Por R$ 7, Natura (NATU3) conclui a venda da Avon Internacional e encerra capítulo turbulento em sua história
A companhia informou que concluiu a venda da Avon Internacional para o fundo Regent LP. O valor pago pela operação da marca foi simbólico: uma libra, cerca de R$ 7

Depois de meses de negociações e ajustes finais, a Natura (NATU3) virou oficialmente a página mais complexa de sua história recente. A companhia concluiu a venda da Avon International para o fundo Regent LP, encerrando sua exposição direta à marca fora da América Latina.
Anunciado em setembro de 2025, o negócio não incluiu as operações da Avon na América Latina nem na Rússia. O valor pago pela Regent foi simbólico: o fundo desembolsou cerca de uma libra (pouco mais de R$ 7) pela transação.
O acordo estabelece que esse total pode aumentar e há previsão de earn-outs, uma espécie de bônus por desempenho futuro da marca. Essa cifra total está limitada a 60 milhões de libras (cerca de R$ 440 milhões).
No fato relevante divulgado nesta sexta-feira (2), a Natura também reforçou o compromisso de oferecer à Avon International uma linha de crédito garantida de até US$ 25 milhões, com vencimento em cinco anos após a primeira utilização.
O fim de um ciclo penoso para a Natura
“O encerramento da Venda da Avon International representa um marco relevante no esforço da Natura em otimizar suas operações e dar continuidade à sua estratégia de foco em seu negócio principal na América Latina”, afirmou a companhia.
O mercado vinha acompanhando de perto a reta final da negociação, uma vez que a venda tende a reduzir riscos estruturais e retirar do balanço um negócio deficitário.
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Para a XP, esse é o passo mais importante na jornada de desinvestimento da Avon. À época que acordo foi anunciado, a casa avaliou que a venda deve ajudar os investidores a retomarem o foco na ação, à medida que a tese da empresa se torna mais simples e clara. Ao se desfazer de ativos, a Natura não precisa mais consolidar os resultados negativos dessas operações.
Ou seja, a partir de agora, os balanços focarão apenas no desempenho da Natura e da Avon na América Latina, os negócios mais rentáveis do grupo. Essa transparência facilita a análise e ajuda o mercado a enxergar o valor real da empresa, o que pode impulsionar suas ações.
A história do fracasso da internacionalização da Natura
Tudo começou em dezembro de 2012, quando a Natura celebrou um acordo para comprar 65% da australiana Aesop, por US$ 68,25 milhões. Quatro anos depois, a brasileira adquiriu 100% da marca.
Nesse intervalo, a australiana elevou sua presença de oito para 20 países, e o número de lojas passou de 57 para 177 no período.
Mas a gigante nacional não parou por aí. Almejando expandir ainda mais sua atuação global, a Natura comprou a The Body Shop em 2017 por aproximadamente 1 bilhão de euros (o que equivalia a cerca de R$ 3,6 bilhões na época).
A aquisição foi considerada “um passo decisivo para a fundação de um grupo de cosméticos”, que reuniria a Aesop, a Natura e a The Body Shop. Em 2019, veio a fusão que incorporou a Avon por US$ 2 bilhões e transformou a Natura no quarto maior grupo de beleza no mundo.
Mas o olho parece ter sido maior do que a barriga. Ou melhor, o apetite por aquisições era mais forte do que o balanço conseguia aguentar. As dívidas cresceram, chegando a um patamar de R$ 4,6 bilhões no final de 2019, antes da pandemia.
Apesar disso, os resultados trimestrais estavam razoáveis, até que a crise sanitária da covid-19 chegou.
Com o cenário macroeconômico desafiado pela pandemia e, posteriormente, pela guerra na Ucrânia, a integração com a Avon se tornou ainda mais difícil do que já era, e os prejuízos das operações internacionais, especialmente da Avon, levaram a uma crise de rentabilidade. Eram muitas geografias para administrar.
Foi então que o ‘mindset’ da companhia saiu da dominação global e da expansão desenfreada por novas geografias para a busca por eficiência nos mercados em que a gigante brasileira dos cosméticos já está inserida.
Com isso, em abril de 2023, veio a venda da Aesop para a L’Oréal, por R$ 2,52 bilhões (pouco mais de R$ 10 bilhões nas cotações da época) — com um ganho de capital de US$ 2,4 bilhões. Em novembro do mesmo ano, a Natura se desfez da The Body Shop, por cerca de 207 milhões de libras (ou R$ 1,25 bilhão nas cotações daquele período).
Em abril deste ano, a brasileira anunciou a simplificação da estrutura organizacional, com a Natura Cosméticos incorporando a Natura &Co, a holding que a Natura criou para abrigar suas marcas globais, como parte de um passo em direção à simplificação. A empresa trocou de ticker e passou a ser negociada com NATU3 na bolsa de valores.
Agora, a empresa conclui a venda da operação da Avon Internacional, como mais um passo nessa jornada.
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