Você conhece o CDI? É o indexador de ‘cofrinhos’, ‘caixinhas’ e ‘porquinhos’ — mas que o brasileiro não entende como funciona
Pesquisa mostra que a maior parte dos brasileiros já ouviu falar do CDI, mas não entende como funciona nos investimentos

As propagandas de “cofrinhos”, “caixinhas” e “porquinhos” estão por todos os lados: “rende 100% do CDI”, “110% do CDI”, ou até mesmo “115% do CDI”. Mas, afinal, o que significa render um percentual desse tal de CDI?
Embora esses cofrinhos e seus similares estejam entre os produtos financeiros mais populares da atualidade — se provando a versão digital mais rentável da caderneta de poupança —, uma pesquisa mostrou que a maior parte dos brasileiros não entende como funciona a rentabilidade atrelada ao CDI.
O estudo realizado pelo Instituto Locomotiva, a pedido da 99Pay, evidencia que existe uma lacuna significativa entre o reconhecimento de termos financeiros e a real compreensão do seu impacto no patrimônio pessoal.
Você já ouviu a palavra do CDI hoje?
De acordo com o levantamento, a sigla CDI (Certificado de Depósito Interbancário) já faz parte do vocabulário da grande maioria dos brasileiros bancarizados, sendo reconhecida por 84% dos entrevistados.
Contudo, a profundidade desse conhecimento é rasa: apenas 25% afirmam compreender de fato o significado por trás da sigla.
A pesquisa indica que 36% conhecem o termo "um pouco", enquanto 22% apenas ouviram falar e 16% admitem total desconhecimento sobre o assunto.
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O levantamento foi realizado com 1.800 brasileiros bancarizados, abrangendo a faixa etária de 18 a 65 anos. A amostra incluiu participantes de todas as regiões do país.

A discrepância se repete quando o questionamento é sobre a lucratividade automática oferecida pelos cofrinhos, caixinhas ou contas digitais atreladas ao CDI.
Embora 80% dos participantes declarem conhecer essa funcionalidade em algum nível, somente 22% dizem entender bem como o mecanismo funciona na prática.
Para o restante, o conhecimento é fragmentado:
- 35% entendem "um pouco";
- 23% apenas escutaram a expressão; e
- 20% não sabem do que se trata.
Descompasso entre popularidade e compreensão
Diante da alta dos juros, diversos bancos — entre tradicionais e digitais — têm disputado a atenção dos clientes oferecendo lucratividade automática. Há opções de contas rendeiras, “cofrinhos” para atrelar objetivos ou até mesmo produtos financeiros, como os CDBs (Certificados de Depósito Bancário).
O que eles têm em comum é a rentabilidade atrelada ao CDI. O tal do “100% do CDI”, “110% do CDI”, e por aí vai.
Entre os principais nomes que operam com esse modelo estão 99Pay (que pediu a pesquisa), Nubank, PicPay, Mercado Pago, PagBank, entre outros.
Para Luiz Landgraff, presidente da 99Pay, o resultado da pesquisa demonstra que a familiaridade com termos técnicos não se traduz em autonomia financeira.
O executivo pontua que, apesar de o brasileiro ter contato frequente com o termo CDI, ele ainda encontra dificuldades em transformar essa informação em decisões práticas de investimento.
O que é o CDI e o que significa “render 100% do CDI”?
CDI é um indicador de referência para investimentos de renda fixa. O seu valor é muito próximo da taxa básica de juros do país, a taxa Selic.
Dizer que um investimento rende “100% do CDI” significa que o retorno será o mais próximo possível do que os juros do país podem oferecer.
Atualmente, a taxa Selic é de 14,75% ao ano — seu patamar mais alto em quase duas décadas.
Retornos de 100% do CDI significam algo próximo de 14,65% por ano (pressupondo que a taxa Selic se mantenha no mesmo patamar por um período de 12 meses). Trata-se de uma rentabilidade muito alta, pouco vista em outros produtos financeiros.
As aplicações de renda fixa mais conservadora costumam render em torno de 100% do CDI, o que transformou o indicador numa espécie de parâmetro universal para todos os investimentos (ou quase isso, porque existem outros indicadores de referência.)
É muito comum ler e ouvir comparações dizendo: “rendeu mais que o CDI”, “rendeu menos que o CDI”. Isso porque o CDI serve de base para mensurar a rentabilidade de investimentos, uma vez que, para valer o risco, as aplicações precisam render mais que a renda fixa mais conservadora.
Atenção aos riscos
Isso não significa, no entanto, que investir em cofrinhos, caixinhas, CDBs ou outros produtos financeiros atrelados ao CDI seja livre de risco. O risco de uma aplicação financeira é o risco do seu emissor.
Por exemplo, um “cofrinho” do Mercado Pago. Para entender o risco é preciso saber onde o dinheiro é aplicado e qual a solidez financeira do Mercado Pago. Dessa forma é possível avaliar se a instituição financeira conseguirá te pagar.
Em geral, aplicações que rendem mais que 100% do CDI têm algum risco, e mesmo aquelas que pagam 100% do CDI requerem atenção.
O emissor ter um nome popular e conhecido não basta. É preciso entender quais as garantias que esse banco oferece para ter certeza de que ele vai conseguir te pagar um rendimento de 100% do CDI ou mais — o que, no Brasil, não é pouca coisa.
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