Azul (AZUL53): saída da recuperação nos EUA ganha forma com nova emissão, aporte e plano para o pós-Chapter 11
A aérea anunciou acordo para aporte de US$ 100 milhões, além de emissão de ações para captar até US$ 950 milhões, com diluição de 80% da base acionária; a companhia também publicou um plano de negócios atualizado

A Azul (AZUL53) está dando os passos finais para encerrar seu o processo de recuperação. A companhia executa agora fases decisivas para se despedir de vez do Chapter 11, a lei de falências norte-americana, em fevereiro deste ano.
A aérea anunciou que credores e parceiros comerciais concordaram em aportar US$ 100 milhões na companhia, o que pode ajudar a acelerar o processo, segundo a própria Azul. O valor se soma a outras iniciativas e acordos já anunciados e eleva para até US$ 950 milhões o montante de investimentos previstos para a recuperação da companhia.
No entanto, o novo investimento ainda depende de aprovações regulatórias. Para evitar esse entrave, a companhia anunciou um plano alternativo para viabilizar esse aporte.
Nele, os investidores não colocam o dinheiro imediatamente, mas recebem bônus de subscrição — instrumentos que dão o direito de comprar ações da empresa no futuro, por um preço já definido.
Em resumo: o dinheiro entra depois, mas o acordo econômico fica “travado” agora. Caso o contrário, a Azul poderia ficar “presa” na RJ por mais algum tempo, até que saíssem as aprovações.
Azul: mais uma emissão de ações (e mais diluição)
A companhia também anunciou que realizará uma nova oferta pública para captar até US$ 950 milhões a ajudar na saída do Chapter 11, reforçando sua liquidez.
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Segundo a Azul, a operação será viabilizada por meio de um contrato de compromisso de apoio (backstop) firmado com determinados investidores que se comprometeram a comprar as ações.
Além disso, a oferta também deverá contar com um ou mais investidores estratégicos, conforme previsto no plano de reestruturação, assegurando que a captação ocorra mesmo em um cenário de menor apetite do mercado.
Segundo a companhia, esse processo deve resultar em diluição aproximada de 80% da base acionária então existente.
A Azul também confirmou informações já divulgadas no âmbito do processo de recuperação: parte das dívidas foi convertida em ações, em um movimento que levou à emissão de 102,1 trilhões de novos papéis e elevou o capital social em R$ 1,04 bilhão, para R$ 16,77 bilhões.
A conversão reduziu o endividamento financeiro da companhia, mas promoveu uma diluição relevante dos acionistas que estavam na base antes da recuperação judicial.
O plano de negócios da Azul
Paralelamente, a Azul divulgou um plano de negócios atualizado, que reflete tanto os resultados efetivos da companhia até novembro de 2025 quanto os acordos fechados ao longo do Chapter 11 com credores, fabricantes de aeronaves e bancos locais.
O documento projeta que a empresa deixará a recuperação judicial com uma estrutura de capital mais leve, menor endividamento e alavancagem líquida em torno de 2,5 vezes a relação de dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) na saída do processo. A alavancagem da companhia no antes do processo estava na casa de 5 vezes.
Do ponto de vista operacional, o plano indica uma estratégia mais cautelosa. O crescimento de capacidade será moderado, com ajustes na frota e revisão do cronograma de entregas de aeronaves, enquanto o foco recai sobre eficiência e controle de custos.
A companhia projeta margens Ebitida ajustadas acima de 33% a partir de 2026 (frente aos atuais 24% em termos não ajustados), sustentadas principalmente pela redução de despesas com leasing, renegociação de contratos e uma estrutura financeira menos onerosa.
A geração recorrente de caixa, mesmo após os pagamentos de arrendamento, aparece como um dos pilares para reforçar a liquidez nos anos seguintes.
A recuperação judicial da Azul é “case de sucesso”
Segundo Fábio Percegoni de Andrade, sócio da BVZ Advogados, o processo de recuperação judicial da Azul é um case de sucesso para o mercado, uma vez que deve ser resolvido em menos de um ano.
Na visão dele, a companhia tomou decisões-chave que tornaram seu processo de recuperação judicial um dos mais bem-sucedidos já vistos.
A escolha pelos Estados Unidos foi central, já que o Chapter 11 permitiu incluir credores de leasing (arrendamento de aeronaves) — que ficariam fora da recuperação no Brasil por causa da nossa legislação — e garantir acesso a financiamento DIP, concedido a empresas que estão em recuperação judicial lá nos EUA.
"Os credores de leasing, os principais da Azul, não estão sujeitos à nossa recuperação. Ou seja, se a Azul tivesse entrado com o pedido por aqui, o maior problema dela não teria sido resolvido", destaca Percegoni de Andrade. Com isso, o processo tende a ser muito mais rápido do que seria no Brasil
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