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O QUE MUDA AGORA

Ri Happy é vendida pela gestora SPX e tem novo CEO menos de um mês depois de divulgar nova estratégia

A varejista de brinquedos deixa de ser controlada por fundos de investimento e o novo CEO já foi presidente da companhia por oito anos no passado

hector nunez ceo grupo ri happy e, ao fundo, fachada da loja do morumbi
Héctor Núñez, CEO do Grupo Ri Happy - Imagem: Divulgação/Montagem: Giovanna Figueredo

Pouco menos de um mês se passou desde que o Grupo Ri Happy divulgou a nova estratégia de crescimento em meio às mudanças de consumo, focada em diminuir o espaço para a venda de produtos e aumentar a prestação de serviços nas lojas físicas. Mas a arrumação da casa saiu da vitrine e chegou nos bastidores: agora, foi a vez de uma troca de cadeiras na posição de CEO, e de uma mudança no controle da companhia.

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Desde 2021, o Grupo Ri Happy, composto pelas marcas Ri Happy, PBKids e Divertudo — recém-lançada —, fazia parte do portfólio de ativos da SPX Capital, gestora que administra mais de R$ 45,6 bilhões.

A empresa era herança do fundo global Carlyle, controlador da Ri Happy desde 2012. Quando o fundo encerrou as operações no Brasil, a SPX assumiu a gestão, incluindo a varejista de brinquedos.

Porém, essas questões societárias agora ganham um novo capítulo. Na última segunda-feira (31), a SPX vendeu totalmente o Grupo Ri Happy para uma outra empresa novata no mercado: a holding BluSun Capital, criada há 12 dias.

Os detalhes financeiros da operação não foram divulgados, mas a venda encerra um período de 14 anos da companhia sendo controlada por fundos de investimento.

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Além disso, a venda foi paralela a outra mudança importante no controle da empresa: a troca de CEOs.

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Thiago Rebello, que estava na presidência do grupo desde janeiro de 2024, deixa o cargo para um nome que já é figurinha repetida na Ri Happy. Quem assume o comando da varejista é Héctor Núñez, executivo cubano que foi CEO do grupo entre os anos de 2012 e 2020.

Cabe destacar que a empresa que comprou o Grupo Ri Happy, a BluSun, tem Núñez como um dos sócios.

Em nota, a nova controladora afirmou que “o novo momento marca o retorno de Núñez a um negócio que ele conhece em profundidade, agora com uma perspectiva de longo prazo e foco na evolução do negócio”.

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Quem é o novo-velho executivo?

O novo CEO Héctor Núñez nasceu em Cuba, cresceu nos Estados Unidos e se mudou para o Brasil na década de 90.

Ele tem passagem por diferentes companhias: foi CEO do Walmart Brasil entre 2006 e 2010, atuou como consultor de varejo no Carlyle — o fundo que controlou a Ri Happy por nove anos — entre 2010 e 2012, além de ter participado do conselho de outras varejistas, como Vulcabras, Marisa e RD Saúde.

Antes de voltar para a Ri Happy, ele estava na presidência da Novonor, antiga Odebrecht.

Em publicação no LinkedIn, o antigo presidente do grupo, Thiago Rebello, afirmou que o retorno de Núñez será “muito importante para o futuro da companhia” e que, agora, com a saída da SPX, a Ri Happy volta a ser “uma empresa de dono”.

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Os planos da Ri Happy

Nesse mesmo post de LinkedIn, Rebello afirmou que chegou ao Grupo Ri Happy em um momento particularmente complexo.

“Havia muito a fazer: reestruturar, simplificar, recuperar a operação, reconstruir confiança e voltar a criar condições para pensar no futuro”, disse.

No último mês, o antigo CEO apresentou uma nova estratégia de negócios da varejista em resposta às mudanças de consumo dos brasileiros, chamada de Reset, com uma série de novas iniciativas nas lojas físicas e no varejo digital.

Entre as medidas nos espaços físicos, a Ri Happy vinha apostando na diminuição do varejo de brinquedos para dividir espaço com brinquedotecas, cafés, salas de jogos de tabuleiro e buffets de festas infantis.

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Em entrevista ao Seu Dinheiro realizada em agosto, o antigo presidente afirmou que toda essa estratégia da Ri Happy teve inspiração na maior rede norte-americana de farmácias, a CVS.

Em uma fase de testes, as iniciativas aumentaram as vendas por metro quadrado em 77% o tempo de permanência médio do cliente de 11 para 42 minutos.

Já no ambiente digital, o foco de Rebello estava nas entregas rápidas e implementou parcerias com aplicativos de delivery e marketplaces como iFood, Shopee, TikTok Shop, 99 e Rappi.

Como fica agora

Segundo a BluSun, nova controladora do grupo, a prioridade imediata da gestão será a operação e a execução do principal período comercial do varejo infantil, que reúne Dia das Crianças, Black Friday e Natal.

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A empresa também afirmou que dará início ao planejamento da próxima etapa de desenvolvimento, com foco na experiência do cliente, mas sem abrir detalhes.

Procurada pelo Seu Dinheiro para entender se a estratégia divulgada em agosto continua valendo, a holding recém-criada afirmou que quer primeiro “conhecer profundamente a companhia, acompanhar a operação e ouvir colaboradores, clientes, franqueados, fornecedores e parceiros”.

A empresa também colocou como meta ter a melhor sazonalidade da história, apesar de não divulgar projeções.

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