Revolut busca valuation de US$ 115 bilhões — quase dois Nubanks; BTG revela o que o mercado está vendo na fintech britânica
A rival europeia tem menos clientes, menos receita e menos lucro, mas pode receber um valuation muito superior ao do banco digital roxinho. Os analistas explicam o porquê

Mais clientes, mais receita, mais lucro e uma carteira de crédito muito maior. Em praticamente todas as métricas operacionais, o Nubank supera a Revolut. Ainda assim, a fintech britânica agora ameaça assumir o posto de queridinha dos investidores.
Segundo informações da Bloomberg, a Revolut estuda uma nova venda secundária de ações que pode avaliar a companhia em até US$ 115 bilhões.
A operação permitiria que funcionários e investidores antigos vendessem participações, repetindo o movimento realizado no ano passado, quando a companhia foi avaliada em US$ 75 bilhões.
Se confirmada, a cifra colocaria a fintech europeia valendo praticamente o dobro do Nubank, cuja capitalização de mercado gira em torno de US$ 60 bilhões após uma queda de cerca de 28% das ações neste ano.
A diferença chama atenção porque, em vários indicadores operacionais, o Nubank continua sendo maior. Tem mais clientes, gera mais receita, possui uma carteira de crédito mais robusta e entrega lucro superior ao da rival britânica.
Então, por que o mercado estaria disposto a pagar quase duas vezes mais pela Revolut?
Leia Também
Foi justamente essa aparente contradição que levou o BTG Pactual a colocar as duas empresas lado a lado.
Por que a Revolut vale tanto?
A resposta do BTG começa justamente onde termina a semelhança entre as duas fintechs.
À primeira vista, Nubank e Revolut parecem produtos da mesma revolução financeira. Ambas nasceram para desafiar os bancos tradicionais, cresceram apoiadas na experiência digital e conquistaram dezenas de milhões de clientes em poucos anos.
Mas, à medida que amadureceram, passaram a seguir estratégias bastante diferentes.
Enquanto o Nubank aprofundou sua aposta no crédito como principal motor de crescimento, a Revolut buscou construir uma plataforma mais diversificada, menos dependente de empréstimos e mais apoiada em receitas de serviços.
“O Nubank permanece mais focado em crédito e na América Latina, enquanto a Revolut tem um perfil de monetização mais global e leve em ativos, abrangendo câmbio, pagamentos, assinaturas, investimentos, cripto e contas empresariais”, avalia o BTG.
Isso bate diretamente na forma como o mercado precifica cada empresa. Afinal, emprestar dinheiro costuma ser uma atividade altamente lucrativa, mas exige capital, aumenta a exposição à inadimplência e torna os resultados mais sensíveis aos ciclos econômicos.
Já receitas vindas de serviços financeiros tendem a exigir menos balanço e menos consumo de capital regulatório.
É justamente aí que a Revolut parece conquistar o mercado. Enquanto aproximadamente 76% das receitas da fintech britânica vêm de taxas e serviços, no Nubank essa participação é de apenas 15%, segundo os cálculos do BTG.
Em outras palavras, a empresa britânica ganha uma parcela muito maior de seu dinheiro sem precisar correr o risco de carregar crédito no balanço.
Nubank: maior, mais lucrativo e, ainda assim, mais barato
Sob diversos aspectos, o Nubank continua sendo a maior empresa. Em 2025, a fintech fundada por David Vélez encerrou o ano com 131 milhões de clientes, mais que o dobro dos 63,8 milhões da Revolut.
A carteira de crédito também mostra uma distância significativa. O Nubank possui US$ 32,7 bilhões em empréstimos, contra apenas US$ 2,9 bilhões da rival europeia.
Em termos financeiros, no ano passado, o Nubank gerou US$ 15,8 bilhões em receitas e registrou lucro líquido de US$ 2,9 bilhões. A Revolut, por sua vez, reportou receitas de US$ 5,9 bilhões e lucro de US$ 1,7 bilhão.
Os números ajudam a explicar por que o possível valuation de US$ 115 bilhões chamou tanta atenção dos investidores.
Afinal, a empresa que vale mais é justamente aquela que possui menos clientes, menos receitas e menos lucro.
Nubank x Revolut: o que o mercado parece estar comprando
Para o BTG, a explicação passa menos pelo presente e mais pela expectativa de longo prazo.
A Revolut vem sendo cada vez mais enxergada como uma plataforma financeira global, capaz de monetizar diversas atividades financeiras ao redor do mundo sem necessariamente depender da expansão de crédito.
Essa percepção aparece em alguns indicadores. Hoje, os clientes da Revolut mantêm mais de US$ 65 bilhões em depósitos e saldos na plataforma. No Nubank, esse número gira em torno de US$ 42 bilhões.
O valor médio por cliente também chama atenção. Enquanto os usuários da fintech britânica mantêm cerca de US$ 1.000 cada na plataforma, o tíquete médio do Nubank fica próximo de US$ 320.
Para os analistas, esses indicadores ajudam a explicar por que a Revolut vem sendo precificada de forma tão diferente do Nubank.
Mais do que um banco digital, a fintech britânica passou a ser enxergada por parte do mercado como uma plataforma financeira global, capaz de gerar receitas em múltiplas frentes.
Segundo o BTG, essa percepção tem impacto direto sobre quanto os investidores estão dispostos a pagar pela companhia.
Na prática, o mercado parece atribuir um prêmio à capacidade da Revolut de crescer sem depender, na mesma intensidade, da expansão do crédito e da exposição à inadimplência.
Pelos cálculos do BTG, o valuation de US$ 115 bilhões cogitado para a venda secundária da Revolut implicaria múltiplos de aproximadamente 17,4 vezes o patrimônio líquido e 67,8 vezes o lucro projetado da fintech britânica.
Para efeito de comparação, o Nubank negocia atualmente a cerca de 5,2 vezes o patrimônio e 20,5 vezes o lucro, segundo os analistas.
CRESCIMENTO BOM PRA CACHORRO
Petz Cobasi (AUAU3) tem mais dinheiro em caixa — vêm mais dividendos por aí? Entenda os planos da empresa para gerar mais retorno
9 de setembro de 2026 - 6:11FAXINA NO ARMÁRIO
Enjoei (ENJU3) vai desapegar dos centavos com grupamento de ações na razão de 10 para 1
8 de setembro de 2026 - 20:04TROCA DE GUARDA
Marcos Cruz assume oficialmente como CEO da Tenda (TEND3); saiba o que muda na construtora
8 de setembro de 2026 - 19:15TESOURA NAS ESTIMATIVAS
BofA corta apostas em bancos, mas vê espaço para alta em Itaú, BTG e mais 3 ações; veja quais
8 de setembro de 2026 - 18:24EXPANSÃO INTERNACIONAL
Inter chega à Argentina com conta em dólar e acesso a Wall Street; veja o que está por trás da estratégia
8 de setembro de 2026 - 16:23ASSÉDIO ELEITORAL?
“Vocês vão ter que arranjar outro emprego”: a frase que levou o MPT para cima do “Véio da Havan”.
8 de setembro de 2026 - 11:11INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Sucessor de Warren Buffett diz como Berkshire Hathaway vai ganhar dinheiro com IA (a resposta não está só na bolsa)
7 de setembro de 2026 - 15:35FILHA DO DIVÓRCIO
Farm vale mais que a Azzas (AZZA3) na bolsa? Marca deve receber propostas neste mês após ruptura entre Arezzo e Soma, diz jornal
7 de setembro de 2026 - 10:35FALÊNCIA
190, 192 e 193: Anatel autoriza venda da telefonia fixa da Oi (OIBR3) por R$ 60 milhões
7 de setembro de 2026 - 9:20DE OLHO NAS DÍVIDAS
Adeus, CSN Cimentos? Novo CEO da CSN (CSNA3) prepara venda de ativos bilionários, diz jornal
6 de setembro de 2026 - 12:55PODCAST TOUROS E URSOS
Por que tantas empresas estão quebrando no Brasil?
6 de setembro de 2026 - 11:15AGENTES DE IA
O próximo concorrente de Visa e Mastercard pode não ser um banco, mas uma inteligência artificial
5 de setembro de 2026 - 14:55BENEFÍCIOS
A próxima batalha dos bancos é pelo mercado de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA)
5 de setembro de 2026 - 13:22PERDEU O ENTUSIASMO
Intelbras (INTB3): ação ainda pode subir 22%, mas JP Morgan já não recomenda compra; confira os motivos
4 de setembro de 2026 - 17:42GORDURA NO CAPITAL?
Méliuz (CASH3) diz que tem capital demais e quer ‘cortar’ R$ 160 milhões da própria conta; entenda
4 de setembro de 2026 - 16:37Conteúdo BTG Pactual
Em busca do próximo milionário: A maior competição de trading do país encerra as inscrições em 6 de setembro; veja como se inscrever
4 de setembro de 2026 - 16:00TOUROS E URSOS #286
Casas Bahia, Habib’s e mais: por que tantas empresas no Brasil estão quebrando?
4 de setembro de 2026 - 15:33MUDANÇAS EM BRASÍLIA
IRB (IRBR3): essa mudança de lei pode colocar mais de 20% de valorização no bolso de quem tem a ação; entenda
4 de setembro de 2026 - 11:02NOVA PROVA DE FOGO?
Sabesp (SBSP3) decepcionou no 2T26, mas ação ainda pode subir 40%; XP revela o que falta para destravar a alta
4 de setembro de 2026 - 10:30EXPANSÃO INTERNACIONAL