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A 10 dias das eleições, ministro da Fazenda defende que governo Lula adotou ‘política fiscal correta’ em artigo na The Economist

Dario Durigan publicou artigo na The Economist que defende as iniciativas do governo Lula na economia, um dos pontos de mais críticos para a reeleição. Veja os destaques

O Ministro da Fazenda, Dario Durigan
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan - Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com só 10 dias restantes até o primeiro turno das eleições, Dario Durigan, ministro da Fazenda, jogou pesado e foi à imprensa internacional. Em artigo pulicado na revista britânica The Economist, defendeu que a política fiscal adotada durante o governo Lula foi a correta para o Brasil.

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O tamanho da dívida pública e a trajetória fiscal são as principais críticas de economistas de mercado, gestores e analistas em relação ao governo dos últimos quatro anos.

Luis Stuhlberger, fundador e CIO da Verde Asset e um dos maiores nomes do mercado financeiro, é um dos que reprovam as medidas adotadas.

Em evento recente, o gestor classificou o terceiro mandato de Lula como o pior governo do petista do ponto de vista fiscal e afirmou que o Brasil entrou em uma trajetória preocupante de aumento de gastos, déficits elevados e dívida crescente.

Já Durigan, no texto publicado na quinta-feira (24), atribuiu os desafios econômicos do país ao presidente anterior. O ministro criticou o governo de Jair Bolsonaro e citou a alta do endividamento das famílias, o crescimento da fome e o desemprego médio de 12%.

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No artigo, o ministro afirma que o Brasil vive hoje um cenário de inflação e desemprego em níveis historicamente baixos e cita a retirada do país do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), além dos ganhos reais do salário-mínimo e da renda média dos trabalhadores.

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Porém, o principal argumento do ministro está nas contas públicas.

Segundo Durigan, o déficit primário caiu de pouco mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023 para uma projeção de 0,6% do PIB em 2026, em um processo que, segundo ele, ocorreu sem sacrificar políticas sociais.

Vale lembrar que essa melhora ocorreu devido ao aumento da arrecadação e da carga tributária. No entanto, esse ganho foi perdido integralmente com o serviço da dívida pública, que passou de 6% do PIB em 2023 para 8,5% neste ano.

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A defesa do arcabouço fiscal

O ministro também aproveitou o espaço na publicação britânica para defender o arcabouço fiscal, aprovado em 2023 e frequentemente apontado pelo governo como o principal instrumento para controlar o crescimento dos gastos públicos.

De acordo com Durigan, a regra ajudou a manter as despesas primárias próximas de 19% do PIB e abre caminho para que o orçamento de 2027 volte a projetar superávits fiscais.

Na visão do ministro, a trajetória das contas públicas também contribuiu para reduzir a pressão sobre os juros de longo prazo e estabilizar a dinâmica da dívida pública desde 2024.

O secretário ainda destacou as elevações na nota de crédito do Brasil pelas agências de classificação de risco e a redução da percepção de risco de calote do país como evidências de que a estratégia econômica está produzindo resultados.

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O mercado financeiro, porém, tem visão contrária a essa.

Na semana passada, por exemplo, quando o governo anunciou um reajuste de 15,04% no valor do Bolsa Família, a primeira reação foi de pânico.

No dia do comunicado (17), a bolsa de valores perdeu três mil pontos pela manhã, a plataforma do Tesouro Direto paralisou as negociações devido à volatilidade, e o dólar ganhou força e disparou frente ao real.

Ao longo do dia, os ânimos se aplacaram. Mas o fantasma do risco fiscal continua rondando as mesas de operações das instituições financeiras e é o tema número um do mercado para esta eleição.

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Os próximos passos, segundo o ministro

Além de fazer um balanço da gestão econômica, Durigan usou o artigo na The Economist para apresentar temas que o governo considera prioritários para os próximos anos.

Entre eles estão iniciativas para ampliar a participação das mulheres no mercado de trabalho, programas de qualificação profissional voltados à inteligência artificial e medidas para estimular investimentos em setores considerados estratégicos, como data centers, minerais críticos e transição energética.

Além disso, defendeu que o governo vem construindo uma agenda voltada para combinar crescimento econômico, inclusão social e equilíbrio das contas públicas, justamente um dos pontos que continuam dividindo Brasília e parte significativa do mercado financeiro.

Em evento recente do BTG Pactual, Durigan também afirmou que “uma política fiscal muito responsável é o principal compromisso para os próximos anos". Para ele, o foco agora é reduzir a taxa básica de juros do país e o crescimento do gasto obrigatório, sendo uma das primeiras medidas do governo.

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O que dizem as pesquisas

O artigo foi publicado em um momento quente do embate eleitoral.

Na quinta-feira (24), foi publicada uma nova pesquisa Datafolha que aponta um cenário de empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro tanto no primeiro quanto em um eventual segundo turno da disputa pela Presidência da República.

Os dois principais concorrentes mantêm distância estreita nas intenções de voto. Em uma simulação de segundo turno, Lula tem 47% das intenções de voto contra 45% de Flávio Bolsonaro. O resultado configura empate técnico dentro da margem de erro do levantamento. 

O levantamento também mediu a rejeição dos dois principais candidatos à disputa pelo Palácio do Planalto. O Datafolha perguntou aos entrevistados em quem não votariam de jeito nenhum no primeiro turno da eleição presidencial. Lula e Flávio Bolsonaro são rejeitados por 45% dos eleitores. 

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*Com informações de Estadão Conteúdo

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