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A construtora divulgou números acima das expectativas do mercado e ações disparam mais de 12%, mas Alea segue sendo o grande incômodo de investidores

A Tenda (TEND3) começou o ano com o pé direito. A construtora popular animou o mercado com a prévia operacional do primeiro trimestre de 2025 (1T25), divulgada na noite de ontem (8), com números acima expectativas. Com isso, os papéis dispararam fora do Ibovespa, com salto de cerca de 11,13%, a R$ 32,84.
A construtora popular lançou 13 empreendimentos entre janeiro e março, totalizando R$ 1,5 bilhão em vendas líquidas, alta de 25% em relação ao trimestre anterior e de 41% ante o mesmo intervalo de 2025. O resultado ficou acima das estimativas do Safra, Itaú BBA e BTG Pactual.
O número foi impulsionado, principalmente, pela expansão anual de 72% no segmento principal da companhia, voltado à baixa renda. Segundo o Itaú BBA, os repasses para bancos também vieram sólidos e devem sustentar um fluxo de caixa livre (FCF) positivo no trimestre.
O BTG Pactual também gostou do que a Tenda mostrou ao mercado ontem. “Na nossa opinião, a empresa apresentou um sólido conjunto de resultados, com lançamentos melhores do que o esperado e um ritmo de vendas consistente, especialmente no seu negócio principal”, escreveram os analistas do banco.
Segundo o time de análise, a companhia manteve um ritmo forte de comercialização de suas unidades residenciais, com velocidade de vendas (VSO) de 28% no trimestre, acima dos 26% registrados um ano antes. Além disso, a construtora lançou o seu primeiro projeto em João Pessoa (PB), onde, de acordo com o BTG, se mostra confiante quanto à expansão das operações, dada a menor concorrência.
Na leitura do Itaú BBA, a Alea — braço de casas pré-fabricadas da Tenda — ficou aquém das expectativas. A unidade registrou vendas brutas de R$ 121,6 milhões e apenas dois lançamentos no período, que somaram um VGV de R$ 47,4 milhões, uma queda de 50% na comparação anual.
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"A Alea ficou abaixo das nossas estimativas de lançamentos e vendas, principalmente porque esperávamos o lançamento de um projeto Minha Casa Minha Vida pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) no estado do Rio Grande do Sul durante o período, o que não ocorreu", escreve o time de análise do BBA.
Segundo os analistas, excluindo esse efeito de timing, as vendas foram razoáveis e a velocidade de vendas permaneceu forte.
O BTG Pactual, por outro lado, destacou a operação Alea teve menor relevância e que os investidores estão excessivamente pessimistas sobre a unidade de negócios.
A Tenda vem sendo duramente pressionada por minoritários para vender o negócio após seis anos de resultados fracos.
Gestoras como AZ Quest, Ibiuna, Kinea e Vinci avaliam que a subsidiária se transformou em um “ponto fora da curva” dentro de uma companhia que voltou a apresentar melhora operacional, acumulando prejuízos superiores a R$ 500 milhões em cinco anos, consumindo caixa e adiando repetidamente a promessa de atingir o breakeven, agora projetado apenas para 2027.
A insatisfação ganhou tração após uma reunião entre o conselho e investidores, em que houve cobrança direta por uma reavaliação estratégica da Alea. Para os minoritários, o projeto deixou de ser uma tese de crescimento e passou a levantar dúvidas sobre disciplina de capital e governança, já que a empresa continua alocando recursos em uma operação que, até aqui, não entregou retorno consistente.
“No geral, continuamos confiantes no bom desempenho operacional da Tenda daqui para a frente, apoiado pelos recentes ajustes no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), como o teto de preço mais elevado e a elegibilidade para subsídios”, afirmou o Safra.
O banco mantém recomendação outperform (equivalente à compra) para as ações TEND3, baseada por um “atrativo” múltiplo preço sobre lucro (P/L) de 4,5 vezes estimado para 2027, um dos mais baixos entre as empresas sob cobertura. O preço-alvo para os papéis é de R$ 41, o que representa potencial valorização de aproximadamente 23% frente à cotação atual.
O BTG Pactual também vê um cenário favorável para a companhia, que segue como sua principal escolha (top pick) no setor.
“Ela é nossa favorita por três principais motivos: as operações locais estão posicionadas para um forte 2026, a Alea é agora menos relevante para os resultados e as ações são transacionadas a um atrativo P/L de 5,5 vezes para 2026”, pontuaram os analistas, que mantêm recomendação de compra para os papéis.
O preço-alvo é de R$ 44, o que implica potencial de valorização de aproximadamente 32% em relação ao fechamento de ontem.
O Itaú BBA também reforça o tom positivo dos papéis, com recomendação de compra. O preço-alvo é de R$ 43, o que representa uma alta potencial de 45,5% frente ao último fechamento.
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