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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

DEMANDA MORNA?

Banco Pine (PINE4) testa apetite do mercado e capta R$ 245 milhões em follow-on que mirava até R$ 400 milhões; ações caem mais de 11%

Captação ficou abaixo do potencial estimado pelo Pine; controlador absorveu fatia relevante da oferta

Camille Lima
Camille Lima
4 de março de 2026
9:48 - atualizado às 13:17
Escritório do Banco Pine (PINE4).
Escritório do Banco Pine (PINE4). - Imagem: Divulgação

Banco Pine (PINE4) decidiu bater à porta da bolsa para reforçar o caixa. A expectativa era aproveitar o momento favorável e levantar até R$ 400 milhões com uma oferta subsequente de ações (follow-on). Mas o apetite ficou aquém do teto projetado. 

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Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o banco informou ter captado cerca de R$ 245,9 milhões no follow-on realizado na B3.  

Com a oferta, o capital social do Pine passará a aproximadamente R$ 1,26 bilhão, dividido entre 129.784.217 ações ordinárias e 129.734.095 ações preferenciais.

Os novos papéis começam a ser negociados na B3 na próxima quinta-feira (5), com a liquidação física e financeira dos recibos de subscrição marcada para o dia 6 de março. 

As ações do Pine operam em forte queda nesta quarta-feira (4). Por volta das 13h, os papéis PINE4 tombavam 11,85% e lideravam as perdas da bolsa brasileira, cotados a R$ 10,86.

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Captação menor que a esperada 

O montante captado pelo Pine ficou abaixo da faixa estimada, que poderia alcançar R$ 399,9 milhões caso houvesse exercício do lote adicional por excesso de demanda.

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Não houve. Sem apetite excedente dos investidores, a oferta ficou restrita ao lote base, de aproximadamente 21,8 milhões de ações. A possibilidade de ampliar a operação em até 45,45% — prevista na estrutura da transação — acabou não sendo utilizada.  

O preço também refletiu esse equilíbrio delicado. As ações foram vendidas a R$ 11,25 cada, um desconto de 8,68% em relação ao último fechamento, quando PINE4 encerrou cotada a R$ 12,32.  

Em ofertas subsequentes, o deságio costuma funcionar como incentivo. Ainda assim, a demanda não justificou um volume maior. 

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Além disso, parte relevante da oferta base foi absorvida pelo próprio controlador, Norberto Nogueira Pinheiro. Ele adquiriu cerca de 5,4 milhões de ações — quase 25% da oferta — desembolsando R$ 60,75 milhões. 

Follow-on do Banco Pine: o que foi captado e para onde vai o dinheiro 

A oferta foi integralmente primária — ou seja, os recursos vão diretamente para o caixa da instituição — e restrita a investidores profissionais, aqueles com mais de R$ 10 milhões aplicados no mercado financeiro. 

Segundo o banco, o objetivo é otimizar a estrutura financeira e de capital, fortalecendo a base para expansão das operações.  

O Pine deixou ainda aberta a possibilidade de avaliar, após a liquidação da oferta e eventuais conversões, a criação de units — combinação de ações ordinárias e preferenciais — como forma de melhorar liquidez e governança no longo prazo. 

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A trajetória recente do Pine 

Fundado em 1997 e listado na bolsa desde 2007 — quando se tornou o primeiro banco médio a abrir capital no país — o Pine construiu sua atuação combinando crédito corporativo, varejo e nichos específicos, como consignado, agronegócio e setor imobiliário. 

Nos últimos trimestres, a instituição conseguiu entregar resultados mais consistentes, reduzindo ruídos e reforçando a percepção de disciplina na concessão de crédito, com preferência por linhas garantidas e tradicionalmente associadas à menor inadimplência. 

Esse ajuste ajudou a reancorar expectativas. Quatro corretoras iniciaram cobertura das ações PINE4 praticamente ao mesmo tempo — todas com recomendação de compra.  

A leitura predominante é que o foco em carteiras colateralizadas, com garantias mais robustas e maior previsibilidade de retorno, permitiu ao Pine crescer preservando controle de risco. 

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O mercado respondeu. Em 2025, as ações acumularam alta de cerca de 189% na B3, refletindo a melhora operacional e a revisão das projeções. Já neste início de ano, os papéis recuam aproximadamente 8%, em um movimento de acomodação após a forte corrida.  

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