Espaçolaser (ESPA3) tem lucro maior no 4T25, vê ano de virada e quer estar pronta para a volta das small caps na bolsa, diz CFO
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Fabio Itikawa diz que empresa entra em 2026 mais eficiente, menos alavancada e pronta para atrair investidores

Depois de alguns anos dedicados a arrumar a casa, a Espaçolaser (ESPA3) finalmente começa a mostrar os resultados do esforço de reestruturação.
A maior rede de depilação a laser do Brasil encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 10,8 milhões, revertendo as perdas registradas meses antes e consolidando o que administração da companhia descreve como um ponto de inflexão na operação.
O resultado representa um crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período do ano anterior e uma melhora relevante frente ao prejuízo de R$ 7,6 milhões registrado no trimestre anterior.
No acumulado de 2025, a companhia também conseguiu virar o jogo: o lucro líquido ajustado anual chegou a R$ 34,9 milhões, avanço de 49,6% em relação a 2024.
Pelo critério contábil, o desempenho parece ainda mais expressivo. O lucro líquido reportado somou R$ 13,2 milhões no ano, salto de 698,4% frente ao exercício anterior.
Para o diretor financeiro (CFO) da companhia, Fabio Itikawa, o balanço marca o momento em que a empresa deixa para trás um longo processo de reorganização operacional.
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“2025 foi o ano de inflexão. Desde 2023 vínhamos implementando medidas, desde uma nova estratégia comercial para crescer receita até uma agenda forte de eficiência e controle de custos. Os resultados mostram que a execução funcionou e conseguimos virar essa página da reestruturação”, disse o executivo, em entrevista ao Seu Dinheiro.

Segundo ele, o trabalho de disciplina financeira continua — mas agora com um objetivo diferente: preparar o terreno para crescer de forma mais consistente.
“Entramos em 2026 com um balanço mais robusto, reduzindo a alavancagem depois de uma reestruturação importante do passivo financeiro, alongando prazos e reduzindo o custo das dívidas”, afirmou. “Agora começamos uma nova agenda, olhando para crescimento mais robusto e sustentável, sempre com foco em retorno para os acionistas.”
Apesar da virada nos números, o executivo prefere calibrar as expectativas.
“Crescer na mesma ordem de grandeza do quarto trimestre seria agressivo. A ideia é continuar avançando de forma consistente, mas com um ritmo mais equilibrado. No quarto trimestre capturamos ganhos importantes da operação.”
Espaçolaser quer reconquistar a atenção do mercado
Apesar de a sensação dentro da empresa ser de virada de página, a percepção na bolsa não acompanhou completamente a mudança, segundo avaliação do CFO.
As ações ESPA3 acumularam valorização de 18% desde o início do ano, seguindo o ritmo de crescimento de 14% do Ibovespa.
Com isso, para o executivo, o preço atual do papel ainda não reflete o potencial da companhia. “Acredito que existe uma oportunidade para investidores conhecerem melhor a empresa.”
Segundo Itikawa, parte da pressão recente sobre o papel veio da saída de um investidor específico nos últimos meses, movimento que acabou pesando na cotação. Ele acredita que a tese da empresa ainda não entrou de fato no radar de grande parte do mercado.
“Ainda vemos poucos investidores olhando para a Espaçolaser. Pode ser por liquidez ou simplesmente por desconhecimento do case.”
No longo prazo, a companhia espera se beneficiar de uma mudança mais ampla no fluxo de capital para a bolsa brasileira — especialmente para empresas menores.
“Quando o investidor estrangeiro voltar a olhar para small caps, queremos estar preparados”, disse.
Ainda assim, na visão do CFO, o grande catalisador para as ações pode vir do próprio cenário econômico local.
Uma eventual queda da taxa básica de juros no Brasil teria dois efeitos importantes: estimular o consumo — essencial para o setor de serviços de beleza — e aumentar o apetite do investidor por ativos de risco.
“O investidor local ainda está muito concentrado em renda fixa. Hoje é difícil competir com um retorno de 15% praticamente sem risco”, afirmou.
“Em algum momento os juros precisam cair. Quando esse movimento começar, parte do fluxo deve migrar para ativos de maior risco. E aí muitas grandes empresas já estarão com valuations esticados, o que abre espaço para small caps ainda descontadas.”
Outros destaques do balanço da Espaçolaser (ESPA3) no 4T25
Além da melhora no lucro, o balanço também trouxe avanços importantes na operação. A receita líquida da Espaçolaser atingiu R$ 294,4 milhões no quarto trimestre, alta de 8% na comparação anual.
No acumulado de 2025, o faturamento somou R$ 1,1 bilhão, crescimento de 7,7% frente a 2024.
Mas o grande destaque ficou por conta do Ebitda ajustado, indicador que mede a capacidade de geração de caixa operacional da empresa.
O indicador avançou 37,3% no quarto trimestre, para R$ 66,1 milhões, impulsionado por iniciativas de eficiência e projetos de redução de custos. Com isso, a margem Ebitda ajustada subiu 4,8 pontos percentuais, chegando a 22,4%.
Outro ponto forte do balanço foi a geração de caixa. O fluxo de caixa operacional ajustado chegou a R$ 54,5 milhões, com uma conversão de 82,5% do Ebitda em caixa.
A dívida líquida da Espaçolaser ainda caiu para R$ 529,2 milhões, uma redução de R$ 23,3 milhões em relação ao quarto trimestre de 2024.
Com isso, a companhia atingiu o menor nível de alavancagem em 17 trimestres. A relação dívida líquida/Ebitda ajustado caiu para 1,78 vez, contra 2,13 vezes um ano antes.
“Agora entramos em 2026 com uma estrutura mais ajustada, dívida mais barata e maior robustez nos resultados”, afirmou o CFO.
Segunda fase da estratégia comercial
Nos últimos anos, a prioridade da Espaçolaser foi ajustar a tabela e reduzir o nível de descontos, uma medida necessária após um período em que a companhia buscava sustentar o volume de vendas.
O movimento, porém, não vem sem riscos. “Quando tomamos a decisão de reajustar a tabela de preços, sabíamos que o volume poderia cair. Mas o aumento do ticket médio e a melhora no mix de produtos mais do que compensaram essa redução”, afirmou o executivo.
Na avaliação do CFO, a empresa tem espaço para avançar nesse processo antes de encontrar um limite de demanda.
“Ainda existe margem para ajustes de preço e devemos continuar fazendo isso ao longo de 2026. Não batemos no teto”, disse.
Agora, o próximo passo é trabalhar uma precificação mais refinada e focada em extrair valor da operação, levando em conta fatores como região, perfil do cliente e características de cada mercado.
Agenda de corte de custos continua
Mesmo com os avanços ao longo de 2025, a busca por eficiência permanece no radar da Espaçolaser, afirmou Itikawa.
“Corte de despesas sempre estará na agenda. Grande parte do ‘mato alto’ já foi cortada nos últimos anos, mas continuamos buscando eliminar ineficiências e investir onde o retorno é rápido e elevado”, disse o executivo.
Um dos principais projetos de eficiência envolve a troca dos sistemas que utilizavam consumíveis de gás por máquinas resfriadoras, utilizadas no processo de depilação.
Hoje, 81% das lojas próprias já operam com o novo sistema, cumprindo com folga uma das metas estabelecidas pela companhia, de encerrar 2025 com 70% das unidades migradas.
Apesar do avanço, a Espaçolaser ainda não conseguiu conquistar outro marco estipulado pela administração, de ter 100% das unidades operando com os novos sistemas ainda no início de 2026.
Segundo o CFO, o objetivo ainda não foi totalmente cumprido por questões logísticas do fornecedor.
“Existe um gargalo na entrega dos equipamentos, mas esperamos concluir a migração nos próximos meses. Também abrimos essa possibilidade para os franqueados, que já começaram a implementá-la.”
Outra frente envolve mudanças na estrutura de pessoal. A empresa avalia substituir gradualmente fisioterapeutas por biomédicas e esteticistas, profissionais com maior carga horária e custo salarial menor.
Investimentos: o que está por vir na Espaçolaser?
Entre as prioridades de investimento está a modernização do parque tecnológico da companhia.
Segundo o CFO, a empresa passou alguns anos com investimentos limitados nessa frente e agora busca recuperar o atraso.
Hoje, a rede própria conta com cerca de 600 equipamentos, mas pouco mais de 80 operam com a tecnologia mais recente, que atende melhor os atuais clientes e ainda abre oportunidade de atendimento para um novo público que não poderia ser atendido pelas máquinas antigas.
A nova tecnologia permite mais conforto para clientes de peles mais claras, ao mesmo passo que permite que clientes negros e de tons de pele mais escuros sejam atendidos.
A renovação tecnológica tem impacto direto na operação. Em testes realizados pela empresa, a instalação das novas máquinas gerou aumento de cerca de 30% nas vendas das unidades, além de reduzir custos de manutenção.
“É um investimento com retorno rápido e elevado”, disse o CFO.
Foco em franquias e mais serviços no longo prazo
No campo da expansão, a estratégia atual da companhia é priorizar o modelo de franquias.
A rede encerrou o quarto trimestre com 810 unidades, oito a mais do que no mesmo período de 2024. Dessas, 558 são lojas próprias e 252 franquias.
A empresa ainda vê espaço para ajustes no mix da rede. “Avaliamos casos de ineficiência na rede própria que podem levar ao refranqueamento de algumas unidades”, disse Itikawa.
No horizonte mais longo, a Espaçolaser estuda ampliar seu portfólio. A ideia é aproveitar a base de cerca de 5 milhões de clientes ativos para oferecer novos serviços ligados ao universo de beleza e bem-estar.
“Queremos trabalhar o cross-sell dentro da base de clientes”, afirmou o CFO.
Os riscos no radar
Apesar da melhora recente, o executivo reconhece que o cenário continua difícil. A expectativa é de que 2026 ainda seja marcado por juros elevados, o que pode afetar o consumo.
Além disso, eventos como feriados prolongados e a Copa do Mundo também costumam deslocar parte do orçamento das famílias para outras despesas, como viagens.
Ainda assim, a empresa acredita ter ferramentas para lidar com esse cenário. “Temos uma política comercial que permite parcelamentos longos e planos de ação preparados para esses eventos.”
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