Ação da Tupy (TUPY3) atinge máxima nesta terça-feira (29) e fecha com alta de mais de 3%. O que animou os investidores?
Mesmo com projeções conservadoras, Itaú BBA vê espaço para a companhia surpreender.

O início do pregão desta terça-feira (29) poderia ter sido como qualquer outro, se não fosse o entusiasmo do mercado com as ações da Tupy (TUPY3). Logo na abertura, o papel era cotado a R$ 16,50, o que já representava uma alta de 3,2%.
O movimento não parou por aí. Por volta das 10h (horário de Brasília), a ação chegou a subir 5,4% e atingiu R$ 16,86, a máxima no dia, para fechar cotada a R$ 16,60 (+3,81%).
Boa parte do avanço de TUPY3 refletiu a reação dos investidores à avaliação mais recente do Itaú BBA, divulgada na véspera.
O banco elevou a recomendação do papel de neutra para compra, mesmo após incorporar resultados recentes mais fracos e adotar premissas mais conservadoras para 2027. Ainda assim, o BBA vê uma relação entre risco e retorno atrativa e aposta em uma virada operacional no segundo semestre de 2026.
Por trás do otimismo do Itaú BBA
Além de elevar a recomendação de TUPY3 de neutra para compra, o BBA aumentou o preço-alvo de R$ 13 para R$ 20. Em comparação com o fechamento de hoje, o novo valor representa um potencial de valorização de 20,48%.
Além de aposta na virada operacional nesta segunda metade do ano, para 2027, o banco projeta crescimento de 7% da receita e margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 10,4%, ainda abaixo do nível histórico normalizado da Tupy.
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E não é só o Itaú BBA que enxerga esse otimismo. Segundo o banco, as projeções estão, em geral, próximas das expectativas de gestores e investidores institucionais, o chamado consenso buy side.
A ação está barata?
Com base na cotação da segunda-feira (28), de R$ 15,99, quando o BBA fez o relatório, TUPY3 estava sendo negociada a 3,9 vezes o EV/Ebitda (valor da firma sobre o Ebitda) projetado para 2027 e a 7,3 vezes o lucro projetado, pelo múltiplo preço sobre lucro (P/L).
Embora os múltiplos da Tupy estejam próximos aos de outras empresas do setor, o banco vê espaço para que a ação se revele mais barata do que parece.
Isso porque as projeções são consideradas conservadoras: se as iniciativas de eficiência levarem a margem Ebitda acima dos 10,4% estimados, a companhia poderá entregar resultados superiores às expectativas.
Nesse cenário, os múltiplos ficariam menores, fazendo com que a ação parecesse mais barata em relação aos resultados entregues. Mas a concretização dessa tese ainda depende da recuperação operacional da Tupy.
A virada de chave para a Tupy
Outro fator que entrou no radar dos investidores foi a mudança na presidência do conselho, anunciada na noite anterior. A troca ocorreu em meio a um processo de profissionalização da gestão da Tupy e veio junto a uma proposta de reforma do estatuto social.
A companhia pretende estabelecer critérios de elegibilidade para conselheiros e diretores, após críticas de acionistas minoritários a indicações anteriores. No relatório, o Itaú BBA destaca o movimento como uma melhora de governança.
Na avaliação do banco, esse processo resultará no fortalecimento da governança e na profissionalização da gestão, que aumentam a confiança na resiliência da companhia e na redução da ciclicidade dos resultados dela.
Essa percepção de menor risco também levou o Itaú BBA a reduzir de 16% para 14% o WACC utilizado no valuation. Na prática, uma taxa menor passou a ser utilizada para calcular quanto os resultados futuros da Tupy valem hoje.
E foi justamente essa medida que ajudou a sustentar o preço-alvo mais elevado mesmo com as projeções operacionais mais conservadoras.
O que o banco avalia para o curto prazo?
Para os próximos 30 a 90 dias, o primeiro grande teste da tese será o balanço do terceiro trimestre da Tupy. O Itaú BBA estima receita de R$ 2,6 bilhões e margem Ebitda de 9,4% para o período.
A confirmação desses números pode representar a virada operacional esperada para o segundo semestre deste ano. No relatório, uma recuperação da demanda, combinada às iniciativas de eficiência, deve favorecer a receita e a rentabilidade da empresa.
Nesse contexto, a demanda por caminhões nos Estados Unidos também entra no radar — mostrando se a recuperação esperada para a Tupy já começou a se concretizar, já que a companhia fornece componentes para veículos pesados.
Mas nem tudo é positivo. Entre os riscos para a tese, o Itaú BBA destaca uma recuperação da rentabilidade mais lenta do que o esperado, o que poderia levar a revisões negativas nas estimativas. Uma valorização mais forte do real também poderia pressionar os resultados e reduzir a competitividade da companhia.
*Sob supervisão de Carolina Gama.
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