Gerdau (GGBR4) no radar: Itaú BBA recomenda compra e UBS BB vê ação a R$ 35; o que está por trás do otimismo?
Real mais fraco, reajustes de preços nos EUA e a demanda por aço ligada aos data centers levaram Itaú BBA e UBS BB a reforçarem a tese para a Gerdau; ações sobem

A Gerdau (GGBR4) ganhou reforço de peso entre analistas. O Itaú BBA elevou a recomendação para as ações de neutra para outperform (equivalente à compra) e aumentou o preço-alvo de R$ 29 para R$ 31 até o fim de 2027. Já o UBS BB manteve a recomendação de compra e elevou o preço-alvo de R$ 31 para R$ 35, com horizonte de 12 meses.
Enquanto o BBA aponta a operação brasileira como um dos principais desafios para a Gerdau, o UBS BB vê espaço para valorização na operação norte-americana, apesar das preocupações do mercado com a oferta de aço nos Estados Unidos. Para o banco, a demanda ligada à construção de data centers e o avanço dos preços podem sustentar as margens da companhia na região.
Por trás do movimento está uma combinação de fatores que, na visão dos bancos, melhora a relação entre risco e retorno da ação: real mais fraco, sucessivos aumentos de preços nos Estados Unidos e uma demanda robusta por aço ligada ao avanço dos data centers.
Nesta quinta-feira (29), as ações estão entre os destaques positivos do Ibovespa. Por volta das 16 horas, os papéis da Gerdau registravam ganhos de 6,39%, negociados a R$ 25,63.
O que fez o Itaú BBA voltar a gostar da Gerdau?
Na avaliação do Itaú BBA, o pano de fundo para a companhia mudou significativamente desde agosto.
De um lado, o real se desvalorizou de R$ 5,11 para cerca de R$ 5,40 por dólar, aumentando a contribuição das operações dolarizadas da companhia. De outro, a Gerdau realizou sucessivos reajustes de preços para barras comerciais, perfis estruturais e vergalhões nos Estados Unidos ao longo do terceiro trimestre e início do quarto trimestre de 2026.
Leia Também
O resultado apareceu nas margens. A operação norte-americana atingiu margem Ebitda de 27,7% no terceiro trimestre, o melhor nível desde 2022.
Para os analistas, o cenário é suficiente para compensar parte das dificuldades ainda vistas no Brasil. A casa destaca que a ação voltou a negociar em patamares considerados atrativos, com geração de caixa robusta e potencial de valorização próximo de 30%.
Brasil ainda preocupa, mas pesa menos na tese
O Itaú BBA continua enxergando a operação brasileira como o principal ponto de atenção da companhia. Os benefícios esperados do projeto Miguel Burnier devem chegar mais lentamente e em magnitude menor do que a antecipada anteriormente.
A expectativa da administração é de pressão sobre as margens no quarto trimestre, refletindo demanda mais fraca, aumento da participação das exportações e preços do aço menos favoráveis. Além disso, o consumo aparente continua impactado por juros elevados e inflação persistente.
Nas contas do banco, Miguel Burnier deve acrescentar cerca de R$ 400 milhões ao Ebitda em 2027, bem abaixo do potencial estimado de R$ 1,1 bilhão. A queda dos preços do minério de ferro também reduz a contribuição econômica do projeto.
Com isso, o Itaú BBA reduziu sua projeção de margem Ebitda para o Brasil em 2027 de 14,4% para 11,7%, o que levou a uma redução de 20% na estimativa de Ebitda da operação, para R$ 4 bilhões.
Ainda assim, os analistas enxergam possíveis catalisadores à frente. O plano de reestruturação que será detalhado no Investor Day, com foco em ativos mais rentáveis, desinvestimentos e redução estrutural da exposição às exportações, pode abrir espaço para revisões positivas das projeções.
Data centers entram na equação
Se o Brasil segue sendo um freio, os Estados Unidos são o principal motor do otimismo do UBS BB.
O banco revisou suas projeções para a operação norte-americana e agora espera uma margem Ebitda de 26,4% em 2027, aproximando-se de 30% entre o quarto trimestre deste ano e o primeiro trimestre do próximo.
Na visão dos analistas, o mercado está excessivamente preocupado com o aumento da oferta de aço nos Estados Unidos e subestimando a força da demanda.
Um dos principais vetores dessa demanda é justamente o setor de data centers.
Segundo o UBS BB, a demanda por perfis estruturais (beams) e produtos MBQ (merchant bar quality) avança 6,5% no acumulado do ano. Os gastos com construção de data centers nos Estados Unidos cresceram 75%, enquanto os novos projetos iniciados dispararam cerca de 200%.
Para o banco, esses números indicam que a demanda por aços longos deve permanecer aquecida nos próximos anos, sustentando níveis elevados de rentabilidade para a operação norte-americana da Gerdau.
Enquanto isso, o Brasil responde por apenas 15% a 20% do Ebitda consolidado da companhia, reduzindo sua influência sobre a tese de investimento.
Há ainda outro fator favorável: o câmbio.
"A depreciação do real também deve beneficiar os resultados da companhia. Nesse contexto, vemos a Gerdau como uma boa proteção para as carteiras dos investidores brasileiros diante das incertezas macroeconômicas", afirmam os analistas do UBS BB.
Com preço-alvo de R$ 35 por ação e uma tese cada vez mais ancorada nos Estados Unidos, a siderúrgica volta a ocupar posição de destaque entre as principais recomendações do setor.
RENEGOCIAÇÃO
Raízen (RAIZ4) consegue desconto de R$ 8,5 bilhões em dívidas tributárias; veja quanto a empresa terá de pagar
28 de outubro de 2026 - 18:26PERDEU O ENCANTO?
Itaú BBA deixa de recomendar compra de Bradesco (BBDC4), e ação cai forte; o que levou o bancão a perder o brilho?
28 de outubro de 2026 - 16:27O DILEMA DO BANCÃO
“O preço a pagar” para reduzir riscos: CEO do Santander revela plano para atingir ROE acima de 20%
28 de outubro de 2026 - 14:32BALANÇO AGRADOU
Caneta emagrecedora e dívida menor: os dois motores que fazem da Hypera (HYPE3) uma das poucas altas do Ibovespa hoje
28 de outubro de 2026 - 13:31REAÇÃO AO RESULTADO
Santander (SANB11) afunda mais de 5% após resultado fraco, mas analistas revelam ‘trunfo’ que pode salvar as ações da queda
28 de outubro de 2026 - 11:54OS BASTIDORES DA OPERAÇÃO
Por dentro da Shopee: 150 mil tipos de produtos, muitas mãos e uma corrida para fazer cada pedido chegar à sua casa
28 de outubro de 2026 - 10:46BALANÇO
Santander Brasil (SANB11) frustra no 3T26: lucro tomba 28% e ROE cai a 11,9%; veja os destaques do balanço
28 de outubro de 2026 - 6:16POTENCIAL DE ALTA
Maré favorável? Citi inicia cobertura da OceanPact (OPCT3) e vê espaço para alta de 48%
27 de outubro de 2026 - 17:06PRÉVIA DO BALANÇO
Lucro menor, calotes no radar e recuperação adiada: o que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 3T26
27 de outubro de 2026 - 13:28FACA AFIADA
Citi manda vender Banco do Brasil (BBAS3) após eleições; veja o que colocar no lugar
27 de outubro de 2026 - 13:09SD ENTREVISTA
Agência com cara de hotel? A aposta do Bradesco (BBDC4) para atrair clientes endinheirados
27 de outubro de 2026 - 12:03APOSTA NO LUXO
Massagem, hotéis Fasano e descontos: a nova cartada do Itaú (ITUB4) e da JHSF (JHSF3) para conquistar os clientes ricos
27 de outubro de 2026 - 8:33VAI DE BOLSA
Após SpaceX (SPCX), Anthropic quer entrar no grupo do ‘IPO do trilhão’ com documento enviado à SEC
26 de outubro de 2026 - 14:45AQUISIÇÃO BILIONÁRIA
Itaú (ITUB4) desembolsa R$ 2,925 bilhões para comprar NeoSpace e fortalecer operação de inteligência artificial
26 de outubro de 2026 - 9:12AGORA VAI?
Oncoclínicas (ONCO3) avança em reestruturação e apresenta novo plano para renegociar R$ 5,7 bilhões em dívidas
23 de outubro de 2026 - 19:43MAIS UM RECORDE
Embraer (EMBJ3) tem novo recorde na carteira de pedidos, que totalizou US$ 35,7 bilhões no 3T26; veja os números
23 de outubro de 2026 - 16:48BARATA DEMAIS?
Petz Cobasi (AUAU3) quer recomprar até 17,6 milhões de ações; o que isso significa para o acionista?
23 de outubro de 2026 - 16:21Conteúdo Empiricus
A Warner vale US$ 110 bilhões? Entenda por que saber o preço justo da sua empresa pode fazer a diferença em uma negociação
23 de outubro de 2026 - 14:00DEPOIS DO RESULTADO....