos, aliás, o chef abriu a Bento com o objetivo de produzir uma verdadeira pizza napolitana, seguindo rigorosamente as regras definidas pela Associazione Verace Pizza Napoletana (AVPN).

O nome “A Pizza da Mooca” é autoexplicativo. Embora o local se inspire na tradição napolitana, a sua pizza incorpora uma identidade própria, construída no bairro em que Zanutto cresceu e frequentemente considerado o mais italiano de São Paulo.
Fundada em 2011, a pizzaria expandiu para além da Mooca – agora, também nos endereços de Pinheiros e Vila Mariana.
Endereço:
No QT Pizza Bar, o chef segue a tradição da pizza napolitana no formato individual, mas define seu estilo como contemporâneo. O menu mistura clássicos com criações autorais.
Endereço: Alameda Ministro Rocha Azevedo, 1096 - Jardins
No Sìsì, Siqueira também segue a linha da pizza napolitana, baseada em fermentação natural, massa leve e ingredientes de alta qualidade. No Rio de Janeiro, as pizzas fazem parte do menu das unidades do Leblon e da Barra da Tijuca.
Endereço:
A pizzaria, que hoje aparece entre as melhores da América Latina no ranking 50 Top Pizza Latin America, é uma das poucas do país a ostentar o selo oficial de autenticidade napolitana. Isso significa que ela respeita desde os ingredientes, como farinha, tomate e muçarela, até o processo de produção: forno a 500 °C e tempo de cozimento de apenas 90 segundos.
Endereço: Rua Afonso Pena, 71 — Tijuca, Rio de Janeiro
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