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Enquanto ações disparam com inteligência artificial, Jamie Dimon avisa que choques profundos na economia estão por vir; conheça o mantra do CEO do JP Morgan para esses momentos

Antes de um tsunami atingir a costa, a água recua da praia, expondo o fundo do mar e atraindo curiosos com uma falsa sensação de segurança. É exatamente essa calmaria enganosa que tira o sono de Jamie Dimon.
Conhecido por seu radar apurado para tempestades, o CEO do JPMorgan expressou surpresa com a complacência de Wall Street diante de guerras e inflação. Para ele, o mercado financeiro inflou uma onda gigante impulsionada pela inteligência artificial (IA) que, agora, se move por conta própria.
Para o banqueiro, o otimismo atual não é um porto seguro, mas sim o recuo da maré que antecede uma onda difícil de parar.
"Estamos em um mercado de alta. É como um pequeno tsunami. Quando esse tipo de coisa acontece, é muito difícil de parar", afirmou ele durante um debate no Council on Foreign Relations.
Para ele, os investidores estão ignorando o movimento das placas tectônicas das bolsas e focando apenas nos lucros de hoje.
"Estou surpreso porque acho que temos a Ucrânia, o Irã, o petróleo, a Rússia e nossa relação com a China. Essas coisas são realmente importantes para o mundo livre, mas não são necessariamente a economia hoje", disse.
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Enquanto o mercado celebra os recordes do S&P 500 e do Nasdaq, o banqueiro enxerga o movimento silencioso e perigoso das placas tectônicas que moldam o futuro.
"Estou bastante preocupado com isso", afirmou. "Elas podem determinar a economia, mas pode ser daqui a um ano, daqui alguns anos... então me coloque na categoria dos mais cautelosos sobre como isso vai se desenrolar".
Para não naufragar em águas tão turbulentas, um dos homens mais poderosos de Wall Street não conta com a sorte; ele segue uma estratégia.
O mantra que rege as decisões de Dimon é uma tática de liderança militar condensada em uma sigla: o ciclo OODA — observar, orientar, decidir e agir.
Em uma indústria que muitas vezes age por impulso, Dimon prega a pausa analítica antes da decisão.
Como ele mesmo definiu em 2024, "não se pode enfatizar demais a importância da observação e de uma avaliação completa — a falha em fazer isso leva a alguns dos maiores erros, não apenas na guerra, mas também nos negócios e no governo".
É inegável que o presente tem seus encantos, e o próprio Dimon reconhece os motores que sustentam os ganhos dos investidores nas bolsas mundo afora.
Há um dínamo de US$ 700 bilhões injetados em inteligência artificial este ano, o desemprego fixado em confortáveis 4,3%, o Produto Interno Bruto (PIB) expandindo a 2% e o oxigênio financeiro trazido pelo estímulo da lei One Big Beautiful Bill Act, desenhada para promover o maior corte de impostos da história dos EUA.
Mas na visão do chefe do JP Morgan, a calmaria atual é o recuo da água que antecede o impacto. Todo ciclo tem seu fim, e o otimismo cego pode ser o pior conselheiro.
*Com informações da Fortune
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