Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
FALTOU LUCE

Luce: cinco erros (e o grande acerto) da primeira Ferrari elétrica

Com design que dividiu opiniões e um timing que contraria a indústria, o superesportivo levanta uma questão de bilhões de euros: o que acontece quando a tradição cede à vanguarda e mira em um cliente que talvez ainda nem exista?

Ferrari Luce
Ferrari Luce - Imagem: Ferrari

A Ferrari apresentou ao mundo, na noite de 25 de maio, em Roma, o primeiro automóvel totalmente elétrico da sua história e inéditos cinco lugares, com o sugestivo nome Luce, ou luz em italiano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sua nomenclatura carrega uma promessa que o mercado pelo jeito não comprou: no dia seguinte à sua apresentação, as ações da companhia desabaram 8,4% na Bolsa de Milão e 5,7% em Nova York, apagando em horas o equivalente a bilhões de euros em valor de mercado.

Ferrari Luce
Ferrari Luce

Raras vezes um lançamento da Ferrari gerou reação tão fria. A Luce é, ao mesmo tempo, uma aposta técnica corajosa e um produto que levanta questões reais sobre a identidade da marca, timing de mercado e a linha tênue entre inovação e um design... duvidoso.

Cinco anos de desenvolvimento, conforme declarou o CEO Benedetto Vigna a mais de 200 jornalistas reunidos na capital italiana. O resultado é um liftback de quatro portas, cinco lugares, quatro motores elétricos, um por roda e mais de 1.000 cavalos de potência. Além disso, dispõe de bateria de 122 kWh, arquitetura de 880 volts e autonomia declarada acima de 530 quilômetros. A velocidade máxima é de 310 km/h e a aceleração de zero a cem toma 2,5 segundos.

O preço “de entrada” na Itália é de 550 mil euros. As primeiras entregas estão previstas para o quarto trimestre de 2026.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

São números que, no papel, não deixam dúvida: a Ferrari não fez concessões de performance ao elétrico. Mas performance, como a própria história da marca ensina, nunca foi tudo.

Leia Também

MENOS É MAIS

Entre o espeto e a agulha, novo menu da NB Steak leva churrasco à era dos moderadores de apetite

EM XEQUE

Mentiram sobre as blue zones? Pesquisa premiada refuta ideia de longevidade em zonas azuis; entenda o motivo

Ferrari Luce
Ferrari Luce

Erro número um: o design que não convenceu

A reação mais imediata à Ferrari Luce vem do exterior do superesportivo. O design foi entregue ao coletivo LoveFrom, fundado pelo ex-diretor de design da Apple, Sir Jony Ive, e pelo designer Marc Newson. O carro apresenta uma silhueta tipo “glass house”, com as portas traseiras articuladas na parte de trás (ou porta suicidas, no jargão automotivo). Além disso, usa uma linguagem minimalista que é marca registrada de Ive. As luzes traseiras, por exemplo, que aparecem quando o carro está ligado (no resto do tempo, são apenas um painel negro).

Ferrari Luce
Ferrari Luce

O resultado é que tanto o interior quanto o exterior representam um afastamento radical do estilo que conhecemos da Ferrari. Nem todo mundo vai gostar. A reação nas redes sociais, por exemplo, foi predominantemente negativa. O design foi comparado a um Honda Accord, a uma minivan da Apple Store e a uma torradeira de luxo, entre outros.

Ferrari Luce
Ferrari Luce

O vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini chegou inclusive a comentar no X: “Não se parece em nada com uma Ferrari. Seria isso inovação? Quem sabe o que o fundador Enzo Ferrari diria”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O fato de que o próprio diretor de marketing global da Ferrari, Emanuele Carando, admitiu antes do lançamento que a reação seria “muito mista” entre os clientes – “vão amar ou vão odiar” – sugere que a prestigiada marca sabia do risco e decidiu assumir. Há uma diferença, porém, entre antecipar a polêmica e estar preparado para absorvê-la.

Erro número dois: entrar quando os rivais recuam

O timing é, talvez, o aspecto mais delicado deste lançamento. A Ferrari apresentou seu primeiro veículo elétrico em um momento em que concorrentes como Porsche e Lamborghini recuam de seus planos de eletrificação devido à demanda fraca. Há algo quase paradoxal nisso: a marca que por décadas resistiu com maior firmeza ao elétrico escolheu exatamente este momento de mercado para fazer a transição?

Ferrari Luce
Ferrari Luce

A Ferrari já havia revisado para baixo em 2025 suas ambições sobre eletrificação. Os modelos totalmente elétricos deveriam corresponder a apenas 20% do portfólio até 2030, com híbridos respondendo por mais 40% e combustão convencional pelos 40% restantes. Uma fatia menor, portanto, do que o mercado esperava.

A imprensa internacional noticiou que a companhia já adiou os planos para um segundo modelo elétrico até pelo menos 2028. A mensagem que fica é de cautela, o que contrasta inclusive com a grandiosidade do evento de lançamento em Roma.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Erro número três: o peso de 2,2 toneladas

Quem compra uma Ferrari compra a sensação de leveza, agilidade e conexão com a estrada. A Luce pesa mais de 2,2 toneladas mas seus quatro motores ajudam a entregar mais de 1.000 cavalos e agilidade para um carro nessa faixa de massa.

A Ferrari argumenta que a tração integral e a engenharia de suspensão ativa, herdada do hipercarro F80, compensam o peso. Dinamicamente talvez até convença. Mas a percepção simbólica também importa: uma Ferrari que pesa tanto quanto um SUV médio de luxo não é exatamente o que o fã histórico da marca imagina ao pensar no “cavallino rampante”.

Ferrari Luce
Ferrari Luce

O porta-voz de marketing Enrico Galliera foi a público declarar que a Luce é “absolutamente deslumbrante” e que há dentro da base de clientes da Ferrari muitos que “ainda procuram algo completamente diferente, para ser usado em momentos distintos da vida.”

Para Galliera, a Luce não é para colecionadores. É para uma nova categoria de comprador, onde estão inseridas famílias ricas, empreendedores do Vale do Silício e o mercado chinês, onde elétricos já dominam o segmento premium.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O problema, no entanto, é que esse novo comprador ainda não tem nome, nem cadastro de pré-compra preenchido.

Erro número quatro: a queda nas ações e o recado dos investidores

A reação do mercado foi uma combinação de decepção estética com preocupações sobre a expansão da linha com mais modelos elétricos. Para os investidores, o risco não é apenas que a Luce seja feia, mas que a Ferrari pode estar diluindo, voluntariamente, a exclusividade que fundamenta seu modelo de negócio.

A Ferrari foi construída em torno do design clássico e da potência bruta dos motores a combustão. A queda de 8,4% em Milão foi uma das maiores perdas da ação em anos. O mercado, historicamente, costuma punir a incerteza mais do que o fracasso.

Ferrari Luce
Ferrari Luce

Há quem aposte no caminho inverso: há clientes e colecionadores suficientes para garantir que a Luce firme sua posição dentro da linha Ferrari. É a aposta de que o modelo funcionará como foi com o Purosangue, primeiro SUV da marca, que também gerou ceticismo e tornou-se um dos mais vendidos da montadora italiana.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Erro número cinco: o conflito da identidade

Existe uma tensão na Luce que nenhuma estratégia de marketing resolve. A Ferrari sempre se definiu tanto pelo que faz quanto pelo que recusa fazer. Recusou SUVs por décadas. O turbo, por anos. Recusou quatro portas até o Purosangue. Cada concessão foi justificada, sobretudo, pela mesma moeda: desempenho.

Mas a Luce é diferente: é a primeira vez que a recusa mais identitária da marca cede não a uma carroceria, mas ao próprio tipo de motor que fez a Ferrari ser a Ferrari.

Ferrari Luce
Ferrari Luce

Há inclusive algo que a imprensa especializada registrou com certa ironia. A Luce chegou ao mercado sendo descrita como um misto de cruzamento entre shooting brake, wagon e sedã, categorias que raramente aparecem em qualquer material de divulgação de Maranello.

O grande acerto: o interior que muda a conversa

Mesmo diante do que foi dito, há um aspecto da Luce sobre o qual há consenso. O cockpit combina mostradores analógicos com displays Oled, tanto no painel de instrumentos quanto na tela do multimídia de 12 polegadas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ferrari Luce
Ferrari Luce

Uma chave com display E Ink dá partida ao carro e outras informações. É uma tela que funciona como a de um Kindle: só consome energia quando muda a informação exibida – nível de bateria, status do carro e eventualmente outras configurações. Parada, não gasta nada. É a primeira vez que essa tecnologia aparece numa chave de carro de série.

Ferrari Luce
Ferrari Luce

A tela central inclui um relógio analógico e botões de alumínio para funções como as do ar-condicionado. O velocímetro é mecânico. Há dois pequenos ajustes giratórios no volante, um controlando modos de EV (de range a performance) e outro os níveis de aderência (de ice a ESC Off).

Ferrari Luce
Ferrari Luce

A cabine é onde a Luce se torna mais convincente do ponto de vista de design. E olhe que inesperado: Jony Ive, o criador do iPhone, fez uma escolha surpreendente no interior desta Ferrari. Ele manteve botões físicos, mostradores e controles manuais para tudo.

Ferrari Luce
Ferrari Luce

Enquanto os elétricos mais modernos eliminam cada vez mais interruptores em nome do minimalismo, regulando espelhos, ar-condicionado e até o volume do som pelo toque numa tela, a Ferrari foi na direção oposta. Há telas no Luce, mas elas convivem com metal, vidro e a satisfação de apertar algo de verdade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ferrari Luce
Ferrari Luce

E o Brasil?

A Ferrari opera em mais de 60 mercados globais por meio de rede autorizada, e o Brasil é um mercado histórico da marca. Não há nenhum anúncio oficial sobre data de chegada da Luce ao Brasil ou lista de espera aberta, mas algumas poucas unidades podem chegar no segundo semestre de 2027.

O que se sabe é o preço de referência:  se a Purosangue é vendida no mercado europeu a 450 mil euros e por aqui pode chegar a R$ 8 milhões, a Luce a 550 mil euros pode encostar facilmente nos R$ 10 milhões.

Ferrari Luce
Ferrari Luce

A Ferrari não lançou a Luce para todo mundo. É um superesportivo para os ricos de amanhã. Tecnólogos, novos bilionários, o comprador chinês que nunca colocaria na garagem um V12 barulhento. Se eles vão aparecer, porém (e em número suficiente para justificar a aposta), é o que os próximos trimestres vão responder.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
6 cafeterias recém-inauguradas em São Paulo para celebrar o Dia Nacional do Café 24 de maio de 2026 - 9:02
“O Maior Encontro do Samba em Alto-Mar” 23 de maio de 2026 - 9:02
Maison Assouline 23 de maio de 2026 - 8:00
Modelo amarelo do Onitsuka Tiger foi eternizado no filme Kill Bill 22 de maio de 2026 - 8:16
Robotaxi Geely 21 de maio de 2026 - 8:16
Guia Michelin encerra distinção de Estrela Verde 20 de maio de 2026 - 19:21
Curitiba foi eleita capital com melhor qualidade de vida no Brasil 20 de maio de 2026 - 18:34
Entenda por que a manteiga francesa é a melhor do mundo 20 de maio de 2026 - 9:16

SOUVENIR FRANCÊS

Por que a manteiga francesa é tão diferente (e mais saborosa)?

20 de maio de 2026 - 9:16
Chef turco que viralizou nas redes sociais estaria quebrado 20 de maio de 2026 - 8:16
Will Page, ex-economista-chefe do Spotify, olha para cena brasileira 19 de maio de 2026 - 9:16
Febre da proteína faz sentido? Médicos respondem 19 de maio de 2026 - 8:16
Interior de loja de roupas minimalista 18 de maio de 2026 - 19:48
Regent fecha parceria inédita com o Terminal BTG Pactual 18 de maio de 2026 - 14:00
Consumo global de vinho caiu em 2025; Brasil e Portugal estão entre exceções 18 de maio de 2026 - 11:31
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia