Com promessa cumprida, Advent mira mesa de decisões da Natura (NATU3): como isso ajuda a empresa, que vive uma ‘nova’ crise?
Depois de atingir a participação prevista no acordo com os fundadores, gestora quer oficializar sua entrada na governança da Natura em um momento decisivo para a recuperação da companhia

A Advent International cumpriu a 'promessa' de atingir uma participação mínima de 8% na Natura (NTCO3), segundo informado pela fabricante de cosméticos na noite da última sexta-feira (31). Agora, para concluir a operação, os acionistas querem realizar duas assembleias no mesmo dia, em horários distintos.
Para isso, a Natura informou que recebeu um pedido de acionistas detentores de 38,82% do capital — incluindo os fundadores — para convocar duas Assembleias Gerais Extraordinárias (AGEs).
A primeira terá como único objetivo aprovar a dispensa da obrigação da Advent realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) prevista no estatuto da Natura para investidores que atingem participação relevante. Segundo os acionistas, a medida é necessária para viabilizar a assinatura do novo acordo de acionistas.
Hoje, o artigo 33 do estatuto da Natura determina que qualquer investidor que passe a deter 25% ou mais das ações da companhia deve lançar OPA para comprar a totalidade das ações dos demais acionistas.
Na sequência, uma segunda AGE deverá votar mudanças na governança da companhia, incluindo a ampliação do Conselho de Administração e a eleição de dois novos membros indicados pela Advent.
Advent quer ter dois assentos no Conselho da Natura
Pela proposta, o número máximo de integrantes do Conselho de Administração passará de nove para dez membros. As duas novas cadeiras serão ocupadas por executivos ligados à Advent.
Leia Também
Os nomes indicados são Juan Pablo Zucchini, managing partner da gestora para a América Latina desde 2014, e Rafael Patury Carneiro Leão, managing director da Advent Brasil, com experiência em investimentos nos setores de consumo, varejo e saúde.
Apesar do reforço na presença da gestora, a Natura ressalta que a Advent não assumirá o controle da companhia.
A minuta do novo acordo de acionistas deixa claro que o fundo terá direito de indicar representantes para o conselho e alguns comitês, mas não haverá obrigação de votação conjunta em todas as matérias. A coordenação entre as partes ficará concentrada principalmente em temas ligados à composição da administração da empresa.
Depois da aprovação das assembleias, a Advent passará oficialmente a integrar o acordo de acionistas da Natura, consolidando sua posição como sócia estratégica da companhia e ampliando sua influência sobre a governança da fabricante de cosméticos.
Como isso ajuda a Natura?
Na avaliação de analistas do JP Morgan, a entrada da Advent ajuda a dar mais credibilidade à nova fase da Natura, que passa por uma reorganização societária e de governança. A expectativa é que a gestora contribua para uma execução mais eficiente da estratégia, maior disciplina na alocação de capital e apoio em decisões estratégicas.
O momento é considerado relevante porque a Natura voltou a concentrar seus esforços na América Latina. Para o banco, a presença de um investidor como a Advent pode ser um fator de apoio nesse processo.
O banco ressalta, no entanto, que não se trata de uma mudança de controle. A participação da Advent é minoritária e não dá à gestora poder de veto dentro da companhia.
Por isso, o impacto esperado tende a ser gradual, com mais peso sobre a percepção de governança e sobre o potencial de geração de valor no médio prazo do que sobre uma mudança operacional imediata.
Para o JP Morgan, a grande questão para a Natura continua sendo a capacidade de transformar a estrutura mais enxuta e o alinhamento entre acionistas em crescimento sustentável de receita, recuperação de margens e maior geração de caixa.
Mas empresa vive nova crise
Embora a entrada de um parceiro grande como a Advent anime, a Natura tem passado por poucas e boas nos últimos meses. A companhia chegou a avisar o mercado que os resultados do segundo trimestre, que ainda serão divulgados, não devem vir tão animadores.
Um dos principais fatores atrapalhando a empresa é a escassez de produtos, provocada pelas mudanças em sistemas e processos logísticos que a companhia vem implementando.
A Natura ainda está reorganizando sua operação, que envolve um novo sistema de produção e estoques, a atualização do SAP — software que integra áreas como logística, vendas e produção — e a redistribuição da produção após o fechamento da fábrica de Interlagos.
A companhia chegou a realizar uma teleconferência com as revendedoras e informou que a normalização dos estoques já começou, com prioridade para a categoria de fragrâncias. Ainda assim, a recuperação deve ser gradual e a empresa admite que ainda podem ocorrer instabilidades no curto prazo.
O cenário macroeconômico desafiador, combinado à falta de produtos, também derrubou o volume de vendas das consultoras. Como consequência, houve uma redução na atividade e na produtividade dessas parceiras em relação ao ano anterior, embora com melhora na comparação com o trimestre anterior.
Cabe lembrar que esse movimento acontece quando a empresa começava a respirar após uma crise intensa e longa. Depois de anos tentando se consolidar como uma gigante global de cosméticos por meio de aquisições, a estratégia acabou pressionando o balanço da companhia.
Assim, a empresa passou por um processo de simplificação, vendeu ativos considerados não estratégicos — incluindo a Avon International e a marca The Body Shop —, voltou a concentrar seus esforços na América Latina e passou a priorizar a recuperação da rentabilidade e da geração de caixa. Entenda detalhes nesta reportagem do Seu Dinheiro.
NA BERLINDA
“Sem saída fácil”: Braskem (BRKM5) despenca mais de 13% após UBS BB rebaixar ação e cortar preço-alvo em 74%
16 de setembro de 2026 - 14:09LA BELLE DE JOUR
Amazon esquenta disputa em setor após aposta da Raia Drogasil (RADL3); veja quem vence, segundo o BTG Pactual
16 de setembro de 2026 - 12:01TIROU O PÉ
XP rebaixa ação da Sanepar (SAPR11) mesmo com potencial de 33% de alta na bolsa. O que está faltando para o papel?
16 de setembro de 2026 - 11:21QUEM ROUBA A CENA?
O roxinho perdeu o brilho? Itaú BBA rebaixa Nubank e elege um novo favorito entre os bancões
16 de setembro de 2026 - 10:44O CÉU É O LIMITE
Valor de mercado da Petrobras (PETR4) chega perto de R$ 700 bilhões, no maior patamar da história
15 de setembro de 2026 - 19:26FUSÕES E AQUISIÇÕES
JBS e Viva criam joint venture em couros, mas deixam ativos no Texas, na Alemanha e no México de fora
15 de setembro de 2026 - 19:14ATENÇÃO, ACIONISTA!
Dividendos e JCP: WEG (WEGE3) aprova quase meio bilhão de reais em proventos — mas não está sozinha
15 de setembro de 2026 - 17:52O MAIOR RETORNO PARA O SEU BOLSO
Empresas do Brasil pagaram mais de R$ 22 bilhões em dividendos no último trimestre; veja quem superou a Petrobras (PETR4) como maior pagadora
15 de setembro de 2026 - 13:28PROVENTOS
Dividendos e JCP: Dona da Vivo (VIVT3) vai pagar R$ 500 milhões aos acionistas; confira os prazos
14 de setembro de 2026 - 19:10SETE CHAVES?
O segredo da Vale (VALE3) não está mais tão bem guardado assim — e já aparece no preço da ação
14 de setembro de 2026 - 18:31JOIA ESCONDIDA?
Itaú BBA aposta em banco ‘fora do radar’ que entrega ROE acima de 30% e pode saltar 45% na bolsa
14 de setembro de 2026 - 17:58CRÉDITO PARA QUEM?
Com calote em alta e agro sob pressão, bancos fecham torneira para famílias e apostam em outro segmento
14 de setembro de 2026 - 16:32CONCORRÊNCIA
A5X, nova bolsa brasileira de derivativos, capta R$ 360 milhões com gigantes do mercado — e já tem data para estrear as negociações
14 de setembro de 2026 - 13:41FORÇA, FOCO E FÉ?
Cleusa Maria: a empresária que nunca tinha provado um bolo na vida e criou um império de R$ 800 milhões
14 de setembro de 2026 - 7:07CASO MASTER
Fraudes entre Master e BRB chegam a R$ 17 bilhões e Banco de Brasília diz ser vítima de atos criminosos
13 de setembro de 2026 - 15:44TER OU NÃO TER
Petróleo acima de US$ 100 muda a tese para Petrobras (PETR4)? O que ainda favorece — e o que ameaça — a ação
11 de setembro de 2026 - 18:53MENOS ALARDE
IA vai destruir a humanidade? Neurocientista brasileiro rebate previsão alarmante de ex-pesquisadores da OpenAI
11 de setembro de 2026 - 15:31NAS ÁGUAS DO MINÉRIO DE FERRO
Vale (VALE3) segue blindada, mas outra mineradora brasileira está à deriva no mar mais caro dos últimos anos
11 de setembro de 2026 - 14:15SAÚDE FINANCEIRA NA VEIA
Como a Amil saiu da crise e agora se dá ao luxo de recusar proposta multibilionária de compra de fundos estrangeiros
11 de setembro de 2026 - 11:40POTENCIAL