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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

BARATA OU ARMADILHA?

Mesmo a R$ 1, Oncoclínicas (ONCO3) ainda tem espaço para cair mais: o alerta do JP Morgan para as ações

Após tombo de mais de 90% desde o IPO, banco vê espaço adicional de queda mesmo com papel aparentemente “barato” na bolsa; entenda

Camille Lima
Camille Lima
25 de março de 2026
17:02 - atualizado às 15:32
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3).
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3). - Imagem: Divulgação

A trajetória da Oncoclínicas na bolsa tem sido tudo, menos linear. Desde o IPO, em 2021, as ações ONCO3 já perderam mais de 90% do valor. Quase quatro anos e meio depois de estrear a R$ 19,75, os papéis hoje não chegam nem aos R$ 2. 

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A trajetória já seria suficiente para afastar investidores mais cautelosos. Ainda assim, nos últimos dias, o papel voltou ao centro das atenções — desta vez, por conta de uma volatilidade fora do comum. 

Embaladas pela expectativa de uma parceria com Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3), as ações chegaram a saltar quase 60% na segunda-feira (23) — apenas para devolver cerca de 20% no pregão seguinte. 

Nesta sessão, o movimento negativo se estende. Por volta das 15h15, os papéis caíam 2,55%, negociados a R$ 1,91. No ano, a perda acumulada já beira os 30%. 

Na visão do JP Morgan, o vaivém recente não muda o diagnóstico: as ações ONCO3 ainda não chegaram ao fundo do poço — e ainda há espaço para novas quedas na B3. 

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A “nova” Oncoclínicas: o que está em jogo com Porto e Fleury 

Nos últimos dias, a principal narrativa em torno da Oncoclínicas passou a girar em torno de uma potencial parceria com a Porto (PSSA3) e o Fleury (FLRY3). 

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Para o mercado, os termos iniciais da proposta têm apelo estratégico: reorganizar o negócio, trazer capital novo e simplificar uma estrutura de balanço hoje pressionada. Você confere aqui todos os detalhes.

Mas o desenho da operação — que, à primeira vista, soa como uma solução — também carrega implicações relevantes para o valor das ações. 

A ideia central do negócio é a criação de uma nova empresa, a chamada “NewCo”, que concentraria as clínicas de oncologia do grupo.  

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A Oncoclínicas entraria com os ativos, enquanto Porto e Fleury aportariam ao menos R$ 500 milhões em capital. A estrutura ainda prevê a emissão de até R$ 500 milhões em debêntures conversíveis em ações. 

Até aqui, a lógica parece clara: isolar o “coração” do negócio, atrair sócios estratégicos e destravar valor. O ponto de atenção está no que fica de fora — e em como essa separação redesenha o que, de fato, o acionista de ONCO3 passa a deter. 

O que sobraria para o acionista da Oncoclínicas (ONCO3)? 

Pelo modelo em discussão, até R$ 2,5 bilhões em dívidas da Oncoclínicas poderiam ser transferidos para a nova estrutura.  

A companhia listada, por sua vez, ficaria com uma participação na NewCo e com os ativos fora do perímetro das clínicas — incluindo hospitais e outros itens considerados não core —, além da parcela de dívida que permanecer no balanço. 

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Na prática, isso muda a natureza da ação, segundo o JP Morgan. Em vez de representar diretamente o negócio consolidado, ONCO3 passaria a refletir uma combinação de participação indireta na operação de clínicas com um “residual” de ativos e passivos. 

Por um lado, há méritos, na visão dos analistas: entrada de capital novo, parceiros estratégicos e uma potencial redução da exposição à alavancagem. 

Segundo os analistas, com a operação, a ONCO3 ficaria menos exposta ao excesso de alavancagem atual e mais diretamente ligada ao valor de sua participação remanescente na plataforma de oncologia. 

Por outro, há um efeito colateral importante: a diluição econômica e a incerteza sobre quanto valor, de fato, permanece com o acionista da empresa listada. 

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ONCO3 ainda não chegou ao fundo do poço? 

É nesse ponto que entra a leitura do JP Morgan. Os analistas avaliam que, mesmo que o negócio com Porto e Fleury vá para frente, ainda há potencial de desvalorização (downside) para as ações ONCO3 em relação aos preços atuais. 

Segundo os analistas, o valuation da operação depende, principalmente, de dois fatores: o Ebitda da nova empresa e a alocação final das dívidas entre a NewCo e a Oncoclínicas listada. 

Nas estimativas do banco, a NewCo poderia gerar cerca de R$ 891 milhões em Ebitda, com múltiplos de valor de firma entre 4 e 8 vezes. Os analistas preveem ainda cerca de R$ 2 bilhões de dívida líquida na nova estrutura e 70% de participação econômica para a Oncoclínicas. 

E o que ficaria na atual Oncoclínicas, então? O JP Morgan prevê cerca de R$ 300 milhões em ativos residuais e R$ 700 milhões de dívida líquida remanescente. 

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O resultado disso, na visão do banco, é um intervalo amplo de valor. As contas apontam para um valor patrimonial implícito entre R$ 692 milhões e R$ 3,2 bilhões. 

Mesmo no cenário mais otimista dentro desse intervalo, a leitura é de que o preço atual pode não incorporar totalmente os riscos. 

“Continuamos a ver downside em relação aos níveis atuais”, afirmam os analistas, que mantêm recomendação underweight, equivalente à venda, para ONCO3. 

Mais um sinal de que o caixa segue no centro da história 

Como se não bastasse a complexidade da operação com Porto e Fleury, um novo elemento entrou na equação nesta semana. A Oncoclínicas revelou que um acionista minoritário relevante — o fundo norte-americano MAK Capital Fund estaria disposto a injetar R$ 500 milhões na companhia

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A proposta, no entanto, vem com uma condição: a destituição de todo o atual conselho de administração, além da eleição de novos membros e de uma nova liderança para o colegiado. 

Para o JP Morgan, a proposta da MAK Capital é “mais uma evidência das necessidades de capital de curto prazo da Oncoclínicas, que continuam sendo o ponto central dessa história”. 

Ao mesmo tempo, o banco avalia que o interesse do fundo em injetar capital na Oncoclínicas. reforça um ponto importante da tese: os ativos da companhia e sua exposição ao mercado de oncologia continuam sendo vistos como estratégicos. 

Para o JP Morgan, apesar das alternativas na mesa, o desfecho mais provável no curto prazo ainda é o avanço da transação com Porto e Fleury, especialmente diante do período de exclusividade nas negociações. 

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