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Nova distinção do guia estreia na Borgonha, avaliando produtores de vinho com uma, duas ou três Uvas Michelin

As Estrelas Michelin chegaram em 1926, para restaurantes; em 2024, foi a vez das Chaves Michelin, dedicadas aos hotéis. Agora, o guia avança para um território que sempre esteve no centro da experiência gastronômica, mas ainda não tinha uma distinção própria: o vinho.
A estreia acontece na França com a seleção de vinícolas da Borgonha, uma das regiões mais emblemáticas do mundo quando o assunto é terroir. A partir de agora, propriedades produtoras de vinho também poderão receber uma, duas ou a distinção máxima de três Uvas Michelin — ou entrar na categoria de Selecionados.
Para montar a seleção, a Michelin reuniu uma equipe internacional de especialistas em vinho, formada por profissionais com experiência no setor, como antigos sommeliers, críticos e nomes ligados à produção.
A avaliação é feita de forma coletiva e independente, com base em cinco critérios aplicados a todas as regiões vinícolas do mundo: qualidade da agronomia, domínio técnico, identidade, equilíbrio e consistência.
Isso significa que os inspetores analisam desde o cuidado com o solo e a vinha até a forma como o produtor conduz a vinificação. Além disso, também entram na conta a personalidade dos vinhos, a harmonia entre acidez, taninos, álcool, madeira e doçura, além da capacidade de manter qualidade ao longo de diferentes safras.

A primeira seleção Michelin de uvas de 2026 foi apresentada em 7 de julho no Palácio dos Duques da Borgonha, em Dijon. E a escolha da região não foi por acaso.
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De acordo com o próprio Guia, a Borgonha é a terra onde nasceu o conceito moderno de terroir, sendo referência para amantes do vinho no mundo todo. Suas propriedades familiares, muitas vezes pequenas e passadas de geração em geração, ajudaram a construir uma cultura de precisão, paciência e cuidado com a vinha.
Além disso, a região também é marcada por duas uvas que encontraram ali algumas de suas expressões mais famosas: a Chardonnay e a Pinot Noir.
Da Côte de Nuits à Côte de Beaune, passando pela Côte Chalonnaise, esses vinhos ajudaram a transformar a Borgonha em uma referência global para colecionadores, sommeliers e apaixonados pelo tema.
A próxima região a ser avaliada será Bordeaux, mas ainda sem data definida para a divulgação dos resultados.
A chegada da Uva Michelin acontece em um momento delicado para o vinho francês. Embora a França seja a maior exportadora mundial da bebida, a produção do país em 2025 ficou cerca de 16% abaixo da média dos últimos cinco anos, de acordo com a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). Ao mesmo tempo, o consumo global de vinho caiu 2,7% no ano.
Em Bordeaux, a crise é ainda mais visível: ao menos 15 mil hectares de vinhas foram arrancados entre 2023 e 2026, em uma tentativa de reduzir a sobreprodução.
Nesse contexto, uma chancela internacional pode funcionar como uma nova vitrine, reforçando o enoturismo e a experiência no local como forma de atrair visitantes e diversificar receitas.

Ao todo, a primeira seleção reconheceu 94 propriedades produtoras de vinho:
Para conhecer melhor cada uma das propriedades, basta acessar a plataforma oficial do Guia Michelin e conferir o guia completo.
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