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Safra volta a recomendar Bradsaúde (SAUD3) após tombo na bolsa. Por que o banco vê espaço para alta de mais de 35%?

Analistas retomam cobertura da ação com recomendação outperform e destacam combinação que pode destravar valor nos próximos anos

Fachada da sede da Bradsaúde (SAUD3), na Avenida Paulista, em São Paulo.
Fachada da sede da Bradsaúde (SAUD3), localizada na Avenida Paulista, em São Paulo. - Imagem: Divulgação / Montagem Seu Dinheiro.

A Bradsaúde (SAUD3) levou um tombo de cerca de 14% na bolsa desde a divulgação do balanço do segundo trimestre. Mas, na visão do Safra, a queda pode ter criado justamente o ponto de entrada que faltava para a tese da companhia. 

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O banco acaba de retomar a cobertura da companhia com uma visão mais otimista: elevou a recomendação de neutra para outperform, equivalente à compra, e estabeleceu preço-alvo de R$ 19 por ação, o que implica um potencial de valorização de cerca de 37% em relação ao fechamento anterior. 

A aposta, porém, não está apenas na recuperação da cotação em bolsa.  

O Safra estima um retorno com dividendos (dividend yield) médio de 9,7% entre 2026 e 2030, enquanto a ação é negociada a 8,2 vezes o lucro projetado para 2027 — um desconto de aproximadamente 40% em relação à Rede D’Or. 

O que o Safra enxerga na Bradsaúde (SAUD3) 

Por trás da recomendação está a avaliação de que o mercado ainda está assimilando a nova configuração da Bradsaúde e, principalmente, os números de seu primeiro balanço consolidado.  

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A companhia reúne, em uma única empresa listada, algumas das principais franquias da saúde privada brasileira: Bradesco Saúde, Odontoprev, uma participação de 24,9% na Fleury e a plataforma hospitalar Atlântica, construída em parceria com operadores como Rede D’Or, Einstein e Mater Dei.  

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Na leitura do Safra, essa combinação reúne três ingredientes que ajudam a sustentar a tese: retorno elevado, capacidade de distribuir dividendos e novas fontes de crescimento.  

E é justamente a Atlântica que pode ganhar cada vez mais espaço nessa equação à medida que os projetos hospitalares amadurecem.  

O balanço que derrubou a ação 

No segundo trimestre, a Bradsaúde teve um lucro líquido de R$ 1,11 bilhão, alta de 25% em um ano, e um retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 25,8% nos últimos 12 meses. 

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Mas nem sempre um lucro maior é suficiente para agradar os investidores — é preciso entender de onde ele veio. E foi justamente a composição do resultado que ajudou a explicar a queda de cerca de 14% de SAUD3 após o balanço. 

O principal ponto de atenção foi a sinistralidade médica da operação de saúde, que chegou a 86,2% no trimestre, alta de 1,5 ponto percentual em 12 meses. Ao mesmo tempo, o resultado financeiro ganhou força e alcançou R$ 930 milhões, avanço de 29% na comparação anual.  

Com isso, surgiu entre investidores o questionamento sobre quanto do crescimento do lucro vinha da operação e quanto era sustentado pelos investimentos financeiros. 

O Safra, porém, afirma que é preciso separar o que efetivamente piorou no trimestre dos efeitos de mix, sazonalidade e composição dos produtos. 

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No lado comercial, a fotografia foi mais favorável. A Bradsaúde adicionou 301 mil vidas líquidas nos últimos 12 meses, recorde da companhia, e cerca de um terço desse crescimento veio das pequenas e médias empresas (PMEs), segundo a administração. 

Esse movimento é relevante para a tese porque as PMEs apresentam sinistralidade estruturalmente menor, na faixa dos 70%, contra os 80% das grandes contas corporativas. 

Além disso, os novos produtos destinados a esse público já incorporam mecanismos de coparticipação, o que tende a melhorar o compartilhamento dos custos médicos. 

Na avaliação do Safra, portanto, o crescimento da carteira — especialmente onde o perfil de risco é mais favorável — pode ajudar a companhia a expandir os resultados sem necessariamente sacrificar a rentabilidade. 

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De olho nos dividendos 

A combinação entre crescimento e retorno também sustenta a tese do Safra para SAUD3. 

A Bradesco Saúde, principal negócio do grupo, apresentou ROE de 40,7% em 2025, acima dos 36,5% das três maiores seguradoras combinadas e muito acima dos 10,9% registrados pelo restante da indústria. 

O Safra vê espaço para preservar essa rentabilidade por meio de algumas alavancas. Os reembolsos ainda representam cerca de 11% dos sinistros, cerca de três vezes o nível observado no mercado.  

Já a recuperação por coparticipação está abaixo do mercado, o que deixa espaço para ganhos à medida que os novos produtos com coparticipação ganhem participação, segundo os analistas. 

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A mudança no mix também joga a favor, com maior peso das PMEs, além de uma reorganização da gestão de sinistros apoiada por dados da Orizon e novas tabelas de remuneração de prestadores. 

Nas projeções do Safra, o lucro líquido da Bradsaúde deve passar de R$ 4,6 bilhões em 2026 para R$ 6,4 bilhões em 2030, crescimento médio de 8% ao ano. O resultado operacional avançaria mais rapidamente, a uma taxa anual de 13%. 

Para o acionista, o banco estima dividend yield de 9,5% em 2027, chegando a 12,4% em 2030, enquanto o ROE deve permanecer entre 26% e 28% ao longo do período. 

A próxima avenida de crescimento da Bradsaúde 

Atlântica aparece como uma das principais apostas para o crescimento da Bradsaúde daqui para frente. 

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A plataforma hospitalar chegou a 21 hospitais e 4.101 leitos contratados. Os projetos têm R$ 5,1 bilhões em capex comprometido, dos quais R$ 2,8 bilhões já foram investidos. 

O resultado de equivalência patrimonial da Atlântica alcançou R$ 64 milhões no segundo trimestre, alta de 312% em um ano. Com isso, a participação da plataforma no lucro consolidado passou de 2% para 6% em apenas um ano. 

Para o Safra, esse ainda é o começo da história. O banco estima que a Atlântica responda por pouco mais de 10% dos lucros consolidados até 2030, à medida que os 1.198 leitos ainda não inaugurados entrem em operação. 

A lógica é que o negócio de seguros gere capital para financiar uma plataforma hospitalar que, quando madura, pode ser avaliada pelo mercado a múltiplos superiores aos das seguradoras. 

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O que falta para SAUD3 destravar? 

Há, contudo, uma peça importante para que essa tese chegue ao preço da ação: fazer com que o mercado atribua valor a todos esses negócios. 

Antes do balanço do segundo trimestre, a ausência de demonstrações consolidadas era um dos principais pontos de resistência entre investidores, segundo o Safra.  

Agora, com os números publicados, o banco acredita que o mercado começa a reconstruir seus modelos e a entender melhor a composição dos resultados. 

Outro obstáculo é a liquidez. O free float da Bradsaúde — ações efetivamente em circulação no mercado — está em apenas 8,65%. A B3 autorizou a manutenção desse nível até outubro de 2027, quando a companhia deverá restabelecer o mínimo exigido pela bolsa: 15% sob o critério de liquidez ou 20% caso não atenda a esse requisito. 

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Para o Safra, o follow-on esperado representa um potencial excesso de oferta de ações no curto prazo, mas também pode ampliar a base de investidores institucionais e abrir caminho para uma futura inclusão em índices. 

A própria composição dos lucros pode ajudar nessa reprecificação. Conforme a Atlântica aumente sua participação nos resultados, uma parcela maior do lucro da Bradsaúde virá de hospitais — um negócio que costuma negociar a múltiplos superiores aos das seguradoras. 

Hoje, a diferença é relevante: a Bradsaúde negocia a 8,2 vezes o lucro projetado para 2027, contra cerca de 13,8 vezes da Rede D’Or. 

Na visão do Safra, demonstrações consolidadas mais claras, maior free float, crescimento da Atlântica e maior participação dos hospitais nos resultados podem ajudar a reduzir parte desse desconto. 

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