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Elevando sobremesa ao status de arte, Janice Wong foi pioneira ao propor experiências gastronômicas que a aproximam mais do mercado de luxo do que da própria gastronomia

Entre chefs que cozinham sobremesas e chefs que constroem universos a partir de açúcar e cacau, a singapurense Janice Wong ocupa um território próprio. Suas instalações comestíveis ocupam hotéis, galerias e semanas de arte. Seus bombons parecem joias futuristas. E seu restaurante, o lendário 2am:dessertbar, virou destino obrigatório para quem entende a sobremesa como alta gastronomia.
Em um cenário onde experiências premium crescem mais rápido que os restaurantes tradicionais, Janice construiu uma marca que mistura confeitaria, moda, arte contemporânea e hospitalidade. Uma estratégia rara, inteligente e altamente rentável.
Curiosamente, Janice Wong começou no universo financeiro. Nascida em Singapura, estudou Economia na Austrália, mas abandonou o caminho corporativo para seguir cozinha profissional. Foi estudar na prestigiada Le Cordon Bleu, em Paris, e depois passou por cozinhas icônicas da Espanha e da França.

A influência mais evidente veio do laboratório criativo de Ferran Adrià e da revolução da gastronomia molecular. Só que Janice levou essa linguagem para um território menos técnico e mais estético, da sobremesa como arte visual.
Ela fundou o 2am:dessertbar em Singapura em 2007. O nome nasceu literalmente do horário em que as pessoas sentiam vontade de continuar a noite com algo doce. O restaurante abriu como um espaço moderno, quase minimalista, focado exclusivamente em sobremesas autorais e coquetelaria.
Na época, a ideia parecia arriscada. Com o tempo, porém, se provou visionária.
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O 2am:dessertbar virou um dos endereços mais influentes da Ásia. O conceito é simples no papel e complexo na execução: transformar sobremesas em experiência multissensorial.
E nem é buzzword: há combinações improváveis, fumaça, texturas, elementos quentes e frios, flores, cacau fermentado, frutas tropicais e técnicas de pâtisserie francesa reinterpretadas com linguagem asiática. Os pratos parecem esculturas contemporâneas.
Mas o verdadeiro diferencial está no branding.
O 2am funciona como plataforma criativa. A marca gera receita com restaurante degustação e chocolates premium, mas também instalações artísticas, colaborações com hotéis de luxo, ativações de marcas, exposições internacionais, licenciamento, workshops e experiências privadas
É um modelo de negócio muito mais próximo do luxo contemporâneo do que da confeitaria tradicional. Algo que se confirma, particularmente, nos bombons de Janice.
Os chocolates de Janice Wong são talvez seu produto mais comercial e instagramável. Seus bombons têm acabamento impecável, cores metálicas, pinceladas abstratas e formatos orgânicos que lembram minerais, planetas ou esculturas de design.

Ela trabalha muito com cacau de origem, frutas asiáticas, especiarias e técnicas de pintura manual em chocolate. O resultado posiciona os produtos mais próximos da joalheria gastronômica do que da bombonnière clássica.
Não por acaso, aliás, suas caixas são vendidas em aeroportos premium, hotéis de luxo e lojas conceito em cidades como Singapura, Tóquio e Dubai.
Se os bombons são miniaturas sofisticadas, as instalações artísticas de Janice Wong são pura ambição.
Ela ficou conhecida internacionalmente por criar paredes inteiras de chocolate, vestidos comestíveis, esculturas gigantes e painéis de açúcar colorido que são exibidos inclusive em museus, hotéis e feiras de arte.

Em algumas obras ,por exemplo, toneladas de chocolate são espalhadas manualmente sobre paredes brancas, criando instalações abstratas que o público pode literalmente comer. Em outras, ela transforma açúcar derretido em estruturas translúcidas que parecem vidro soprado.
Essa aproximação entre gastronomia e arte contemporânea, aliás, ampliou radicalmente o valor percebido da marca. Janice deixou de competir apenas com confeiteiros. Passou a disputar atenção com artistas, designers e marcas de luxo.

Existe uma razão econômica importante por trás do sucesso de Janice Wong: ela entendeu cedo o que o mercado premium chamaria de “narrativa”, “exclusividade” ou “experiência”.
Isso vale especialmente para as novas gerações de viajantes de alta renda. Além da comida, o que eles buscam são lugares únicos, vídeos de algo irrepetível e produtos com forte assinatura autoral.
Nesse cenário, Janice criou um ativo poderoso: uma estética imediatamente reconhecível.
Seu trabalho conversa com tendências gigantes do mercado global em uma cidade já reconhecida como terreno do luxo. Enquanto Singapura investiu pesadamente em gastronomia como ativo econômico e turístico, Wong foi pioneira em uma visão de cozinha que não precisa ficar limitada ao restaurante. Com uma produção colecionável e de pequena escala, ela borra os limites entre gastronomia, turismo de alto valor e marca de lifestyle com a inteligência de quem domina um tipo específico de economia – a da atenção.
CUSTO-BENEFÍCIO
DESEMBARQUE NO BRASIL
NOVO CONCEITO
NOVO FÔLEGO
VOLTA À CENA
LATINOS NO TOPO
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