EUA dizem que precisam controlar receitas do petróleo da Venezuela por tempo indeterminado; primeiras vendas já começaram
O governo norte-americano iniciou a comercialização do petróleo venezuelano e promete usar os recursos para estabilizar a economia, ressarcir empresas e ampliar influência política na região

Os Estados Unidos pretendem controlar as vendas e a receita do petróleo da Venezuela indefinidamente para estabilizar a economia do país e reconstruir seu setor petrolífero, informou o secretário de Energia do país norte-americano, Chris Wright, nesta quarta-feira (7).
“Precisamos ter essa alavancagem e o controle dessas vendas de petróleo para promover as mudanças que simplesmente precisam acontecer na Venezuela”, disse Wright na Conferência Goldman Sachs Energy, CleanTech & Utilities, em Miami.
Os comentários refletem o peso estratégico do petróleo bruto na política do presidente dos EUA, Donald Trump, para a Venezuela, especialmente após a deposição do líder Nicolás Maduro, em um ataque à capital Caracas no último sábado (3).
Uso das receitas e compensações
Wright explicou que os recursos provenientes das vendas serão destinados à estabilização da economia venezuelana e, futuramente, ao ressarcimento de grandes petrolíferas norte-americanas, como Exxon Mobil e ConocoPhillips, que tiveram ativos nacionalizados pelo ex-presidente Hugo Chávez há quase duas décadas.
Apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela — membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) — responde hoje por apenas cerca de 1% da oferta global, após décadas de subinvestimento que corroeram sua capacidade produtiva.
Venezuela sob supervisão de Trump
Em entrevista ao The New York Times nesta quinta-feira (8), Trump afirmou que “só o tempo dirá” por quanto tempo os EUA manterão a supervisão sobre a Venezuela. Questionado se seriam meses ou anos, respondeu: “Eu diria muito mais tempo”.
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O presidente acrescentou que pretende “reconstruir a Venezuela de forma lucrativa”, utilizando o petróleo para reduzir preços globais e, ao mesmo tempo, fornecer recursos ao país, que “precisa desesperadamente disso”.
Trump também destacou que os EUA estão “se dando muito bem” com o governo da presidente interina Delcy Rodríguez.
Primeiras vendas e acordos
Wright revelou que os EUA começaram a comercializar o petróleo da Venezuela já armazenado e, em seguida, venderão a produção futura, inclusive para refinarias norte-americanas adaptadas para processá-lo. As receitas serão depositadas em contas controladas pelo governo dos EUA.
De acordo com o Departamento de Energia (DoE), “os principais comerciantes de commodities e bancos globais” foram contratados para executar as operações e oferecer suporte financeiro.
Na terça-feira, Washington anunciou um acordo com Caracas para exportar inicialmente até US$ 2 bilhões em petróleo bruto para os EUA. O pacto sinaliza que o governo venezuelano está atendendo às exigências de Trump de abrir o setor às empresas norte-americanas, sob risco de uma intervenção militar maior.
Trump também declarou que espera que Delcy Rodríguez conceda aos EUA e às companhias privadas “acesso total” ao setor petrolífero venezuelano.
Perspectivas para a Venezuela
“O país possui recursos imensos e deveria ser uma potência energética rica, próspera e pacífica”, disse Wright, acrescentando que já negocia com empresas norte-americanas condições para que elas invistam na Venezuela e ampliem a produção a longo prazo.
A estatal PDVSA confirmou na quarta-feira que avança nas negociações com os EUA. Segundo o conselheiro Wills Rangel, os norte-americanos terão de pagar preços internacionais para adquirir o petróleo venezuelano.
O mercado reagiu à notícia: após a declaração de Wright, as ações das refinarias Marathon Petroleum, Phillips 66 e Valero Energy registraram alta entre 2,5% e 5%.
*Com informações da Reuters
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