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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

PRÉVIA DOS BALANÇOS

Quem aguenta o tranco? Itaú e Bradesco no topo, Banco do Brasil na berlinda. O que esperar dos resultados dos bancos no 4T25

Santander abre a temporada e dá o tom para Itaú, Bradesco, BB e Nubank; veja as apostas dos analistas

Camille Lima
Camille Lima
3 de fevereiro de 2026
6:12 - atualizado às 10:07
Imagem criada por inteligência artificial para ilustrar os balanços dos grandes bancos, Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil.
Imagem criada por inteligência artificial para ilustrar os balanços dos grandes bancos, Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. - Imagem: Dall-E/ChatGPT/Montgem Seu Dinheiro

Se você achou que o mercado daria uma trégua depois da última temporada de balanços, é melhor se preparar: a calmaria durou pouco. Antes mesmo do Carnaval — o grande marco informal do início do ano dos brasileiros —, os grandes bancos colocam o bloco na rua para apresentar os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25). 

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A maratona começa já nesta semana. O Santander Brasil (SANB11) abre oficialmente a temporada na quarta-feira (4), antes da abertura do mercado.  

No mesmo dia, após o fechamento do pregão, será a vez do Itaú Unibanco (ITUB4) divulgar seus resultados. Na quinta-feira (5), o Bradesco (BBDC4) encerra a semana com seus números, também depois do fim das negociações. 

Na semana seguinte, entram em cena o BTG Pactual (BPAC11) e o Banco do Brasil (BBAS3), dois bancos que chegam nesta temporada em momentos bem distintos. 

Por fim, quem fecha o ciclo do quarto trimestre de 2025 é o Nubank (ROXO34), no dia 25 de fevereiro, também depois do fechamento dos mercados. 

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O calendário de balanços dos bancos no 4T25: 

Nome Ticker Data Horário de divulgação 
Santander Brasil SANB11 04/02/2026   Antes da abertura 
Itaú Unibanco ITUB4 04/02/2026 Após o fechamento 
Banco Bradesco BBDC4 05/02/2026 Após o fechamento 
Banco BTG Pactual BPAC11 09/02/2026 Antes da abertura 
Inter  INBR32  10/02/2026  Antes da abertura 
Banco do Brasil BBAS3 11/02/2026 Após o fechamento 
Nubank ROXO34 25/02/2025 Após o fechamento 
Fonte: Site de RI das empresas. 

O que esperar do balanço dos bancos no 4T25? 

Para o quarto trimestre, o consenso dos analistas aponta para um trimestre ainda sólido do setor financeiro, beneficiado pela sazonalidade típica do fim do ano, que costuma ajudar os volumes, sustentar a margem financeira (NII) e reforçar as receitas com tarifas.  

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A inadimplência, por ora, está sob controle, sem sinais claros de deterioração relevante. 

Mas o pano de fundo segue desafiador para este ano. O elevado endividamento das famílias, combinado a juros ainda altos, mantém a qualidade dos ativos no radar — especialmente quando o olhar já começa a se deslocar para 2026. 

Junto com os balanços, os grandes bancos divulgarão guidances para os próximos 12 meses — e é ali que o jogo começa a ficar mais interessante.  

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As projeções devem dar o tom do crescimento do setor em 2026, trazendo sinais sobre expansão da carteira de crédito, qualidade dos ativos e evolução das despesas. 

Outro ponto sensível nesta temporada é o impacto indireto da crise do Banco Master e sua relação com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — tema que tende a aparecer nas teleconferências e nas leituras mais finas dos balanços, segundo os analistas. 

Afinal, ainda não se sabe quanto exatamente quanto a crise no Master irá custar aos grandes bancos, que deverão contribuir para recompor o caixa do FGC. 

Consignado privado, otimização da rede física e ganhos de eficiência também devem aparecer no radar dos investidores em 2026. 

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Bancos tradicionais: forças desiguais, mas sem surpresas 

Entre os grandes bancos, o Itaú deve mais uma vez confirmar sua fama de “relógio suíço”. O mercado espera crescimento sólido da carteira de crédito, qualidade de ativos estável e mais um fechamento de ano sem sustos. 

O Bradesco, por sua vez, deve reforçar a narrativa de recuperação gradual. A combinação de dinamismo comercial, risco de crédito administrável, bom desempenho em seguros e melhora consistente da rentabilidade sustenta a visão de que o plano de transformação começa a entregar resultados. 

No meio do caminho, o Santander Brasil deve apresentar um trimestre estável. O crescimento da carteira deve vir principalmente de pessoa física e pequenas e médias empresas, enquanto a sazonalidade mais favorável dos serviços ajuda a manter a rentabilidade próxima à do trimestre anterior. 

Na contramão, o Banco do Brasil entra na temporada sob pressão. A desaceleração do crédito corporativo e do agronegócio, somada a provisões ainda elevadas, deve limitar a recuperação da rentabilidade — mesmo com crescimento da margem financeira e despesas mais controladas. 

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Nubank e mercado de capitais: histórias à parte 

No universo digital, o Nubank segue como ponto fora da curva. O forte crescimento da carteira de crédito continua sustentando os resultados, reforçado pela expansão da margem financeira ajustada ao risco e por indicadores operacionais sólidos no México. 

O Inter também deve entregar mais uma série de resultados positivos, com expansão da carteira de crédito, em mais um passo rumo ao ambicioso plano 60-30-30.

Já no segmento de mercado de capitais, o BTG Pactual deve manter o protagonismo, combinando bom desempenho operacional e rentabilidade elevada.  

A XP, por outro lado, ainda deve enfrentar um ambiente de crescimento mais contido de receitas, segundo os analistas. 

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O que esperar dos balanços dos grandes bancos no 4T25: 

Empresa Projeções - Lucro líquido - Bloomberg Projeções - Rentabilidade (ROE) - Média Seu Dinheiro 
Santander Brasil (SANB11) R$ 4,066 bilhões 17,5% 
Itaú Unibanco (ITUB4) R$ 12,210 bilhões 24,2%  
Banco Bradesco (BBDC4) R$ 6,397 bilhões 15,2% 
Banco BTG Pactual (BPAC11) R$ 4,673 bilhões 27,6% 
Inter R$ 367 milhões15,2%
Banco do Brasil (BBAS3) R$ 4,019 bilhões 8,7% 
Nubank (ROXO34) US$ 882 milhões  32,4% 
Fonte: Consenso Bloomberg e média das projeções compiladas pelo Seu Dinheiro. 

O que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11)? 

  • Data de divulgação do balanço: 04 de fevereiro - antes da abertura 
  • Lucro líquido ajustado projetado: R$ 4,066 bilhões (+5,5% a/a) 
  • Rentabilidade (ROE) prevista: 17,5% 

Na visão dos analistas, o Santander deve entregar crescimento moderado da carteira, em linha com sua estratégia mais seletiva. A expansão tende a vir de cartões para alta renda, crédito imobiliário e pequenas e médias empresas (PMEs). 

As margens com clientes devem ficar estáveis, enquanto a tesouraria pode pressionar o resultado de mercado.  

Nas palavras da XP, será “um trimestre sólido para fechar um ano positivo”. Por outro lado, os analistas preveem dinâmicas mais fracas nas carteiras de rural, consignado e crédito pessoal. 

Embora a qualidade de ativos não deva apresentar uma deterioração relevante, a pressão em cartões de baixa renda e PMEs deve permanecer. 

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No entanto, a recuperação do ROE em direção aos 20% ainda deve ficar para depois, segundo os analistas. 

Vale lembrar que o Santander não divulga guidance anual. 

"Olhando à frente, 2026 deve trazer uma melhora gradual da rentabilidade, apoiada por recuperação da margem financeira líquida (NII) e qualidade de crédito estável, enquanto ganhos mais expressivos são esperados a partir de 2027”, avalia a XP. 

Sem surpresas no Itaú Unibanco (ITUB4) 

  • Data de divulgação do balanço: 04 de fevereiro - depois do fechamento 
  • Lucro líquido ajustado projetado: R$ 12,210 bilhões (+15,6% a/a) 
  • Rentabilidade (ROE) prevista: 24,2% 

Sem grandes surpresas à vista. O Itaú Unibanco (ITUB4) deve encerrar o ano com crescimento consistente do crédito, margens resilientes e qualidade de ativos estável, segundo os analistas.  

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Segundo o BofA, a margem financeira de clientes deve continuar crescendo mais rápido do que a carteira de crédito, impulsionada por melhora no mix, reprecificação e juros mais elevados. Já a margem de mercado deve se normalizar, após ganhos extraordinários com tesouraria no trimestre passado. 

Para os analistas, o foco do mercado estará menos no trimestre e mais no guidance para 2026 — especialmente em crédito e despesas. 

Bradesco (BBDC4): recuperação ganha tração 

  • Data de divulgação do balanço: 05 de fevereiro - depois do fechamento 
  • Lucro líquido ajustado projetado: R$ 6,397 bilhões (+18,4% a/a) 
  • Rentabilidade (ROE) prevista: 15,2% 

O mercado aposta no oitavo trimestre consecutivo de melhora do lucro e do ROE do Bradesco (BBDC4). Receitas fortes, risco sob controle e avanço do plano de transformação sustentam a visão positiva. 

"Esperamos que o 4T25 reforce nossa visão de que o banco parece ligeiramente adiantado em relação ao cronograma de seu plano de turnaround, o que permite ao Bradesco usar parte desse ‘colchão’ para proteger seu balanço e acelerar os investimentos previstos no plano”, avalia a XP. 

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Na visão do Bank of America, os resultados devem ser sustentados por geração sólida de receitas, qualidade de ativos estável e continuidade na redução do footprint e do quadro de funcionários. 

Já as despesas devem crescer próximas ao teto do guidance, refletindo investimentos em tecnologia e eficiência. Segundo o JP Morgan, as despesas gerais e administrativas e os investimentos serão pontos-chave de atenção. 

Banco BTG Pactual (BPAC11): o padrão elevado continua? 

  • Data de divulgação do balanço: 09 de fevereiro - antes da abertura 
  • Lucro líquido ajustado projetado: R$ 4,673 bilhões (+42,6% a/a) 
  • Rentabilidade (ROE) prevista: 27,6% 

A previsão dos analistas é que o BTG Pactual (BPAC11) deve novamente se destacar, com bom desempenho em todas as linhas de negócio. O Itaú BBA aposta que o banco de André Esteves deve apresentar a melhor combinação de lucro e métricas operacionais no segmento. 

Os analistas preveem um crescimento sólido das receitas, com a área de investment banking entregando mais um trimestre forte, apoiado por volumes robustos em mercado de ações (ECM) e de dívidas (DCM), à medida que emissores se antecipam a eventuais mudanças na tributação de dividendos. 

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Apesar disso, alguns analistas veem espaço mais limitado para expansão adicional do ROE em 2026. O BofA destaca a base de comparação forte, a perspectiva de juros mais baixos e uma possível atividade mais fraca nos mercados de capitais em ano eleitoral. 

“Seguimos vendo o BTG como uma posição essencial, dado seu forte desempenho em um ambiente de Selic elevada e sua capacidade de destravar valor adicional à medida que os juros caem”, diz o BofA.  

Inter no passo do plano 60-30-30 

  • Data de divulgação do balanço: 10 de fevereiro - antes da abertura 
  • Lucro líquido ajustado projetado: R$ 379 milhões (+28,5% a/a) 
  • Rentabilidade (ROE) prevista: 15,2%  

A expectativa é que o Inter em trajetória positiva em direção ao plano 60-30-30, no 11º trimestre consecutivo de melhoria.

Os analistas preveem continuidade no crescimento da carteira de crédito, enquanto o banco mantém sob controle a qualidade de ativos e continua a ganhar eficiência na operação.

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Segundo o BofA, o mix de produtos favorável deve continuar sustentando a expansão da margem financeira (NIM), impulsionando o crescimento da receita de juros líquidos.

Enquanto isso, o custo de risco provavelmente continuará piorando, refletindo a expansão do banco nos nas linhas mais arriscadas de consignado privado e cartões de crédito sem garantia, de acordo com os analistas.

A XP prevê que o saldo de consignado privado deve terminar 2025 próximo de R$ 2 bilhões. "Em custo de risco, antecipamos mais um trimestre pressionado, sobretudo devido à evolução do consignado privado", preveem os analistas.

Para o Goldman Sachs, a aceleração do crescimento da carteira, especialmente em cartões de crédito, pode sustentar um crescimento sólido de tarifas. Na análise do banco, enquanto no Inter as despesas têm sido um obstáculo, o bom crescimento e a expansão da NIM ainda podem gerar alavancagem operacional.

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Até onde vai a deterioração no Banco do Brasil (BBAS3)? 

  • Data de divulgação do balanço: 11 de fevereiro - depois do fechamento 
  • Lucro líquido ajustado projetado: R$ 4,019 bilhões (-58% a/a) 
  • Rentabilidade (ROE) prevista: 8,7%  

Por mais uma vez, a expectativa é que o Banco do Brasil (BBAS3) apresente a performance mais fraca entre os grandes bancos. Provisões elevadas, especialmente no agronegócio, continuam pressionando a rentabilidade, que deve seguir em um dígito. 

“Em termos de qualidade de ativos, o agronegócio deve continuar sendo o principal foco de preocupação”, avalia a XP. “A carteira corporate deve seguir pressionada pelo ambiente de juros elevados e pelos efeitos remanescentes do setor agro.” 

Já o JP Morgan avalia que as expectativas estão tão baixas que abrem espaço para surpresas. Os analistas esperam tendências ainda desafiadoras para o BB, ainda que o trimestre seja novamente beneficiado por reversões tributárias.  

“As expectativas são baixas, e qualquer sinal de inflexão no agronegócio pode animar o mercado. Para o 4T25, seguimos vendo provisões elevadas pressionando o resultado e projetamos uma melhora tímida no lucro”, projetam os analistas.   

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Vale lembrar que o Banco do Brasil está implementando o programa de reestruturação de dívidas do agronegócio, o que deve beneficiar a formação de inadimplência inicial ao longo de 2026 e aumentar os volumes renegociados.  

Nubank (ROXO34): crédito ainda dita o ritmo 

  • Data de divulgação do balanço: 25 de fevereiro - depois do fechamento 
  • Lucro líquido ajustado projetado: US$ 882 milhões (+59,6% a/a) 
  • Rentabilidade (ROE) prevista: 32,4% 

Nubank (ROXO34) deve continuar a trazer resultados fortes, com um crescimento acelerado da carteira de crédito, apoiado no aumento dos limites de cartões e dos empréstimos pessoais, além de disciplina em despesas operacionais e valorização do real. 

A maior utilização dos limites pode exigir provisões mais altas, mas a disciplina de custos e a expansão da margem seguem como pontos fortes, segundo os analistas. 

"A barra está alta, mas acreditamos que o Nubank vai entregar”, avalia o JP Morgan. 

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Para os analistas do Itaú BBA, os indicadores de maior penetração na faixa de renda média, como tíquetes médios de crédito e transações, e os avanços no México, devem reforçar a perspectiva positiva para os próximos trimestres. 

A projeção é que a originação de crédito com garantia deve ser mais fraca, enquanto os empréstimos pessoais sem garantia devem seguir fortes.  

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