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Joachim Klement aplica modelos estatísticos ao futebol e diz que o desempenho de uma seleção é influenciado por fatores como riqueza, população, ranking da Fifa e, elementos imprevisíveis, como a sorte

É possível prever o resultado de uma Copa do Mundo com equações matemáticas? Para o economista alemão Joachim Klement, sim. Ele, inclusive, acertou as últimas três edições.
Antes de a bola rolar no Brasil, em 2014, Klement apontou a Alemanha como campeã. Quatro anos depois, ele indicou a França. Em 2022, voltou a cravar: Argentina.
Agora, com a Copa do Mundo de 2026 no horizonte, ele divulgou uma nova previsão: a Holanda.
Prever o campeão de uma Copa costuma parecer tarefa de torcedor supersticioso, comentarista de TV ou algoritmo de casa de aposta. Ainda assim, nos últimos 12 anos, Klement tem chamado atenção por aplicar modelos estatísticos financeiros ao futebol.
Em entrevista à BBC, o economista e estrategista de investimentos, contou que o desempenho em uma Copa é influenciado por fatores “sistêmicos”, como tamanho da população, riqueza do país, clima, ranking mundial da Fifa e desempenho recente das seleções. Mas ele também reconhece o peso do imprevisível: sorte, chaveamento, lesões e momentos decisivos continuam fazendo parte da equação.
Em vez de apostar no “feeling”, Klement cruza indicadores objetivos para medir a força competitiva de cada país, da qualidade técnica do elenco ao histórico em Copas.
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À primeira vista, a previsão chama atenção porque a Holanda nunca venceu uma Copa do Mundo. Ainda assim, quando os números entram em campo, a leitura ganha força.
A atual geração da seleção holandesa combina experiência, juventude e profundidade de elenco, três fatores que costumam ter grande peso em torneios curtos.
Virgil van Dijk continua como principal referência defensiva e Frenkie de Jong segue como peça central na organização do meio-campo.

Existe também um componente histórico que torna a projeção ainda mais simbólica: a Holanda frequentemente aparece entre as seleções mais competitivas do torneio, mas nunca conseguiu transformar isso em título.
Foi vice-campeã em 1974, 1978 e 2010. Por isso, o modelo de Klement desperta tanta curiosidade: seria 2026 o ano em que a Holanda finalmente encerraria essa espera?
Além de apontar a Holanda como favorita ao título, Klement também traça projeções para o desempenho do Brasil em 2026.
Pelos critérios estatísticos usados pelo economista, a seleção brasileira segue entre as equipes mais fortes do torneio e aparece com boas chances de avançar às fases decisivas.
No entanto, segundo as previsões do alemão, o Brasil irá se classificar em primeiro lugar no seu grupo, mas irá perder surpreendentemente logo na segunda fase, para o Japão.
Ainda segundo a projeção, Holanda e Espanha se enfrentam em uma das semifinais. Do outro lado da chave, Inglaterra e Portugal disputam a outra vaga na decisão, com os portugueses avançando após eliminar a Argentina nas quartas de final. No modelo de Klement, Portugal leva a melhor sobre os ingleses, repetindo o roteiro de 2006.
Embora os dados expliquem muita coisa, ainda existe uma parte do jogo que escapa completamente ao cálculo.
Uma lesão às vésperas do torneio muda o desenho de uma seleção. Um sorteio complicado antecipa confrontos entre favoritos. Um pênalti perdido muda uma trajetória. Uma expulsão pode desmontar um plano inteiro em poucos minutos.
A história recente mostra isso com clareza. Em 2014, o mundo assistiu ao traumático 7 a 1 entre a seleção brasileira e a Alemanha. Em 2018, a própria Alemanha caiu ainda na fase de grupos. A Itália que tem 4 copas vencidas (atrás apenas do Brasil), nem se classificou para este ano. Já em 2022, Marrocos, que joga contra o Brasil nesta copa, fez uma campanha histórica e reorganizou completamente a lógica esperada do mata-mata.
Nos últimos anos, a análise estatística deixou de ocupar apenas os bastidores dos clubes e passou a influenciar praticamente tudo no futebol profissional.
Departamentos de scout monitoram jogadores por métricas avançadas. Comissões técnicas analisam movimentação por mapas de calor. Clubes acompanham carga física em tempo real. Casas de aposta recalculam probabilidades durante os 90 minutos.
Os dados ajudam a projetar caminhos. Mas ainda não explicam completamente o que acontece quando a bola começa a rolar.
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