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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

ADEUS, PENNY STOCK

Marisa (AMAR3) recebe enquadro da B3 por ação abaixo de R$ 1, e avalia fazer grupamento; presidente do conselho renuncia

Com papéis na casa dos centavos, varejista tem prazo para reagir; saída de presidente do conselho adiciona pressão

Camille Lima
Camille Lima
26 de março de 2026
10:14
Marisa
Marisa - Imagem: Divulgação

Depois de meses sendo negociada na casa dos centavos, a Marisa (AMAR3) entrou oficialmente na mira da B3. A dona da bolsa deu um ultimato formal à varejista de moda: é hora de tirar a ação debaixo de R$ 1. 

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Isso porque, no mercado de ações, as penny stocks são um incômodo recorrente. O preço muito baixo dos papéis costuma vir acompanhado de uma combinação indigesta para os investidores: volatilidade exagerada, baixa liquidez e um ambiente fértil para operações especulativas. 

Esses fatores afetam a dinâmica de negociação, elevam o risco para investidores e dificultam a precificação dos ativos na bolsa. 

Por isso, a B3 estabelece um limite para proteção contra penny stocks: nenhum papel pode permanecer abaixo de R$ 1 por mais de 30 pregões consecutivos. Quando isso acontece, a companhia é chamada a agir. 

Marisa (AMAR3) precisa deixar de ser penny stock 

No caso da Marisa, esse limite já foi ultrapassado. As ações AMAR3 estão abaixo de R$ 1 desde 27 de janeiro de 2026 e, atualmente, são negociadas a R$ 0,88.  

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No acumulado do ano, a queda da varejista chega a 14% na bolsa brasileira, enquanto, em 12 meses, a desvalorização soma 46%. 

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Agora, o relógio começou a correr. A B3 cobrou a Marisa que divulgue os procedimentos e o cronograma das medidas que pretende adotar para reenquadrar a cotação das ações logo. 

A companhia tem até 11 de setembro de 2026 para resolver a situação. 

Marisa (AMAR3): vem grupamento de ações pela frente?

Em resposta, a Marisa afirmou que está “constantemente monitorando a situação e avaliando as possíveis alternativas necessárias ou pertinentes para reenquadrar, tempestivamente, a cotação das ações ao seu patamar mínimo”.  

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Caso a recuperação do preço não aconteça de forma natural e consistente dentro do prazo fixado pela B3, a empresa já admite que poderá recorrer à solução mais comum nesses casos: o grupamento de ações

Esse tipo de operação consiste em reunir vários papéis em uma única ação, elevando o preço nominal negociado em tela sem mexer no capital social.  

Na prática, o número de ações em circulação diminui e o preço sobe, embora a operação não mude fundamentos financeiros ou resolva os desequilíbrios estruturais das empresas. 

Pressão na bolsa e mudanças no conselho 

Além da forte pressão sobre as ações na bolsa, a Marisa (AMAR3) também vivencia mudanças relevantes em sua governança. Duas executivas relevantes acabam de deixar a empresa. 

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Andrea Maria Meirelles de Menezes renunciou à presidência do conselho de administração, enquanto Maria Laura Peixoto Santos Tarnow deixou sua posição como membro independente do colegiado. 

Em comunicado ao mercado, a companhia agradeceu a contribuição de Andrea, destacando sua atuação “fundamental no fortalecimento da governança corporativa, na evolução das práticas de gestão de riscos e controles internos e na condução das discussões estratégicas do conselho”.  

Para ocupar o posto de presidente do conselho (chairman), o conselho indicou Ivan Murias, executivo com mais de 20 anos de experiência nos setores de varejo e bens de consumo.  

Ele acumula passagens por empresas como brMalls, Grupo Boticário, C&A e Iguatemi, além de ter sido CEO da Tok&Stok e da Valid, onde liderou processos de transformação operacional. 

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Atualmente, Murias também atua como chairman da Infracommerce e do Grupo Peralta, além de vice-presidente do conselho da Leo Madeiras. 

Já Adriana Caetano foi indicada para assumir como membro independente do conselho. Ela já integra o Comitê Estatutário de Auditoria e Riscos da Marisa desde maio de 2024, tendo assumido a coordenação em maio de 2025. 

As nomeações ainda precisam ser aprovadas pelos acionistas em assembleia geral ordinária (AGO), marcada para 30 de abril. 

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