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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

RAIO-X DA DÍVIDA

CSN (CSNA3) em tratamento de choque: Moody’s corta rating e alerta para efeitos colaterais

A agência rebaixou nota de crédito da companhia para B2 e acendeu o alerta sobre a dívida bilionária

Carolina Gama
19 de fevereiro de 2026
19:24 - atualizado às 19:26
tela de celular mostra logotipo da CSN (CSNA3) | CSN Mineração (CMIN3) recompra de ações
Imagem: Shuttertstock

A saúde financeira da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) recebeu um diagnóstico negativo da Moody’s Ratings nesta quinta-feira (19). A agência rebaixou a classificação da empresa de Ba3 para B2, mantendo uma perspectiva negativa do rating.

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Na visão da Moody's, a estrutura de capital da companhia está altamente alavancada, exigindo um tratamento de choque para evitar riscos maiores de refinanciamento.

  • O endividamento líquido da CSN, que era de R$ 16,5 bilhões em 2021, atingiu R$ 37,55 bilhões em setembro de 2025, com a alavancagem medida entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegando a 3,14 vezes.

Para a Moody’s, os sintomas da CSN são claros: o nível de endividamento e o peso dos encargos de juros estão drenando a geração de fluxo de caixa livre.

Um agravante no prontuário da empresa é a alocação de capital dentro do grupo. Atualmente, a maior parte da dívida está concentrada na holding, enquanto o pulmão que gera o caixa é a subsidiária de mineração.

Segundo a agência, a CSN precisa reequilibrar esses riscos entre as divisões do grupo para estabilizar sua condição.

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O remédio para a CSN

Para tratar a enfermidade financeira, a CSN já apresentou providências. Em 15 de janeiro, a companhia anunciou planos para:

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  • Venda de participação minoritária em ativos de infraestrutura;
  • Venda de participação majoritária em ativos de cimento;
  • Meta de arrecadação: entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.

O objetivo é reduzir a dívida total na holding, o que melhoraria a alavancagem, aliviaria os riscos de liquidez frente aos vencimentos futuros e equilibraria as contas entre holding e subsidiárias.

Leia também: A CSN (CSNA3) quer vender até R$ 18 bilhões em ativos — quais as chances de o plano de desalavancagem finalmente sair do papel

Efeitos colaterais e riscos de recaída

Apesar do plano estar traçado, a Moody’s adverte que a recuperação não é imediata. Até que as vendas sejam efetivamente executadas, as métricas de crédito da CSN continuarão debilitadas e os riscos de liquidez permanecerão elevados — especialmente em momentos de volatilidade e aversão ao risco no mercado.

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A agência é enfática: sem a aceleração da desalavancagem via venda de ativos, redução de investimentos (capex) ou corte proativo da dívida, o fluxo de caixa da CSN será mais compatível com uma categoria de classificação ainda mais baixa.

"A maioria das necessidades de refinanciamento futuras está relacionada a dívidas bancárias, e o próximo vencimento relevante de títulos é em 2028", aponta o relatório.

Mesmo com liquidez considerada adequada no momento, o consumo de caixa atual aumentou o risco de refinanciamento no médio prazo.

Agora, o mercado aguarda para ver se a CSN conseguirá aplicar o remédio proposto a tempo de evitar uma nova piora no quadro de crédito.

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*Com informações do Money Times

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