UBS BB passa a tesoura no preço-alvo de Santander (SANB11) e desiste da recomendação de olho em OPA; o que aconteceu?
Analistas do UBS BB destacam os resultados mais fracos do Santander e o potencial limitado de alta dos papéis com a oferta pública de aquisição

O pessimismo que rondava os papéis do Santander (SANB11) na bolsa desde o início do ano teve uma reviravolta há pouco menos de um mês: o interesse da matriz espanhola em comprar os cerca de 10% que ainda não possui da subsidiária brasileira. Desde 30 de julho, quando houve o anúncio, o ativo acumula alta de 17,43%.
Porém, na visão do UBS BB, não vale mais a pena se posicionar na ação. Os analistas reduziram a recomendação de compra para neutra, além de terem cortado o preço alvo em R$ 10.
O principal motivo do UBS BB para a mudança de visão sobre o banco é justamente a oferta pública de aquisição (OPA).
Para recapitular: a oferta da controladora espanhola não será paga aos acionistas minoritários em dinheiro. Quem aderir deixará de ser acionista apenas da operação local para se tornar sócio do grupo global, recebendo ações do Santander Espanha por meio de BDRs (recibos de ações estrangeiras negociados na B3) ou ADSs (título de uma empresa estrangeira negociado nos Estados Unidos).
Para convencer o acionista minoritário a abrir mão das units, o Santander oferece:
- Para quem tem units ou ADSs do Santander Brasil: 0,4056 novas ações (via BDR ou ADS) do Banco Santander Espanha.
- Para quem tem ações ON ou PN: 0,2028 novas ações da matriz.
Porém, segundo o UBS BB, manter os papéis na carteira diante dessa oferta não parece uma decisão muito vantajosa para os investidores no cenário atual.
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Isso porque nas contas do banco, o preço-alvo para o Grupo Santander é de 13,70 euros. Considerando a relação de troca proposta pela controladora e o euro a R$ 6, o preço-alvo para cada papel SANB11 chega a R$ 34.
Em relação ao último fechamento (21), o potencial de alta para esse preço-alvo chega a 15,1%, um percentual considerado limitado na visão do UBS BB.
Cabe destacar que a operação não deve tirar SANB11 da B3. O banco informou que continuará listado mesmo após a negociação com a controladora. Porém, pode reduzir ainda mais o free float — a parcela de ações em circulação no mercado.
- LEIA MAIS: Santander não larga o Brasil? Presidente executiva reforça aposta no país em meio à OPA de SANB11
Não é só a OPA
Além da relação de troca de ações que não parece muito atrativa para o UBS BB, os analistas destacaram os resultados frustrantes do Santander.
Para a equipe de análise — e uma boa parte do mercado —, o balanço do segundo trimestre de 2026 foi fraco.
Divulgado no fim do mês passado, o Santander encerrou o trimestre com lucro líquido recorrente de R$ 3,01 bilhões, um tombo de 17,6% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e de 20,4% frente aos três primeiros meses do ano.
Segundo o UBS BB, o principal fator por trás do resultado abaixo do esperado foi a fraqueza da margem financeira com clientes (NII) e as provisões acima do esperado.
Após a divulgação do balanço, o UBS BB cortou as estimativas de lucro no período entre 2026 e 2028 em 12%, em média.
Para este ano, o lucro esperado é de R$ 14 bilhões, enquanto a projeção anterior era de R$ 16,3 bilhões, além de um retorno sobre o patrimônio (ROE) de 14,3%.
Para 2027, a expectativa é de lucro de R$ 17 bilhões contra R$ 19,7 bilhões da estimativa anterior, e um ROE de 16,3%.
UBS BB não foi o primeiro que rebaixou para neutro
A tesourada do UBS BB nem foi a primeira mudança de percepção entre analistas de peso para os papéis do Santander. Logo depois da divulgação dos resultados do 2T26, o JP Morgan também rebaixou SANB11 de compra para neutro.
A decisão foi pautada nas provisões mais elevadas e margem financeira mais fraca. Além disso, o JP Morgan enxerga uma recuperação de lucros mais lenta para o banco.
Na ocasião, o JP Morgan reduziu o preço-alvo de R$ 36 para R$ 30.
*Com informações do Money Times
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