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Museu do Louvre reabre a Galeria de Apolo sem suas tradicionais peças históricas e aposta em plano de modernização.

Nove meses depois de um dos roubos mais impactantes da história recente do mundo da arte, o Museu do Louvre reabriu ao público nesta quarta-feira (22) a histórica Galeria de Apolo.
A reabertura marca um novo capítulo para o espaço, que deixa para trás a exposição das Joias da Coroa Francesa e retoma sua função original como uma galeria cerimonial do século XVII.
O retorno dos visitantes, porém, acontece sem as vitrines que durante décadas exibiram algumas das peças mais valiosas da coleção real francesa.
As joias remanescentes foram retiradas do local e serão transferidas para uma futura sala de alta segurança, projetada para oferecer um nível de proteção muito superior ao existente antes do assalto.
A decisão simboliza a tentativa do Museu do Louvre de superar o episódio que demonstrou falhas de segurança em um dos pontos turísticos mais visitados do mundo.
Com a reabertura, a Galeria de Apolo passa a destacar um patrimônio muitas vezes ofuscado pelas peças preciosas.
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Criado durante o reinado de Luís XIV, o salão é considerado uma das obras-primas do barroco francês e serviu de inspiração para a famosa Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes.
O ambiente reúne tetos ornamentados, pinturas monumentais, detalhes dourados e uma decoração que representa o auge da arte decorativa francesa do século XVII.
Desde 1861, vitrines especialmente projetadas exibiam gemas pertencentes a Luís XIV, peças ligadas a Maria Antonieta, tesouros da Abadia de Saint-Denis e, posteriormente, as Joias da Coroa Francesa preservadas após a venda da maior parte da coleção real em 1887.
Segundo a direção do Louvre, em comunicado oficial, a retirada das joias permite que os visitantes redescubram a arquitetura, pinturas, esculturas e tapeçarias, retomando sua vocação de galeria de aparato do século XVII.
A reabertura da Galeria de Apolo faz parte de um processo mais amplo de transformação do Louvre.
Sob o comando de Christophe Leribault, o museu prepara um plano de modernização estimado em até 1 bilhão de euros, que inclui reforço da segurança, renovação da infraestrutura, adaptação às ondas de calor e redução da superlotação.
Entre os projetos está ainda a criação de uma nova galeria dedicada exclusivamente à Mona Lisa até 2031.
Para financiar parte das obras, a direção pretende arrecadar cerca de 360 milhões de euros em doações.
Leribault também alertou em entrevista ao "Le Parisien" que o apoio do próximo governo francês será decisivo para garantir a continuidade do plano de revitalização do museu.
Em outubro do ano passado, um grupo de criminosos invadiu a Galeria de Apolo em plena luz do dia utilizando uma plataforma elevatória instalada para obras no museu.
Após acessar uma janela do segundo andar, os ladrões quebraram vitrines de alta segurança e fugiram em poucos minutos com oito joias da Coroa Francesa, avaliadas em cerca de 88 milhões de euros (aproximadamente R$ 510 milhões).
As joias roubadas continuam desaparecidas. Apenas uma coroa pertencente à imperatriz Eugênia foi recuperada, mas danificada, e passa por restauração.
As investigações seguem em andamento, com quatro suspeitos já indiciados pelas autoridades francesas.
*Com supervisão de Ricardo Gozzi
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