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Marca alemã inaugura primeira loja no Rio de Janeiro e reforça expansão no Brasil; mas por que essa sandália é tão desejada?

Criada e fabricada na Alemanha, a marca de calçados Birkenstock se tornou mundialmente famosa por suas palmilhas ortopédicas e por sua estética (considerada “feia” por muitos). Agora, ela acaba de chegar ao Rio de Janeiro, com a missão de conquistar o streetwear carioca.
Inaugurada na última quarta-feira (20) no RIO SUL Shopping Center, no bairro de Botafogo, a loja é a primeira unidade física da marca na capital fluminense e quinta unidade no país.
Até então, a alemã concentrava sua operação em São Paulo e Brasília, com endereços nos shoppings Iguatemi São Paulo, JK Iguatemi, Shopping Pátio Higienópolis e Iguatemi Brasília.
Com modelos de papete que partem dos R$ 400 e ultrapassam os R$ 1 mil, resta a dúvida:
Parte do fascínio em torno da Birkenstock está justamente no fato de que ela nunca cedeu às tendências da moda. Desde a sua criação, na Alemanha rural em 1774, os sapatos apostam em outro caminho: conforto e funcionalidade.
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O principal diferencial é sua palmilha anatômica de cortiça e látex. Ela foi desenvolvida em 1954 para acompanhar o formato natural dos pés e distribuir melhor o peso do corpo. Não por acaso, a marca foi considerada um calçado ortopédico por muitos anos, sendo recomendada sobretudo por médicos.

Ao longo do tempo, a palmilha do calçado se tornou a assinatura visual da marca, bem como as tiras largas das sandálias do modelo “Arizona”, lançado em 1973.
Além disso, a promessa de durabilidade do calçado também ajuda a explicar o apelo atual. Hoje, muitos modelos ainda utilizam materiais naturais como couro, camurça, juta e cortiça.
A Birkenstock passou mais de dois séculos orbitando um universo distante da moda. O negócio, passado de geração por geração da família de sapateiros Birkenstock, estava mais preocupado com o Naturgewolltes Gehen, filosofia baseada em uma caminhada mais natural e alinhada à anatomia dos pés.
Foi nos anos 1960, quando a estilista alemã Margot Fraser começou a comercializar os modelos nos Estados Unidos, que os calçados “feios” passaram a se popularizar do outro lado do Atlântico. Já na década seguinte, a sandália foi adotada pelo movimento hippie como símbolo de rejeição à estética dominante da época.
A virada fashion começou nos anos de 1980 e 1990. Modelos da Birkenstock passaram a aparecer em editoriais de revistas como Elle e The Face, incluindo uma campanha estrelada pela jovem Kate Moss.

Após mais de dois séculos sob controle familiar, a Birkenstock iniciou nos anos 2010 uma nova fase empresarial, com executivos externos assumindo a liderança da companhia. Na mesma época, tendências como o ugly chic passaram a dominar as redes sociais, impulsionando a popularidade da marca.
Mas foi no pós-pandemia, com a valorização de peças confortáveis e atemporais, que a companhia de calçados começou a despertar desejo nos consumidores.
Em 2021, o L Catterton, fundo de investimentos ligado à LVMH, adquiriu o controle majoritário da marca alemã, que então passou a colaborar com grifes como Dior, Manolo Blahnik e Jil Sander.
Ao mesmo tempo, celebridades atreladas à cultura pop, como Gigi Hadid, Anne Hathaway e Kendall Jenner, começaram a aderir as papetes no seu streetwear.
A sandália chegou até mesmo a aparecer no filme Barbie (2023), de Greta Gerwig, como símbolo de conforto, liberdade e de uma feminilidade menos performática.

Hoje, a companhia também vem apostando em modelos fechados, como é o caso do tamanco Boston. O objetivo é reduzir a dependência das vendas de verão e transformar a Birkenstock em uma marca “para todas as estações”. Em 2025, os calçados fechados representam cerca de 38% das vendas da companhia.
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