S&P volta a rebaixar o BRB e acende alerta sobre plano bilionário após crise ligada ao Banco Master
É o segundo corte da nota de crédito em menos de três meses; agência vê riscos crescentes na capitalização necessária para absorver perdas e estabilizar o banco

A deterioração da situação do Banco de Brasília (BRB) ganhou mais um capítulo nesta semana. Menos de três meses após um primeiro rebaixamento, a agência de classificação de risco S&P Global voltou a cortar a nota de crédito do banco — e elevou o tom do alerta sobre a necessidade de uma capitalização bilionária.
Na avaliação da agência, a instituição enfrenta um desafio cada vez mais complexo para absorver as perdas ligadas ao caso Banco Master — e qualquer atraso nessa operação pode ampliar os riscos para o futuro do banco.
A S&P reduziu o rating nacional do BRB para "brCCC+/brC", classificação reservada a instituições consideradas vulneráveis e que dependem de condições financeiras, econômicas e de mercado favoráveis para cumprir seus compromissos.
O novo rebaixamento ocorre em meio às incertezas que cercam a necessidade de uma capitalização bilionária do banco após os desdobramentos envolvendo o Banco Master.
A decisão da S&P sinaliza que o mercado passou a enxergar riscos crescentes na capacidade de execução do plano desenhado para absorver as perdas e restaurar a solidez financeira do BRB.
"Os riscos de execução associados ao plano de capitalização passaram a ser o principal desafio do banco diante das perdas decorrentes dos eventos recentes", afirmou a agência, em relatório.
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Em março deste ano, a S&P já havia rebaixado o BRB para "brB-/brB". Agora, a nova redução leva a instituição para uma faixa ainda mais baixa da escala de classificação de risco.
O peso do caso Banco Master sobre o BRB
Na avaliação da agência, o aumento das incertezas sobre o BRB está diretamente ligado aos desdobramentos que se seguiram à Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025.
Segundo a S&P, desde então o banco passou a enfrentar uma combinação de fatores que pressionam sua situação financeira.
Isso inclui questionamentos envolvendo a aquisição de ativos considerados fraudulentos do Banco Master, investigações relacionadas à conduta de executivos, fragilidades de governança corporativa, potenciais conflitos de interesse e a necessidade de levantar capital para absorver perdas.
Esse cenário decorre da tentativa do BRB de adquirir parte do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, em 2025. A operação foi anunciada em março do ano passado, mas acabou rejeitada pelo Banco Central após meses de análise.
Pouco tempo depois, a Polícia Federal iniciou as investigações que culminaram na Operação Compliance Zero.
Vorcaro foi preso preventivamente pela primeira vez em novembro de 2025. Após deixar a prisão por um breve período, voltou a ser detido em março deste ano.
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Socorro bilionário ao BRB pode não ser suficiente, diz S&P
No fim de maio, uma tentativa de estabilizar a situação do BRB ganhou forma. O Governo do Distrito Federal e o governo federal firmaram um acordo para viabilizar um pacote de apoio que prevê um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Apesar disso, a S&P considera que a solução está longe de eliminar os riscos. Para a agência, a operação depende de uma estrutura complexa, sujeita a condições de mercado, repasses de recursos públicos e articulações institucionais que ainda precisam ser concluídas.
"Esse cenário eleva o risco de atrasos e incertezas em um horizonte de tempo exíguo, diante da necessidade de capitalização estimada entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões", afirmou a agência.
Segundo a S&P, eventuais atrasos no cronograma ou insuficiência de recursos para absorver as perdas podem aumentar significativamente o risco de liquidação da instituição.
O que o Distrito Federal colocou na mesa
Como contrapartida ao pacote de socorro, o Governo do Distrito Federal assumiu uma série de compromissos de ajuste fiscal.
Entre as medidas acordadas estão o congelamento de reajustes salariais, a suspensão de novos concursos públicos, restrições à contratação de pessoal, limitações ao crescimento de despesas obrigatórias e a contenção da concessão de incentivos fiscais.
Além disso, em caso de inadimplência, o governo do DF ofereceu como garantia recursos provenientes do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Ainda assim, para a S&P, o sucesso da operação continua condicionado à capacidade de executar um plano de capitalização robusto em um prazo considerado apertado — fator que levou a agência a promover o segundo rebaixamento consecutivo do BRB em menos de um trimestre.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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