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Otávio Preto

Otávio Preto

Formado em Jornalismo pela PUC-SP, atua como repórter no Money Times e no Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como analista de mídias sociais, com experiência em produção de conteúdo para diferentes plataformas digitais. Antes disso, foi repórter no site Monitor do Mercado.

EUA DE OLHO

Do silêncio branco ao xadrez global: como é viver na Groenlândia, país que virou palco da disputa geopolítica de Donald Trump

Com sol escasso no inverno, dias intermináveis no verão e uma população menor que a de muitas cidades brasileiras, a Groenlândia saiu do isolamento e entrou no centro da geopolítica global

Otávio Preto
Otávio Preto
15 de janeiro de 2026
11:29
Aurora boreal em Nuuk, na Groenlândia
Aurora boreal ilumina o céu da Groenlândia: fenômeno natural que, apesar de atrair turistas, faz parte da rotina de quem vive na maior ilha do mundo. - Imagem: iStock

Com invernos em que o sol nasce por volta das 11h e se põe às 15h, além de noites iluminadas pela aurora boreal, a Groenlândia entrou no radar de mais uma disputa geopolítica envolvendo Donald Trump. A rotina na maior ilha do mundo, que parecia (ou parecia) distante do noticiário intenso, agora passou a ocupar espaço no centro das atenções internacionais.

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Isolada geograficamente e marcada por um estilo de vida único, a Groenlândia desperta curiosidade: como é viver em um lugar onde o tempo parece correr em outro ritmo — e que, de repente, passou a atrair os olhares do mundo?

Um cotidiano de frio constante

Morar na Groenlândia significa aceitar que a natureza dita as regras. Em grande parte do território, o inverno domina o calendário. Estradas são raras, e barco, avião e até trenó fazem parte da rotina de deslocamento. A ligação entre cidades ocorre, na maioria das vezes, pelo ar ou pelo mar.

O frio é presença constante.

Com mais de dois terços da ilha acima do Círculo Polar Ártico, os termômetros registram médias de -34 °C no norte durante o inverno, enquanto no sul as temperaturas giram em torno de -7 °C. Nessa época do ano, a luz do sol aparece por apenas três horas, entre 11h e 15h.

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Groenlândia - iStock

No verão, o cenário muda parcialmente. As temperaturas ficam em torno de 4 °C no norte e 7 °C no sul. A principal diferença, no entanto, está na luz natural: se no inverno ela quase não aparece, nos meses mais quentes o sol simplesmente não se põe. Em algumas regiões, ele permanece visível por 24 horas, dando origem ao fenômeno conhecido como “sol da meia-noite”, que altera a rotina dos moradores, alonga os dias e embaralha a percepção do tempo.

Luz e escuridão moldam o dia a dia na Groenlândia

Na capital da Groenlândia, Nuuk, vivem pouco mais de 20 mil pessoas. Ao todo, cerca de 57 mil habitantes ocupam a imensa ilha boreal — população menor do que a de cidades brasileiras como:

  • Caldas Novas (GO)
  • Itapema (SC)
  • Ouro Preto (MG)
  • Foz do Iguaçu (PR)
  • São Roque (SP)

Entre verões de sol constante e invernos em que a luz natural quase desaparece, essa alternância extrema dita o ritmo da vida local, influenciando hábitos, rotinas e até o humor da população.

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No verão, festas começam tarde e terminam cedo — afinal, o dia parece não ter fim. Já no inverno, a vida se recolhe para dentro de casa, com encontros mais íntimos, leitura, música e refeições quentes.

Do lado de fora, a aurora boreal colore o céu. Para turistas, é um espetáculo raro; para quem vive na ilha, faz parte do cotidiano.

Aurora boreal em Nuuk, na Groenlândia - iStock

A maior ilha do mundo

Com mais de 2,1 milhões de km², a Groenlândia ostenta o título de maior ilha do mundo. Para efeito de comparação, seu território é maior do que a soma de França, Alemanha, Espanha e Itália.

Ainda assim, cerca de 80% da superfície é coberta por gelo, o que ajuda a explicar por que uma área tão extensa abriga uma população menor do que a de muitas cidades brasileiras.

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No mapa-múndi tradicional, porém, a Groenlândia parece maior do que realmente é. Essa distorção ocorre por causa da Projeção de Mercator, criada em 1596 para facilitar a navegação marítima. O modelo preserva ângulos e direções, mas amplia regiões próximas aos polos e reduz áreas próximas à linha do Equador.

Com isso, territórios como a Groenlândia e a Europa aparecem inflados, enquanto regiões como a África acabam subestimadas.

Abaixo, é possível comparar o tamanho real da Groenlândia com o restante do mundo:

Economia que vem do gelo (e do subsolo)

Tradicionalmente, a economia da Groenlândia gira em torno da pesca — com destaque para camarão e halibute —, da caça de subsistência e dos serviços públicos. Nos últimos anos, porém, o aquecimento global abriu novas rotas marítimas e aumentou o interesse por minerais estratégicos.

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Entre eles estão o lítio e os elementos de terras raras (ETRs), essenciais para tecnologias verdes, mas cuja exploração envolve desafios ambientais e de sustentabilidade.

Além disso, há potencial energético. O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que a costa nordeste da Groenlândia, incluindo áreas cobertas por gelo, concentra cerca de 31 bilhões de barris de petróleo equivalente em hidrocarbonetos.

É nesse contexto que a ilha entra no tabuleiro global.

Além dos recursos naturais, a Groenlândia ocupa a rota mais curta entre a Europa e a América do Norte — posição estratégica para o sistema de alerta de mísseis balísticos dos EUA.

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Donald Trump já manifestou interesse em ampliar a presença militar norte-americana na ilha ártica, incluindo a instalação de radares para monitorar as águas entre a Groenlândia, a Islândia e a Grã-Bretanha, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.

Groenlândia - iStock

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