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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

O TEMIDO RESULTADO

Banco do Brasil (BBAS3) deixou o pior para trás? Lucro vai a R$ 5,7 bilhões e ROE chega a 12,4% no 4T25

Após um ano pressionado por inadimplência e provisões elevadas, BB encerra o 4T25 com resultado acima do esperado; veja os principais números do balanço

Camille Lima
Camille Lima
11 de fevereiro de 2026
18:26 - atualizado às 20:02
Fachada do Banco do Brasil (BBAS3).
Fachada do Banco do Brasil (BBAS3) - Imagem: Divulgação

O Banco do Brasil (BBAS3) fechou a temporada de balanços dos grandes bancos com uma fotografia que surpreende. No quarto trimestre de 2025, o BB reportou lucro líquido ajustado de R$ 5,74 bilhões — um resultado 40,1% menor do que o registrado um ano antes, mas 51,7% superior ao do trimestre imediatamente anterior.

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O montante veio bem acima das expectativas do mercado, que apontavam para algo em torno de R$ 4,02 bilhões, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg.

No acumulado de 2025, o lucro somou R$ 20,7 bilhões, avanço de 51,7% na comparação anual.

Depois de trimestres marcados por uma forte pressão na rentabilidade e problemas na qualidade da carteira, o banco estatal entrega um balanço que surpreende positivamente — mas que ainda carrega cicatrizes importantes.

Segundo a CEO do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, os resultados do quarto trimestre confirmam que o BB começa a dar sinais de inflexão — e que o pior pode ter ficado para trás.

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"Nosso resultado evidencia a capacidade de atravessar cenários adversos com diligência, transparência e foco em geração de valor sustentável. Somos um banco sólido, em quem o brasileiro sabe que pode confiar para todos os momentos", dise a presidente, em nota.

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Rentabilidade melhora, mas distância dos rivais permanece

O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) do Banco do Brasil ficou em 12,4% no quarto trimestre, bem acima do esperado pelo mercado.

Trata-se de um avanço de 4 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, mas ainda 8,4 pontos abaixo do registrado no mesmo período de 2024. No acumulado do ano, o ROE ficou em 11,4%.

É também uma melhora relevante — especialmente diante das reiteradas sinalizações da própria administração de que a rentabilidade permaneceria pressionada por mais tempo. O avanço também vem em meio às dúvidas do mercado sobre a capacidade do BB de voltar a entregar níveis de retorno mais elevados no futuro.

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Apesar da recuperação, o Banco do Brasil segue com a menor rentabilidade entre os grandes bancos listados.

A distância para os pares privados continua significativa. Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) operam em patamares mais elevados, enquanto o Itaú (ITUB4) roda próximo dos 24% de ROE — praticamente o dobro do BB.

Crescimento com freio puxado

carteira de crédito expandida do Banco do Brasil cresceu 2,5% em relação a igual intervalo de 2024 e 1,4% ante ao trimestre imediatamente anterior, para R$ 1,29 trilhão. 

O ritmo mais moderado não é por acaso. Depois de tanto trimestres de sangria, o banco adotou uma postura mais conservadora ao longo do ano, buscando preservar capital e conter riscos em um cenário de maior volatilidade.

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O crescimento veio principalmente da carteira de pessoa física, que avançou 7,5% no ano, puxada pelo crédito consignado — especialmente o privado —, além de operações não consignadas e cartões.

Já os segmentos de pessoa jurídica e agronegócio caminharam em velocidade menor, com altas de 0,6% e 2,1%, respectivamente.

A conta da inadimplência para o Banco do Brasil

Mas, enquanto o lucro surpreendeu positivamente, a qualidade do crédito ainda é o ponto sensível do balanço. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17% no quarto trimestre — alta de 2,1 pontos percentuais na comparação anual e de 0,66 p.p. frente ao trimestre anterior.

Segundo o banco, o indicador foi impactado por um caso específico na carteira de títulos e valores mobiliários (TVM), envolvendo uma empresa do segmento de atacado no valor de R$ 3,6 bilhões. Desconsiderando esse evento, a inadimplência teria ficado em 4,88%.

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As provisões para devedores duvidosos (PDD) — o colchão que os bancos mantêm para absorver calotes — saltaram 86,9% em relação ao ano anterior, somando R$ 19 bilhões em perdas esperadas com crédito no quarto trimestre.

Já o custo do crédito — que soma as despesas de perda esperada aos descontos concedidos e desconta as receitas de recuperação — aumentou 93,9% na base anual, alcançando R$ 17,9 bilhões no período. 

O banco atribui a pressão principalmente ao aumento da inadimplência no agronegócio e ao maior risco de crédito na carteira ao longo do ano. Segundo a administração, a carteira rural foi a "vilã" dos resultados, representando 56% do risco de crédito no 4T25.

"Começamos o ano com as taxas de juros sendo elevadas, o que aumenta o custo de captação e o preço do crédito. Sempre tivemos o DNA voltado para a pessoa física no crédito consignado, então nos restava enfrentar o desafio do setor rural e, ao mesmo tempo, buscar oportunidades para trazer mais receita e neutralizar os impactos. Se fosse possível neutralizar totalmente, estaríamos com lucros perto dos R$ 40 bilhões, mas o esforço foi importante para evitar uma queda ainda maior", disse o vice-presidente de gestão financeira e relações com investidores, Geovanne Tobias.

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Outros destaques do balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no 4T25 

margem financeira bruta — que representa a diferença entre a receita com crédito e os custos de captação — subiu 3,8% em relação aos últimos 12 meses, totalizando R$ 27,8 bilhões no quarto trimestre. 

"A performance da Margem Financeira Bruta demonstra a consistência de geração de receitas do BB", diz o banco.

Segundo o banco, o desempenho reflete a consistência na geração de receitas, com destaque para o crescimento das operações de crédito com pessoas físicas e para a diversificação do mix, especialmente com maior peso do consignado privado.

Já a margem com o mercado — ligada às operações de tesouraria — caiu 43,7% frente ao mesmo período de 2024, para R$ 3,38 bilhões, embora tenha mostrado forte recuperação em relação ao terceiro trimestre, com alta de 94,4%.

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Por sua vez, a margem financeira com clientes avançou 17,5% na comparação anual, chegando a R$ 24,4 bilhões.

As receitas com prestação de serviços do Banco do Brasil (BBAS3) caíram 3,9% no período, chegando a R$ 8,8 bilhões no fim de dezembro.

Enquanto isso, as despesas administrativas avançaram 4,1% no comparativo anual, a R$ 9,8 bilhões, pressionadas por gastos maiores com salários, investimentos em tecnologia e segurança digital. 

Por sua vez, o índice de eficiência chegou a 27,7% no fim de dezembro.

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O que esperar do Banco do Brasil em 2026? De olho no guidance

Depois de um ano marcado por provisões elevadas, rentabilidade pressionada e crescimento mais cauteloso, o mercado agora quer saber se o banco conseguirá estabilizar a inadimplência, recompor retorno e acelerar sem comprometer qualidade.

Junto ao balanço, o Banco do Brasil (BBAS3) também divulgou as projeções (guidance) para o ano de 2026. 

A expectativa é de um crescimento cauteloso no crédito para pessoa física, enquanto a carteira de agronegócio deve permanecer estável devido a um apetite mais seletivo e maior exigência de garantias.

"Estamos otimistas com 2026, atuando sempre com cautela, estratégia clara e execução disciplinada. Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e rentabilidade: fortalecimento de garantias, matriz de resiliência e novos produtos para sustentar a parceria histórica com o agro", disse a CEO do BB.

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Segundo Medeiros, o guidance reforça que banco conseguiu se adaptar ao cenário para que este ano marque a retomada de "patamares de rentabilidade do tamanho do BB".

A expectativa da administração do BB é que a redução da taxa de juros a partir de março de 2026 impulsione os resultados no segundo semestre.

Confira as estimativas:

IndicadorIntervalo / Valor
Carteira de crédito0,5% a 4,5%
- Pessoas físicas6% a 10%
- Empresas-3% a 1%
- Agronegócios-2% a 2%
Carteira sustentável2% a 6%
Margem financeira bruta4% a 8%
Custo do créditoR$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões
Receitas de prestação de serviços2% a 6%
Despesas administrativas5% a 9%
Lucro líquido ajustadoR$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões

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