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Uniforme de viagem da Seleção Brasileira viralizou (negativamente); traje foi criado por um dos maiores nomes da moda masculina brasileira

Depois da goleada por 6 a 2 sobre o Panamá, a seleção brasileira embarcou na segunda-feira (1º) para New Jersey, nos Estados Unidos, onde ficará concentrada durante a fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. As fotos oficiais da viagem, porém, acabaram gerando um debate inesperado.
Desta vez, o foco não estava nos convocados de Carlo Ancelotti, mas nos trajes usados pela delegação. O visual cinza dos jogadores viralizou nas redes sociais. No X, internautas compararam as peças a pijamas, uniformes de “peão de fábrica” e até ao figurino de Julius, personagem interpretado por Terry Crews na série Todo Mundo Odeia o Chris.

O traje, no entanto, se trata da alta alfaiataria brasileira, assinada por Ricardo Almeida.
Há mais de quatro décadas no mercado, o estilista já vestiu personalidades como Gisele Bündchen, Milton Nascimento e empresários do mercado de luxo. Além disso, esta é a terceira parceria entre a marca e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Apresentado à CBF em fevereiro, o projeto buscou diferenciar visualmente os jogadores da comissão técnica.
Assim, Carlo Ancelotti e seus auxiliares utilizam uma versão mais clássica da alfaiataria, composta por blazer de dois botões, camisa branca, gravata e sapatos de camurça com amarração, “pensada para comunicar sobriedade e autoridade”, segundo a marca.
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Os atletas, por sua vez, receberam uma interpretação mais contemporânea.

A proposta foi desenvolvida dentro da RA2, linha mais jovem da Ricardo Almeida, criada em parceria com os filhos do estilista e com o stylist Gabriel Pascolato. O objetivo era atualizar códigos tradicionais da alfaiataria por meio de modelagens mais amplas e menos estruturadas.
A principal aposta foi o chamado caban, peça de inspiração naval apresentada como uma alternativa moderna ao blazer tradicional. Sem estruturas rígidas ou ombreiras, o modelo produzido em lã fria busca privilegiar conforto e mobilidade, características que conversam com a rotina de viagens dos atletas.
Por baixo do casaco, os jogadores vestem calça de modelagem ampla e camisetas confeccionadas em fio pima. Nos pés, a escolha foi por mocassins de camurça.
Todo o conjunto foi produzido em um tom petróleo suave, isto é, uma mistura entre azul e verde — e recebeu o brasão da CBF.

“A intenção foi criar peças que mantivessem a elegância e a identidade da alfaiataria, ao mesmo tempo em que incorporamos proporções e desconstruímos a técnica formal. Tudo isso traduzindo uma linguagem contemporânea, conectada ao perfil dos jogadores, que acompanham tendências, consomem moda e utilizam o vestir como forma de expressão pessoal”, afirmou Ricardo Almeida durante a apresentação do projeto.

Embora os uniformes da delegação tenham sido confeccionados sob medida, peças semelhantes podem ser encontradas nas lojas da Ricardo Almeida. As camisetas de fio pima, algodão conhecido pela maciez e durabilidade, custam cerca de R$ 700.
Já o caban, peça que mais chamou atenção no visual dos jogadores, é vendido em diferentes versões. Modelos em lã fria, tecido utilizado pela Seleção, ultrapassam os R$ 4 mil, como o Caban Ardow Liso Azul, comercializado por R$ 4.069.
Para a comissão técnica, a inspiração veio da alfaiataria tradicional. Os blazers de dois botões da marca partem de R$ 5.479 e podem superar os R$ 12 mil, dependendo do tecido e da modelagem escolhidos. As calças sociais, por sua vez, começam em R$ 1.849.
Nos pés, os atletas utilizam mocassins de camurça semelhantes ao modelo Liso Camurça, vendido por R$ 1.699. Considerando apenas as peças mais próximas das usadas pela delegação, o visual completo pode facilmente ultrapassar os R$ 10 mil.
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