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RELATÓRIO FOCUS

O pior está por vir? Se depender do mercado, sim. As novas previsões para a inflação e para os juros no Brasil

No caso do dólar, a estimativa indica que a moeda norte-americana não deve continuar operando abaixo de R$ 5,00 até o final de 2026; confira a cotação projetada para o câmbio

nuvens escuras representando dúvida sobre a política monetária e a palavra selic escrita em branco ao centro
Selic - Imagem: Montagem Seu Dinheiro/iStock/Andrey Shadrin

O mercado chegou a respirar aliviado com a trégua no Oriente Médio, mas durou pouco. Nesta segunda-feira (20), os investidores acordaram com os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz — de novo — pelo Irã, e com um relatório Focus implacável: as previsões para inflação e juros pioraram consideravelmente no Brasil. E a guerra tem tudo a ver com isso.  

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Pela sexta semana seguida, a mediana para o índice de preços para o consumidor amplo (IPCA) subiu. Agora passou de 4,71% para 4,80%, ampliando a distância do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%.  

A piora na previsão do mercado reflete a dispara dos preços do petróleo provocada pelo conflito entre EUA e Israel contra o Irã. Os norte-americanos chegaram a firmar uma trégua com os iranianos e, logo depois, israelenses negociaram um cessar-fogo com o Líbano, mas tudo isso durou pouco.  

No final de semana, Teerã voltou a fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo negociado no mundo, e os EUA atacaram um navio com bandeira iraniana. 

Imediatamente, os preços do petróleo — que haviam recuado 14% na sexta-feira (17) — voltaram a subir no exterior.  

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De olho nessa disparada, os agentes do mercado brasileiro entendem que ainda não há espaço para outra trégua: o esfriamento da inflação.  

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A estimativa intermediária para 2027 aumentou pela quarta semana consecutiva, de 3,91% para 3,99%. Há um mês, era de 3,80%. Considerando as 108 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 3,89% para 4,0%. 

O Banco Central prevê inflação de 3,9% em 2026 e de 3,3% no acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre de 2027, o horizonte relevante da política monetária. A projeção para o IPCA do ano que vem é de 3,3%. 

Para 2028, a mediana permaneceu em 3,60%. Um mês antes, era de 3,52%. A estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 33ª semana consecutiva. 

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Vale lembrar que, desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.  

Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. 

Inflação acelera, juros acompanham 

Se o conflito no Oriente Médio mexe com a inflação no Brasil — e no mundo — não teria como os juros escaparem. 

A medida do Focus para a Selic no fim de 2026 aumentou de 12,50% para 13,0%, após três semanas de estabilidade.  

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A projeção para o fim de 2027 aumentou de 10,50% para 11,0%, depois de 61 semanas de estabilidade. Levando em conta apenas as 90 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 10,53% para 11,0%. 

No mês passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual (pp), de 15% para 14,75% ao ano, na primeira redução de juros em quase dois anos. Você pode conferir aqui a decisão em detalhes.

Na ocasião, o Copom alertou para o aumento das incertezas no cenário, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reforçou a baixa visibilidade durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), no último dia 26.  

Na ocasião, Galípolo disse que o conservadorismo da autoridade monetária em 2025 compra tempo para analisar o cenário e entender os efeitos que a alta do petróleo terá sobre os preços domésticos. 

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Para o fim de 2028, a mediana para a Selic permaneceu em 10,0% pela 13ª leitura seguida. A estimativa para 2029 aumentou de 9,75% para 9,88%. Há um mês, era de 9,50%. 

Economia no azul, brasileiro no vermelho: por que os dados não batem com a realidade?

Dólar e PIB 

O dólar à vista tem operado abaixo dos R$ 5,00 há uma semana, mas não chegar ao final de 2026 nesse patamar, segundo o Focus desta segunda-feira (20).  

A mediana indica uma queda na cotação ao fim de 2026 pela segunda semana seguida, passando de R$ 5,37 para R$ 5,30, em meio à valorização do real.  

Na última sexta-feira (17), o dólar fechou cotado a R$ 4,9833 e, nesta segunda-feira (20), segue operando na casa de R$ 4,98. Um mês antes, a mediana para o dólar no fim de 2026 era de R$ 5,40. 

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Para o fim de 2027, a mediana para o dólar caiu pela segunda semana consecutiva, de R$ 5,40 para R$ 5,35. Um mês antes, era de R$ 5,45. A estimativa intermediária para o fim de 2028 passou de R$ 5,46 para R$ 5,40, enquanto a projeção para o fim de 2029 caiu de R$ 5,50 para R$ 5,45. 

Já com relação à expansão da economia brasileira, a variação foi um pouco menor. 

A mediana do Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 oscilou de 1,85% para 1,86%. Um mês antes, era de 1,84%.   

O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%, segundo o Relatório de Política Monetária do primeiro trimestre. O Ministério da Fazenda espera alta de 2,33% para o PIB.  

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Para 2027, a mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira seguiu em 1,80% pela 16ª semana consecutiva.  As medianas para 2028 e 2029 permaneceram em 2,0%, pela 110ª e 57ª semana seguida, respectivamente. 

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