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Captação ficou abaixo do potencial estimado pelo Pine; controlador absorveu fatia relevante da oferta

O Banco Pine (PINE4) decidiu bater à porta da bolsa para reforçar o caixa. A expectativa era aproveitar o momento favorável e levantar até R$ 400 milhões com uma oferta subsequente de ações (follow-on). Mas o apetite ficou aquém do teto projetado.
Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o banco informou ter captado cerca de R$ 245,9 milhões no follow-on realizado na B3.
Com a oferta, o capital social do Pine passará a aproximadamente R$ 1,26 bilhão, dividido entre 129.784.217 ações ordinárias e 129.734.095 ações preferenciais.
Os novos papéis começam a ser negociados na B3 na próxima quinta-feira (5), com a liquidação física e financeira dos recibos de subscrição marcada para o dia 6 de março.
As ações do Pine operam em forte queda nesta quarta-feira (4). Por volta das 13h, os papéis PINE4 tombavam 11,85% e lideravam as perdas da bolsa brasileira, cotados a R$ 10,86.
O montante captado pelo Pine ficou abaixo da faixa estimada, que poderia alcançar R$ 399,9 milhões caso houvesse exercício do lote adicional por excesso de demanda.
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Não houve. Sem apetite excedente dos investidores, a oferta ficou restrita ao lote base, de aproximadamente 21,8 milhões de ações. A possibilidade de ampliar a operação em até 45,45% — prevista na estrutura da transação — acabou não sendo utilizada.
O preço também refletiu esse equilíbrio delicado. As ações foram vendidas a R$ 11,25 cada, um desconto de 8,68% em relação ao último fechamento, quando PINE4 encerrou cotada a R$ 12,32.
Em ofertas subsequentes, o deságio costuma funcionar como incentivo. Ainda assim, a demanda não justificou um volume maior.
Além disso, parte relevante da oferta base foi absorvida pelo próprio controlador, Norberto Nogueira Pinheiro. Ele adquiriu cerca de 5,4 milhões de ações — quase 25% da oferta — desembolsando R$ 60,75 milhões.
A oferta foi integralmente primária — ou seja, os recursos vão diretamente para o caixa da instituição — e restrita a investidores profissionais, aqueles com mais de R$ 10 milhões aplicados no mercado financeiro.
Segundo o banco, o objetivo é otimizar a estrutura financeira e de capital, fortalecendo a base para expansão das operações.
O Pine deixou ainda aberta a possibilidade de avaliar, após a liquidação da oferta e eventuais conversões, a criação de units — combinação de ações ordinárias e preferenciais — como forma de melhorar liquidez e governança no longo prazo.
Fundado em 1997 e listado na bolsa desde 2007 — quando se tornou o primeiro banco médio a abrir capital no país — o Pine construiu sua atuação combinando crédito corporativo, varejo e nichos específicos, como consignado, agronegócio e setor imobiliário.
Nos últimos trimestres, a instituição conseguiu entregar resultados mais consistentes, reduzindo ruídos e reforçando a percepção de disciplina na concessão de crédito, com preferência por linhas garantidas e tradicionalmente associadas à menor inadimplência.
Esse ajuste ajudou a reancorar expectativas. Quatro corretoras iniciaram cobertura das ações PINE4 praticamente ao mesmo tempo — todas com recomendação de compra.
A leitura predominante é que o foco em carteiras colateralizadas, com garantias mais robustas e maior previsibilidade de retorno, permitiu ao Pine crescer preservando controle de risco.
O mercado respondeu. Em 2025, as ações acumularam alta de cerca de 189% na B3, refletindo a melhora operacional e a revisão das projeções. Já neste início de ano, os papéis recuam aproximadamente 8%, em um movimento de acomodação após a forte corrida.
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