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Casa de análise cortou a exposição a FIIs nas carteiras moderadas e arrojadas, mas afirma: não é uma visão pessimista sobre o setor

Quem investe sabe que diferentes ativos podem levar ao mesmo destino. E, às vezes, o que muda não é o objetivo da viagem, mas o caminho escolhido para chegar lá. Foi essa lógica que levou a EQI Research a reduzir a exposição a fundos imobiliários (FIIs) nas carteiras recomendadas para o segundo semestre.
A casa reduziu a exposição à classe nos perfis moderado e arrojado e direcionou parte desses recursos para investimentos internacionais. Ao mesmo tempo, passou a enxergar mais valor nos títulos públicos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+.
A avaliação é que os FIIs continuam atrativos no médio e longo prazo.
O problema é que, hoje, a EQI avalia que os títulos públicos oferecem um prêmio considerado mais interessante para capturar o principal tema de investimento dos próximos anos: a queda dos juros reais (que desconta inflação) no Brasil.
"Renda fixa e fundo imobiliário não são a mesma coisa com outra roupa", diz a casa. Porém, os FIIs e os títulos indexados à inflação costumam reagir ao mesmo fator, quase em conjunto.
Quando os juros caem, tanto os FIIs quanto o Tesouro IPCA+ costumam se valorizar. É por isso que os dois investimentos disputam espaço na carteira de quem quer se posicionar para esse cenário.
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Da mesma forma, quando as expectativas de juros pioram, as duas classes também costumam sofrer.
É justamente essa semelhança que levou a EQI a comparar os dois investimentos.
Segundo Carol Borges, head da EQI Research, o investidor que deseja se posicionar para um futuro ciclo de cortes de juros tem hoje mais de uma alternativa para capturar esse movimento.
Mas, neste momento, a renda fixa oferece uma relação risco-retorno mais favorável. "O juro real de longo prazo abriu para a casa de 7,5% a 8% ao ano, o que permite travar um retorno elevado acima da inflação pelos próximos anos, a depender do vencimento escolhido. É um retorno real raro de ser encontrado", diz Borges em relatório.
Com a alta dos juros reais oferecidos pelo Tesouro IPCA+, a diferença entre o dividend yield pago pelos FIIs e o retorno oferecido pelos títulos públicos indexados à inflação caiu para o menor nível dos últimos cinco anos.
"Esse prêmio é o quanto o investidor recebe a mais para carregar risco imobiliário no lugar de um título público. Quando ele diminui, parte da vantagem do FII também cai.”
Em outras palavras, o investidor está recebendo cada vez menos para trocar a segurança do Tesouro Nacional pelo risco do mercado imobiliário.
Mas, aqui, a EQI ressalta que os FIIs ainda são um ótimo instrumento de investimento e tem uma vantagem que o título público não tem: o potencial de crescimento dos aluguéis, melhora da ocupação dos imóveis e valorização das cotas na bolsa.
"É um ganho de capital que o título público não entrega da mesma forma, já que ele apenas antecipa o combinado no vencimento no preço”, diz o relatório.
A EQI argumenta que essa valorização de preço é mais intensa nas cotas dos FIIs do que nos títulos públicos. É por isso que a casa não eliminou a posição em fundos imobiliários. O movimento foi apenas de redução, levando a alocação que estava um nível acima do neutro para o neutro.
Até porque, os dividendos dos FIIs continuam altos. Os fundos de papel estão entregando dividendos próximos de 13% ao ano, enquanto os fundos de tijolo distribuem algo perto de 10% ao ano — ambos acima da média histórica.
Para os investimentos internacionais — nada de Tesouro IPCA+.
A alocação em moeda estrangeira subiu de 15% para 20% em todos os perfis recomendados pela EQI. Nos portfólios moderado e arrojado, esse aumento foi financiado justamente pela redução da exposição a fundos imobiliários.
Para a EQI, como FIIs e títulos longos de renda fixa costumam andar na mesma direção no mercado brasileiro, eles oferecem pouca proteção entre si. O dólar, por outro lado, costuma funcionar como contrapeso.
Historicamente, a moeda norte-americana tende a ganhar força justamente quando os ativos domésticos enfrentam momentos mais difíceis ou quando os juros começam a cair.
A EQI também vê uma camada adicional de proteção diante da aproximação das eleições de 2026 e do potencial impacto desse processo sobre os mercados locais.
"É uma alocação que trabalha a favor no cenário de corte dos juros e ainda serve de defesa caso o cenário local piore.”
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