Bilionários estão pagando fortunas por arte novamente? Pintura de Jackson Pollock é vendida por US$ 181 milhões
Em meio à desaceleração de setores tradicionais do luxo, obras de Pollock, Rothko e Brâncuși voltam a alcançar cifras bilionárias e consolidam a arte como um dos ativos favoritos dos ultrarricos

Uma tela de mais de três metros coberta por respingos pretos e pinceladas vermelhas acaba de entrar para a história do mercado de arte. A Christie's vendeu Number 7A, 1948, de Jackson Pollock, por US$ 181,2 milhões (quase R$ 1 bilhão) durante um leilão no Rockefeller Center, em Nova York, na segunda-feira, 18. Com o resultado, a obra se tornou a mais cara já leiloada do artista americano.
A venda colocou a pintura entre as quatro obras mais caras já negociadas em leilão, segundo a ARTnews, e reforçou um movimento que ganha força no mercado internacional: o retorno dos grandes nomes do modernismo ao topo da lista de desejos dos ultrarricos.
Na mesma noite, trabalhos de Constantin Brâncuși, Mark Rothko e Joan Miró também bateram recordes históricos. O bronze Danaïde, de Brâncuși, alcançou US$ 107,6 milhões (R$ 543,8), enquanto uma pintura de Rothko chegou a US$ 98,4 milhões (R$ 497 milhões). Hoje, o posto de obra mais cara já vendida em leilão pertence a Salvator Mundi, pintura renascentista atribuída a Leonardo da Vinci. Em 2017, um comprador desembolsou US$ 450 milhões (R$ 2,2 bilhões na conversão atual) pela obra.
A volta dos modernistas
Nos últimos anos, o mercado atravessou uma onda acelerada de valorização de artistas contemporâneos, como Basquiat e Banksy, por exemplo, impulsionada pela chegada de novos investidores e também pela febre dos NFTs durante a pandemia. Agora, porém, o foco mudou.
Colecionadores voltaram a concentrar atenção, e fortunas, em artistas considerados “blue chip”, termo usado para definir obras consolidadas, historicamente relevantes e com menor risco de desvalorização. Pollock, Rothko e Miró ocupam justamente esse grupo.

O movimento acontece em meio a um cenário de instabilidade econômica global, marcado por inflação persistente, tensões geopolíticas envolvendo principalmente os Estados Unidos e oscilações nos mercados financeiros. Nesse contexto, grandes fortunas passaram a enxergar obras raras como uma espécie de proteção patrimonial.
Leia Também
O que vencedores do Nobel já fizeram com o prêmio: de medalhas dissolvidas a leilões milionários
China vira destino de wellness de luxo – e com spas bem mais acessíveis do que nos EUA e Europa
Ao contrário de tendências mais passageiras do mercado contemporâneo, os modernistas possuem oferta extremamente limitada. Museus e coleções privadas concentram boa parte das principais obras, o que reduz drasticamente a quantidade de peças disponíveis no mercado.
Por que Pollock continua tão relevante
Figura central do expressionismo abstrato americano, Pollock (1912-1956) revolucionou a pintura nos anos 1940 ao abandonar técnicas tradicionais e criar o método de “drip painting”, no qual lançava tinta sobre telas posicionadas no chão.
O artista desenvolveu uma linguagem visual que se tornou uma das mais reconhecíveis, e imitadas, da história da arte do século XX. Hoje, basta um olhar para identificar uma obra assinada por Pollock.
Segundo a Christie's, a principal casa de leilões de arte e artigos de luxo do mundo, a obra Number 7A representa justamente o momento em que o pintor “se liberta das amarras da pintura convencional de cavalete” e cria uma das primeiras obras verdadeiramente abstratas da arte moderna.
O salto nos preços impressiona. Em 2021, Number 17, 1951 alcançou US$ 61,2 milhões (R$ 309,37 milhões na conversão atual) e estabeleceu o recorde anterior do artista em leilão. Em apenas cinco anos, o valor máximo pago por um Pollock praticamente triplicou.
Mesmo assim, o mercado privado já operava em outro patamar. Em negociações fechadas longe dos holofotes, algumas obras do pintor teriam ultrapassado US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão na conversão atual) ainda em 2015. Mesmo 70 anos após sua morte, Pollock segue como um dos artistas mais disputados, e caros, do planeta.

O peso da procedência
A origem das obras também ajuda a explicar os preços recordes. Number 7A integrava a coleção pessoal de S. I. Newhouse Jr., magnata da mídia americana e um dos colecionadores mais influentes do século XX. No mercado de arte, a procedência funciona quase como um selo extra de prestígio.
A sequência de recordes registrada em Nova York também revela um movimento curioso no universo do luxo. Enquanto setores tradicionais enfrentam desaceleração, o mercado de arte continua atraindo cifras cada vez maiores. A LVMH, por exemplo, afirmou recentemente que a guerra no Oriente Médio afetou as vendas do conglomerado no último trimestre e reduziu em pelo menos 1% o faturamento da companhia devido à queda nos gastos na região do Golfo.
Com as obras de arte, porém, a lógica parece diferente. Muitos compradores já não enxergam essas peças apenas como objetos culturais. Hoje, elas funcionam como ativos globais comparáveis a imóveis troféu, joias raras ou carros históricos.
THE WORLD'S 50 BEST BARS
50 Best Bars 2026: São Paulo emplaca dois bares entre os melhores do mundo, mas segue tímido no ranking
7 de outubro de 2026 - 19:00QUERIDINHO DOS MILLENIALS
Lembra do Keds? Tênis básico que fez sucesso nos anos 1990 volta ao Brasil; veja quanto custa
7 de outubro de 2026 - 13:00UMA NOITE NO MUSEU
Ingresso de R$ 65 mil e show de Marina Sena: veja como será a Festa do MASP 2026
7 de outubro de 2026 - 9:16CANETAS EMAGRECEDORAS
Oktoberfest no ano do Mounjaro: como as festas estão se adaptando a um público que come e bebe menos?
7 de outubro de 2026 - 8:16ERA DA RECUPERAÇÃO
Adidas entra na febre do recovery com chinelo que esfria os pés por 30 minutos; veja como funciona
6 de outubro de 2026 - 19:05APOCALIPSE SURREALISTA
Criada por Salvador Dalí, capa do ‘livro mais caro do mundo’ é roubada na França
6 de outubro de 2026 - 13:24FRACASSO RETUMBANTE
Nem atuação elogiada de Tom Cruise salva Digger de candidatura a flop do ano nos cinemas
6 de outubro de 2026 - 11:05CINEMA ALÉM DO FILME
8 novos cinemas de rua ressuscitam salas com arquitetura arrojada e um quê de café-bar
6 de outubro de 2026 - 9:30O’ZAPFT IS!
Oktoberfest Blumenau 2026: de preços a atrações, o que saber antes de ir à maior festa alemã do Brasil
6 de outubro de 2026 - 8:46ARTE MILIONÁRIA
Quadro atribuído a Renoir encontrado em mansão de Vorcaro pode valer milhões; entenda o que define o preço de uma obra
5 de outubro de 2026 - 14:18DO MATO AO ASFALTO
Salomon: o tênis de trilha que virou febre entre quem nunca pisou numa trilha movimenta mais de US$ 2 bilhões
5 de outubro de 2026 - 9:16BOLSA VS BIRKIN
É melhor investir na bolsa de valores ou em uma Birkin Bag? Veja o que rendeu mais nos últimos 10 anos
5 de outubro de 2026 - 8:16CINGAPURA REDESCOBERTA
Cingapura: as compras, a gastronomia e o novíssimo lado cool que o turismo (ainda) desconhece
3 de outubro de 2026 - 8:00CHINELO DO FUTURO
Havaianas quer ir além do chinelo e lança calçado híbrido (meio chinelo, meio mule) impresso em 3D
2 de outubro de 2026 - 16:00AMPLIOU
BTG Pactual Hall inaugura nova sala para shows intimistas e reforça agenda cultural em outubro
2 de outubro de 2026 - 10:10PRAIA URBANA
Beyond The Club: como é (e quanto custa) ser sócio do clube de surf e lifestyle em SP
2 de outubro de 2026 - 8:16MIRA NO LUXO
Zara x John Galliano: conheça a nova coleção, veja os preços e saiba se ela chega ao Brasil
1 de outubro de 2026 - 16:00ALÉM DA HOSPEDAGEM
Airbnb vai permitir aluguel de carros no Brasil; veja como reservar e quem pode usar
1 de outubro de 2026 - 10:30QUIET LUXURY
Os ‘bunkers’ ultraexclusivos do turismo de luxo; veja destinos onde só se chega de helicóptero, iate ou por meio dos contatos certos
1 de outubro de 2026 - 9:18100 DIAS