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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

UM NOVO INTERESSADO

Acionista da Oncoclínicas (ONCO3) coloca R$ 500 milhões na mesa — mas, antes, quer derrubar todo o conselho

Fundo minoritário propõe injetar capital novo na operação, mas exige antes reconfigurar a governança da companhia; entenda

Camille Lima
Camille Lima
25 de março de 2026
9:06 - atualizado às 9:10
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3).
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3). - Imagem: Divulgação

Oncoclínicas (ONCO3) ganhou um novo elemento de pressão em meio ao seu processo de reestruturação. Um acionista minoritário relevante está disposto a colocar uma grande quantia de dinheiro novo na mesa. Mas, antes disso, quer trocar quem está sentado nela.  

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O fundo MAK Capital Fund LP, que detém cerca de 6,3% da companhia, informou que tem interesse em realizar um aporte de capital de aproximadamente R$ 500 milhões.  

A contrapartida, no entanto, não é trivial: o acionista quer a destituição integral do atual conselho de administração

Em um momento em que a Oncoclínicas busca alternativas para reorganizar seu balanço e atravessar pressões de curto prazo, a proposta adiciona uma nova variável — desta vez, centrada na governança. 

Seu Dinheiro entrou em contato com a MAK Capital e a Oncoclínicas, mas não obteve retorno até o momento de publicação desta matéria. O espaço segue aberto. 

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O que o acionista da Oncoclínicas quer antes de injetar dinheiro na operação 

Para viabilizar a mudança, a MAK Capital solicitou a convocação de uma assembleia geral extraordinária (AGE) para discutir a reestruturação da governança da Oncoclínicas. 

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Entre os pontos propostos estão: 

  • A discussão detalhada da situação econômico-financeira da companhia, incluindo medidas em curso para renegociação de dívidas;  
  • A destituição dos atuais membros do conselho de administração;  
  • A redefinição do número de cadeiras;  
  • A eleição de novos conselheiros, incluindo independentes; e 
  • A escolha de um novo presidente (chairman) e vice-presidente do colegiado.  

Fundada em 2002 por Michael Kaufman e sediada em Nova York, a MAK Capital mantém um perfil discreto. Em seu site institucional, os únicos dados que constam são seu endereço e um e-mail para contato. No Brasil, o BTG Pactual atua como seu representante legal. 

A gestora ampliou sua participação na Oncoclínicas em novembro de 2025, acompanhando o aumento de capital privado bilionário realizado pela empresa.  

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Devido à operação, o fundo ainda detém bônus de subscrição que podem elevar sua fatia acionária nos próximos dois anos — o que, na prática, amplia seu potencial de influência no futuro da companhia. 

À época do investimento, a MAK Capital afirmava buscar uma postura passiva enquanto acionista, sem intenção de influenciar o controle ou a administração. 

Agora, a abordagem parece ter mudado — ao menos diante do cenário atual da empresa. 

Guerra pelo controle da Oncoclínicas (ONCO3)? 

A investida da MAK Capital ocorre em um momento particularmente movimentado para a Oncoclínicas (ONCO3). 

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Há apenas algumas semanas, a empresa de tratamentos oncológicos firmou um acordo de exclusividade de 30 dias para negociar uma parceria estratégica bilionária com a Porto (PSSA3)

A operação ganhou uma reviravolta nos últimos dias, com um novo participante entrando em cena nas negociações: o Fleury (FLRY3), que pretende participar como potencial co-investidor

O desenho em discussão prevê a criação de uma nova empresa (NewCo), para a qual seriam transferidos os ativos e operações ligados às clínicas oncológicas — o coração do negócio da Oncoclínicas. 

Junto com esses ativos, também migraria uma parcela relevante do endividamento, que pode chegar a R$ 2,5 bilhões, incluindo obrigações financeiras, passivos com fornecedores, tributos e compromissos oriundos de aquisições passadas. 

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Do outro lado, Porto e Fleury aportariam cerca de R$ 500 milhões por meio de uma holding, que passaria a deter o controle da nova estrutura. 

O plano inclui ainda a emissão de debêntures conversíveis em ações, também no valor de R$ 500 milhões. Esses papéis poderiam ser subscritos pelos investidores estratégicos — com a possibilidade de participação minoritária da própria Oncoclínicas, em até 30% da tranche. 

MAK Capital quer disputar com oferta da Porto e Fleury? 

À primeira vista, a proposta da MAK Capital pode parecer concorrente ao acordo em negociação com Porto e Fleury. Mas a gestora diz que a intenção é outra. 

Segundo informações do InvestNews, o fundo avalia que a companhia precisa de uma solução mais imediata para atravessar a pressão de caixa e os vencimentos de curto prazo.  

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Por isso, o aporte de até R$ 500 milhões funcionaria como um reforço emergencial de liquidez, enquanto uma solução estrutural mais ampla fosse construída. 

Ainda de acordo com o site, a MAK argumenta que a proposta não seria uma alternativa contrária ao negócio com Porto e Fleury, mas um complemento. 

A principal divergência, ao que tudo indica, está na governança: para a gestora, uma mudança no conselho seria condição necessária para destravar valor e dar mais previsibilidade ao processo. 

Por ora, a resposta da companhia é protocolar. Em fato relevante, a Oncoclínicas afirmou que a diretoria da companhia e o conselho “tomarão as providências necessárias para a análise da regularidade” da solicitação da MAK Capital.

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