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Durante o Web Summit Rio 2026, Luana Lopes Lara falou sobre os embates regulatórios enfrentados pela Kalshi, a comparação com as bets e a evolução de uma indústria que ela julga ser pouco compreendida pelo público ainda

Muito confundido com plataformas de apostas comuns — as 'bets', como são conhecidas —, os mercados preditivos têm ganhado tração ao redor do mundo ao permitir que pessoas apostem dinheiro em praticamente qualquer coisa: decisões econômicas, inflação, eventos esportivos ou corporativos e até mesmo o resultado de uma eleição presidencial.
Nesse ramo, um dos principais players é a Kalshi, plataforma norte-americana que tem a brasileira Luana Lopes Lara como cofundadora. Ela foi uma das palestrantes no primeiro dia do Web Summit Rio 2026, um dos maiores eventos de tecnologia da América Latina. O Seu Dinheiro acompanha a programação diretamente do Riocentro, no Rio de Janeiro, entre os dias 8 e 11 de junho.
Durante o painel, Lara quis se desvencilhar da ideia de que seu serviço esteja no 'mesmo balaio' do que as bets ou os cassinos. Para ela, o cerne da questão está em como a Kalshi e companhia ganham dinheiro.
"Em uma casa de apostas esportivas ou cassino o lucro vem quando o usuário perde. No mercado preditivo, é completamente diferente. Nós ganhamos dinheiro em uma taxa de transação. Queremos que os vencedores continuem trazendo informações para o mercado e continuem ganhando. Esse incentivo é crucial para a diferenciação", afirmou.
Mesmo assim, esse mercado ainda enfrenta grande resistência fora dos EUA, em especial no Brasil. Há cerca de dois meses, o governo federal proibiu esse tipo de operação, bloqueando a Kalshi e diversas outras plataformas que oferecem o serviço em território nacional.
Sobre esse tema, Lara disse que a Kalshi está trabalhando em conjunto com as autoridades e ressaltou que o setor já enfrentou obstáculos semelhantes em outros mercados. Segundo a bilionária, a trajetória da empresa em seu maior mercado, os Estados Unidos, também foi marcada por anos de embates regulatórios antes de alcançar o atual nível de aceitação.
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"No final das contas, vencemos porque estávamos certos na lei. Depois de tantos anos enfrentando batalhas judiciais, ficamos um pouco imunes às oscilações de uma vitória aqui ou uma derrota ali. Estamos muito confortáveis com nossa posição", disse Lara.
Apesar das restrições, Lara avalia que a maior barreira para a expansão dos mercados preditivos não é regulatória, mas cultural. Segundo ela, ainda existe uma percepção equivocada sobre plataformas como a Kalshi e é necessário educar as autoridades e população sobre as diferenças.
"Da mesma forma que no Brasil você pode negociar futuros do S&P, você deveria poder fazer isso com a Kalshi também. É apenas uma questão de educação", disse durante o evento.
A executiva argumenta que os mercados preditivos se aproximam mais de instrumentos financeiros do que de jogos de azar. Isso porque os contratos negociados refletem expectativas sobre eventos futuros e podem, inclusive, servir como mecanismos de proteção para empresas e investidores.
A bilionária também destacou que a expansão da Kalshi vem encontrando resistência tanto de operadores de apostas quanto de participantes tradicionais do mercado financeiro.
Segundo ela, parte das críticas recebidas pela empresa decorre justamente do potencial de disrupção do modelo. "As bolsas tradicionais estão nos observando e tentando nos atacar. Sempre que você interrompe uma grande indústria, eles vão tentar te parar. Os incumbentes não gostam de disruptores", afirmou.
Lara acredita que os mercados preditivos podem se tornar uma categoria maior do que o próprio mercado acionário. A justificativa é que os eventos negociados nesses mercados fazem parte do cotidiano das pessoas.
"Quando você está à mesa de jantar, fala sobre eleições, pandemias e esportes. Você não fala sobre a ação da Meta ou sobre data centers. É muito mais intuitivo para as pessoas", afirmou durante o Web Summit Rio 2026, que o Seu Dinheiro irá acompanhar in loco até o dia 11 de junho.
Para a executiva, a adoção em massa dos mercados preditivos não depende mais de uma mudança tecnológica, mas de tempo, educação financeira e aceitação regulatória.
Outro ponto abordado por Lara foi a percepção de que os mercados preditivos incentivam comportamentos semelhantes aos observados em apostas esportivas. A executiva reconheceu que uma parcela significativa dos usuários perde dinheiro na plataforma, mas argumentou que esse fenômeno não é exclusivo do setor.
"É óbvio que as pessoas perdem dinheiro na Kalshi. Há risco em todo lugar", afirmou.
Segundo ela, a comparação mais adequada não seria com cassinos ou bets, mas com outras modalidades de negociação de varejo. Lara argumenta que atividades como day trade, operações com futuros e investimentos em criptomoedas, apresentam taxas de perdas ainda maiores.
Na visão da executiva, o principal desafio do setor é superar a percepção de que mercados preditivos são apenas uma nova forma de aposta.
"A atividade não vai desaparecer. É mais uma questão de como você torna isso da maneira mais segura possível", destacou.
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